Quando examino momentos da carreira internacional do violonista clássico Jaime Zenamon, fico a me indagar se ele não seria, por acaso, uma das tantas vítimas do “esquecimento” que Curitiba volta a seus talentos locais? Se não esquecimento, pelo menos indiferença?

A observação inicial tem razão de ser: curitibano nascido na Bolívia, de mãe cristã ortodoxa e pai judeu, tem até festival musical que leva seu nome na Alemanha – Sonho Brasileiro- Jaime Zenamon, ‘residenz Komponist und Kunstler.’

O festival já começou – em Essen, Unna, Dortmund, Berlin, Soest – e terá duração de 3 meses.

Zenamon embarca na semana que vem para  se apresentar na Alemanha como concertista, professor, regente e sobre tudo como compositor.

Quantos de nós sabemos que aqui vive um artista dessa expressão e reconhecimento internacionais? Quantas vezes a cidade expõe tamanho valor?

Com a simplicidade dos grandes e seguros de seu papel no mundo, Jaime diz à coluna:

“Neste festival estão sendo executadas diversas obras minhas por artistas do mundo todo. Farei questão de levar e transmitir, como sempre, e incondicionalmente, a música Paranaense, Curitibana, e Brasileira para todos os alunos e todo o publico que vem de muitos lugares e países.”

A seguir, parte da entrevista que fiz com o músico:

COMO TUDO COMEÇOU

Quero saber um pouco de sua história, Jaime.

Resposta:

Jaime Zenamon

Após ter-me radicado em Curitiba por alguns anos na década de 70 , onde além das varias atividades como concertista e professor, fundei a cadeira de vilão clássico na EMBAP( Escola de Música e Belas Artes do Paraná) no ano de 1979 fui convidado pela “Berliner Hochschule der Künste” (Universidade de Artes de Berlim) de 1980 a 1992, onde me radiquei e trabalhei , e para onde e continuo viajando e trabalhando.

Após a minha passagem pela universidade, comecei a dar aulas , concertos em diversos estados não só da Alemanha como da Europa, oriente médio e Sul America , além de outras atividades , como regente também já fui convidado para reger a Orquestra Simphonica de Berlin entre muitas outras.

Você formou muita gente, mundo afora…

Resposta:

Sim, formei muitos, tanto em Curitiba, em outros Estados brasileiros, e na Europa alguns dos quais hoje tem renome internacional .

Por diversas vezes, tive a honra de ser homenageado, tanto por alunos, escolas, instituições, universidades etc. pelo mundo.

GRANDES MOMENTOS

Cite momentos marcantes de sua carreira…

Resposta:

Alguns me que tocaram o coração, como quando completei 50 anos: a Camerata Antiqua, de Curitiba, me convidou a reger minha própria obra. Foram momentos inesquecíveis. Houve mais: em  2007 , o Primeiro Simpósio Acadêmico de Violão , homenagem a Jaime Zenamon; em 2008 tive o privilegio de ser convidado como compositor residente para um grande festival de violoncelo “Cello Herbst” na Alemanha.

Em 2010 Fui homenageado em Essen (Alemanha) como compositor e regente onde todas as obras executadas foram da minha autoria, a duração desse festival foi de uma semana que levou o meu nome.

Este ano Completei 60 de vida, plena de realizações, sucesso, admiração, gratidão e respeito do e no mundo da música que tanto amo, e sou cervo fiel a ela e a humanidade desde a minha mais terna idade.

Sendo executadas diversas obras minhas por artistas do mundo todo, farei questão de levar e transmitir como sempre e incondicionalmente a música Paranaense, Curitibana, e Brasileira para todos os alunos e todo o publico que vem de muitos lugares e países.

 

Eloi Pires Ferreira: em cartaz

CURITIBA, ZERO GRAU

O diretor de ‘Curitiba, Zero G/rau’, Eloi Pires Ferreira, está contentíssimo:  seu filme  entrou em cartaz, em São Paulo, no Espaço Itaú do Shopping Frei Caneca. E vai ficar em cartaz uma boa temporada.

O filme merece, retrata momentos de Curitiba a partir de sua gente, em seus desencontros/encontros, tudo pontilhado pela paisagem urbana única que a cidade mostra ao país.

NILSON RECRIA RAÍZES

O tempo é mesmo de lançamentos literários. Um dos mais importantes estava pronto para ser anunciado para este mês. Mas o escritor Nilson Monteiro, bom e atencioso amigo, resolveu transferir para julho a noite de autógrafos de seu romance “Mugido de Trem”, em consideração “ao lançamento do Aroldo Murá”, confessou ele ao amigo comum Márcio Renato dos Santos.

No romance, Nilson recria suas origens espanholas em cenário do Norte do Paraná.

Salve Nilson, peça essencial no assessoramento direto do governador Beto Richa.

HORA EXTRA EM INTERVALO É GARANTIDO PELO TST

O Tribunal Superior do Trabalho (TST) confirmou a compatibilidade entre dois dispositivos da CLT que tratam de intervalo para descanso e refeição do trabalhador. De acordo com a com o TST, maquinista ferroviário tem direito ao pagamento do período correspondente ao intervalo intrajornada como hora extra, com o respectivo adicional, como todos os demais empregados que fazem refeição no local de trabalho.

O processo chegou ao TST por meio de recurso de revista interposto por um maquinista da Ferrovia Centro-Atlântica S A provido pela 8ª Turma, que restabeleceu sentença da 2ª VT de Paulínia (SP) quanto ao deferimento do pagamento do intervalo não remunerado.

HORA EXTRA É (2)

Ministro do TST José Roberto Freire Pimenta

O relator ministro dos embargos, José Roberto Freire Pimenta, ao negar-lhe provimento, reafirmou posicionamento adotado pela SDI-1 no julgamento do E-RR-65200-8420075030038, que concluiu não haver incompatibilidade entre as regras do artigo 71 e as do artigo 238 e seguintes da CLT, que tratam especificamente dos ferroviários Naquele precedente, a SDI-1 do TST concluiu que a norma do artigo 71, que exige o intervalo nas jornadas superiores a seis horas, é de caráter tutelar, uma vez que o intervalo é medida de higiene, saúde e segurança do trabalhador Por isso não é possível retirar do ferroviário o direito ao pagamento, como horas extras, do intervalo não concedido Em sua decisão, o ministro relator ainda ressaltou a garantia do direito pela Orientação Jurisprudencial nº 307; Processo: RR-140-2220115150126.

—————————————————————————————————————————————————–

A MÃE DE SANTO E O TRAFICANTE

A história pode ter muitos desdobramentos de leitura. Um deles, o da capacidade de sacerdotes e sacerdotisas, de quaisquer Cultos, serem fiéis às confidências que lhes são feitas por seus seguidores.

E foi justamente por ter sido infiel a quem nela confiou, que o Traficante mexicano Lucio Rueda Bustos acabou sendo preso pela polícia, em 2007, em Curitiba. Estão lembrados?

Aconteceu assim: uma mãe de santo, mentora de Bustos, ouviu dele confissão sobre seus crimes; com a língua solta, ela acabou revelando a condição de seu aconselhado na fé a empresários. Esses, que vinham sendo extorquidos por policiais, acabaram contando de Rueda Bustos aos criminosos travestidos em homens da lei.

No meio do caminho, bons policiais, que investigavam os colegas, acabaram chegando a Rueda.

Ontem os jornais nacionais noticiavam que uma das propriedades de Rueda no Brasil, casa em São José dos Pinhais,foi leiloado pela justiça. Saiu por R$ 5,5 milhões.

A MÃE DE SANTO E O TRAFICANTE (2)

A propósito, puxando da memória, recordo de um crime escabroso que aconteceu próximo ao tradicional Colégio Medianeira, anos 1970s. A vítima, uma jovem, foi estuprada e morta por seu algoz. A suspeita recaiu sobre um jardineiro que prestava serviços nas redondezas do colégio e ao próprio Medianeira.

O homem sempre protestou inocência.

Em meio às investigações, houve fortes indicativos de que o assassino poderia ser outra pessoa.

Lucio Rueda Bustos já cumprindo pena na Penitenciária de Piraquara
Lucio Rueda Bustos, o traficante, antes da prisão

/
O inquérito policial acabou indicando a possibilidade de um dos padres do colégio jesuíta ter ouvido confissão do novo suspeito, em que ele teria abordado e assumido o crime.

O padre que teria dado absolvição ao novo suspeito nunca admitiu – nem desmentiu – que o tivesse ouvido em confissão, embora sem negar que o homem era atendido por ele espiritualmente.

Quando apertado, padre Raimundo, SJ, já falecido, limitava-se a sorver longos goles de seu chimarrão. Sem pestanejar. E só. O que aumentava as dúvidas.
/

CARTAS

(correspondências para a coluna: aroldo@cienciaefe.org.br)

“RICHA IMBATÍVEL”

Senhor Jornalista:

A pesquisa do Instituto Bruno Lopes, que a revista Idéias publicou – e que sua coluna reproduziu, em partes -, confirma uma certeza minha: o tucano Beto Richa ainda é imbatível na corrida ao Palácio Iguaçu do ano que vem. Até acho respeitável a ministra Gleisi, mas ela está sendo “vítima” do momento desanimador da economia brasileira, no qual o Governo federal tem a maior culpa.

Marco Antonio Lazzarotto, Londrina

GLEISI: NO PÁREO

Senhor jornalista:

O Bruno do Ibope tem história, tradição na área de pesquisas de opinião, em Curitiba. Mas é bom lembrar, a propósito das sondagens de intenção de votos que a coluna mostrou ontem: é muito cedo para ser “definitivo”. Acho que Gleisi Hoffmann está muito bem no páreo. Não a eliminemos.

Maria Rita Albuquerque Caron, Curitiba

DEFESA DO CONSUMIDOR

Senhor jornalista:

Há tempo não lia uma manifestação tão oportuna quanto a do leitor Raimundo Caruso, publicada ontem pela coluna. A picaretagem que tomou conta de parte do rádio e da televisão, com venda de milagres e bênçãos, é mesmo um caso de polícia. Ou de defesa do consumidor.

Dorcas Esther McCahann, Curitiba

/
OPINIÃO DE VALOR

SERÁ QUE UTILIZAMOS APENAS 10% DE NOSSO CÉREBRO?

Um dos mitos mais conhecidos sobre o cérebro é o de que utilizamos apenas 10% de sua capacidade. É uma ideia atraente, pois sugere que poderíamos ser muito mais inteligentes, bem sucedidos e criativos se conseguíssemos aproveitar os outros 90% que podemos estar desperdiçando.

Infelizmente, isso não é verdade.

A reportagem é de Claudia Hammond e publicada pela BBC Brasil, 04-06-2013.

Não é bem claro a que se referem esses tais 10% de utilização. Se a afirmação se refere a 10% de regiões cerebrais, é fácil de ser refutada.

Usando uma técnica chamada imagem de ressonância magnética funcional, neurocientistas podem identificar as partes to cérebro que são ativadas quando uma pessoa faz ou pensa em algo.

Uma simples ação, como abrir e fechar a mão ou dizer algumas poucas palavras, requer uma atividade de muito mais de uma décima parte do cérebro. Mesmo quando se supõe que a pessoa não está fazendo nada, o cérebro está trabalhando bastante, controlando funções como respiração, atividade cardíaca ou memória.

NADA OCIOSO

Se os 10% mencionados se referirem ao número de células do cérebro, ainda assim a afirmação não procede.

Quando qualquer célula nervosa deixa de ser utilizada ela se degenera e morre ou é colonizada por outras áreas vizinhas. Não permitimos que as células de nosso cérebro fiquem ociosas. Elas são valiosas demais.

Segundo o neurocientista Sergio Della Sala, o cérebro necessita de muitos recursos. Manter o tecido cerebral consome 20% de todo o oxigênio que respiramos.

Como pode então uma ideia sem fundamento biológico ou fisiológico ter conseguido se espalhar desse jeito? É difícil rastrear a fonte original do mito.

O psicólogo e filósofo norte-americano William James escreveu no livro As energias do homem que “utilizamos somente uma pequena parte de nossos possíveis recursos mentais e físicos”. Ele pensava que as pessoas podiam progredir mais, porém não se referia ao volume do cérebro nem à quantidade de células, tampouco a uma porcentagem específica.

A referência aos 10% é feita em um prólogo da edição de 1936 do popular livro de Dale Carnegie Como ganhar amigos e influenciar pessoas. Algumas pessoas dizem que Albert Einstein foi a fonte da afirmação.

Della Sala tem tentado encontrar essa citação, mas ninguém que trabalha no arquivo Albert Einstein pôde sequer confirmar que tenha existido. Parece mais um outro mito.

ZONA DUVIDOSA

Existem dois fenômenos que talvez possam explicar o mal-entendido. Nove de cada dez células do cérebro são do tipo neuróglias ou células gliais, que são células de apoio, que provêm assistência física e nutricional. Os outros 10% das células são os neurônios, que se encarregam de “pensar”.

Assim, talvez as pessoas tenham interpretado que os 10% das células que se ocupam do trabalho duro de pensar poderiam aproveitar também as neuróglias para aumentar a capacidade cerebral pensante. Só que essas células são totalmente distintas e não podem simplesmente se transformar em neurônios para nos dar mais potência mental.

Existem os 10% que pensam, e os 90% que ajudam a pensar.

Há, no entanto, um grupo de pacientes, cujas imagens do cérebro revelaram algo extraordinário.

Em 1980, um pediatra britânico chamado John Lorber mencionou na revista Science que alguns dos pacientes com hidrocefalia, que tinham muito pouco tecido cerebral, ainda assim tinham um cérebro que podia funcionar.

O caso, sem dúvida, demonstra que todos nós podemos usar nossos cérebros para fazer mais coisas do que sabemos, já que é sabido que as pessoas se adaptam a circunstâncias extraordinárias.

É certo, claro, que se nos propusermos, podemos aprender coisas novas. E cada vez há mais evidência que mostra que nosso cérebro muda. Porém, não é que estejamos explorando uma nova área do cérebro. Acredita-se que quando novas conexões entre as células nervosas são feitas, perdemos velhas conexões quando já não as necessitamos.

O que mais intriga neste mito é que ele pode ter nascido e se cristalizado com base em informação que não é correta.

Talvez falar em 10% seja uma forma atrativa porque oferece um potencial enorme para se melhorar. Todos queremos ser melhores. E podemos, se nos cuidarmos.

Porém nunca vai acontecer de encontramos uma porção de nosso cérebro em desuso.

—————————————————————————————————————————————————–

 O  volume 5 da coleção Vozes do Paraná, um apanhado de nomes paranaenses que estão fazendo o dia a dia do Paraná de hoje, terá seu lançamento no dia 17 de junho, na rua Lourenço Pinto, 500 (defronte ao Shopping Estação).

Os paranaenses que terão vida e obra registrados nesse livro-documento de autoria do jornalista Aroldo Murá G. Haygert que é Vozes do Paraná 5 são: Adélia Maria Woellner, Antenor Demeterco Jr., Carlos da Costa Coe-lho, Carlos Harmath, Carlos Jung, Carlos Marassi, Cassiana Lacerda, Creso Moraes, Domingos Pellegrini Jr., Edson José Ramon, Eduardo Rocha Virmond, João Casillo, João José Bigarella, Pe. Joaquin Parron, Newton Freire-Maia, Oriovisto Guimarães, Oscar Alves, Raul Anselmi Jr., Sabine Wahrhaftig, Segismundo Morgenstern, Sergio S. Reis  e Sonia Lyra.

Haverá atualizações biográficas de personagens de livros Vozes do Paraná anteriores: Airton Cordeiro, Fábio Campana, Fernanda Richa, Gustavo Fruet, Luiz Carlos Martins e Wilson Picler.

/
Esta coluna é publicada diariamente no jornal Indústria&Comércio.

Para acessar a coluna diretamente, basta acessar

http://www.icnews.com.br/editoria/colunistas/aroldo-mura
/