Para quem acha Woody Allen chato, de humor inacessível, prolixo, etc e tal, eis uma surpresa: escrito e dirigido por ele, Um Dia de Chuva em Nova York, que teve sua estreia nos cinemas brasileiros antecipada para esta quinta-feira, é romanticamente palatável.

Envolto em encrenca com distribuidora e elenco por conta de antiga denúncia assédio sexual, o filme ficou na prateleira, foi agendado para estrear em 9 de janeiro de 2020, mas enfim está disponível aos fãs e não-fãs do genial diretor.

Um Dia de Chuva em Nova York conta a história de amor entre jovens, permeado por um ambiente de cinema e, principalmente, ao meio da hipocrisia moralista da ambiciosa classe média. O melhor momento é justamente a confissão do passado de uma dama da alta sociedade, que se contar aqui vai tirar a graça da surpresa.

Nova York é o terreno que Woody Allen pisa com desenvoltura e com amor. Nesse cenário, em que sua paixão pelo jazz também, aflora, povoam os personagens vividos por Elle Fanning (Malévola), Timothee Chalamet (indicado ao Oscar por Me Chame Pelo Seu Nome) e os veteranos Jude Law, Liev Schreiber e Cherry Jones (The Handmaid’s Tale).

Os personagens parecem retirados de outros filmes de Allen, mas e daí? Timothee Chalamet, por exemplo, é um Woody Allen sarcástico de sempre. O fato de Woody Allen ser Woody Allen não desmerece o filme, pois é isso que se quer dele.

Vamos à história: casal de universitários passa um fim de semana em Nova York. Ela vai entrevistar um angustiado diretor de cinema para o jornal da faculdade. Ele vai curtir a cidade, com uma agenda planejada para impressionar a namorada. Mas imprevistos acontecem: marmanjos famosos querem levar a mocinha para a cama, o mocinho encontra outra jovem fascinante e, por fim, vai à festa da família com uma prostituta no lugar da namoradinha. O romantismo, o humor e Nova York, além do final feliz, fazem Um Dia de Chuva em Nova York perfilar-se com A Vida Invisível e A Grande Mentira, notáveis estreantes desta quinta-feira.