O tempo em sua conotação climática principalmente, é o pretexto favorito em qualquer parte do mundo quando se quer puxar conversa e falta assunto. Mas há, também, a famosa expressão do “parece que foi ontem” para quando se quer referir que o tempo passa ou passou muito rápido. Pois bem, ao longo dos últimos vinte e cinco anos, escrevendo religiosamente a cada semana, foram mais de mil artigos publicados nesta coluna. Pois é, parece que foi ontem.

Neste período não foi pouca a água que passou por baixo da ponte. Só não se registrou que elefante voa, não obstante há quem jure de pés juntos que elefante não só voa, como voa em bando, principalmente no mundo político. Aqui no Paraná mesmo, parece interminável o estoque da caixinha de surpresa que a cada eleição se revela. Fazer o diabo para vencer uma eleição, frase celebre da defenestrada presidenta, é lugar comum também nesse Paranasão de gente esperta e dos que se julgam mais espertos.

Dos mil e tantos artigos publicados, a grande maioria aborda aspectos da economia e política agrícola nos âmbitos estadual, nacional e internacional. A síntese da equação, no entanto, é sempre a mesma, ou seja, mercado imperfeito, como se pudesse existir mercado perfeito. O agricultor em qualquer lugar do mundo sofre da síndrome do flagelado, isto é, antes da enchente diz não possuir nada. Depois da enchente diz ter perdido tudo.

Os artigos mais interessantes, no entanto, segundo os “milhares” de leitores da coluna, são os relacionados à sociologia rural, ao homem do campo, aos casos e “causos” da roca, a matreirice, a esperteza por de trás do rótulo da “simploriedade”. Usada com freqüência, a expressão “é com o andar da carruagem que as abóboras se ajeitam”, bem revela como o Paraná dos pequenos sitiantes se transformou no Paraná do grande agronegócio.

Nesse meio tempo dos vinte e cinco anos, marcaram pauta a transformação ditada pela grande geada de 1975, a lei do solo e dos agrotóxicos, o engodo do movimento dos sem terra, a recusa da transgenia por dirigentes obtusos, a racionalidade imposta à questão ambiental e, por fim, o espetacular avanço tecnológico e gerencial aplicados à agricultura.

Com o passar do tempo a coluna foi apresentando “pitacos” em temas do cotidiano, da política e de dirigentes, da academia e de acadêmicos, da engenharia agronômica e da engenharia consultiva, arriscando-se inclusive em crônicas. A essência, no entanto, do articulista, como de quase todos os paranaenses que saíram do campo, está na seguinte máxima: “saí da roça, mas a roça não saiu de mim”. 

Joaquim Severino – Diretor Presidente da empresa Agrária Engenharia e Consultoria S/A e Professor de Política Agrícola da Universidade Federal do Paraná – 1973/2010, tem escrito mais de mil artigos nesta coluna desde 1992.