Osvaldo Nascimento Júniors.:

É um prazer estarmos aqui com vocês nesta prestigiosa revista, trazendo os conhecimentos deste maravilhoso mundo de Baco através de nossa Coluna VINUN VITA EST, agora um livro para breve ser publicado, onde iremos aprender juntos, um pouco mais sobre este líquido, que ao longo dos sete mil anos de história do vinho, muito o homem em suas descobertas procurou saber sobre seus benefícios e nenhuma bebida atrai tanto a atenção da medicina quanto ele, especialmente o tinto. Por sempre exercer enorme fascínio no homem, o tem acompanhado em sua trajetória pelo mundo, em seus momentos mais alegres, em que se aprimoram mais a sua qualidade, tornando-se um fenômeno mundial como a gastronomia, porque o vinho é um complemento e parceiro da comida, por suas virtudes medicinais, e nunca o contrário.

Chegamos a mais um verão no Brasil, cujo, como sempre, será tórrido e para os apreciadores de um bom vinho, nada melhor que já comecemos a pensar em tomar os vinhos que irão brilhar como os  brancos, roses, espumantes e até Champagnes (merecemos, não é?), que com seu frescor aplacam a sede e fazem uma parceria aos grandes pratos, numa combinação com a enogastronomia, com que celebramos os felizes momentos de nossa vida.

Vamos deixar  um pouco de  lado, lógico que sem aboli-los, os grandes vinhos tintos, aqueles mais complexos e encorpados, para que degustemos os mais leves e joviais, que combinam com a grande estação do rei sol.

Verão lembra-nos o mar, a piscina, noites e dias quentes e nada melhor que nestes momentos, para um complemento mais feliz de frutos do mar, um belo e refrescante vinho branco, portanto, aqui vão algumas sugestões.

O vinho branco por muito tempo só era considerado se fosse francês com aquelas uvas maravilhosas Vitis Viniferas, como a Chardonnais, que é a uva dos Bourgognes brancos e do Champagne. Produz um vinho vigoroso, completo, característica dos solos calcários, ou a Sauvignon Blanc, principal uva branca do Vale do Loire, que produz um vinho resultante seco, dotado de um forte característico bouquet, perfeitos para frutos do mar, mais oleosos e fortes como o salmão e as ostras. Mas como se faz um vinho branco? O processo básico da fabricação do vinho é a fermentação. Ela não é tão incompreensível  e misteriosa como se acreditava antes das pesquisas do grande Pasteur. Os avanços da moderna enologia têm sido alcançados através de uma regulação de fermentação, incluindo alterações na duração e na temperatura. Voltaremos ao assunto.

Com o advento das grandes produções no Mundo Novo vínico (Chile, Argentina, África do Sul, Austrália, Nova Zelândia e Brasil) destas uvas trazidas da Europa (França especialmente) de cada vez mais qualidade com custo baixo, tornaram-se acessíveis a todas as mesas. Citamos aqui a uva branca emblemática argentina, desconhecida de muito, a Torrontés, muito frutada, que dá uma vinho de alta qualidade, frutado, a mais alta uva plantada no planeta, em Salta, onde visitamos recentemente, nas alturas de 1500 a 3500 mts de altura.

Não podemos deixar de mencionar a uva das encostas geladas do Vale do Reno na Alemanha, a RIESLING, onde cercada de castelos medievais, tem nas alturas, encostas onde desde 770 DC, são plantadas videiras, produzindo esta uva, considerada por especialistas, como a melhor entre as brancas, vênia para a decantada Chardonnais (que tornou-se um produto de marketing francês como a rainha das brancas), a uva das regiões frias como o norte do Reno, onde só ela reina, e a Alemanha sua maior produtora, que por sua acidez refrescante, produz vinhos de melhor qualidade, os “trocken(secos)e os “halbtrockens (demi secos). Lembremos que no Brasil já temos excelentes vinhos desta uva produzidos pela Vinícola Miolo, em sua serie Miolo Seleção, até com “assemblages”, mistura de cepas numa mesma garrafa, técnica original européia. Vale a pena experimentar em sua próxima degustação.

Podemos citar como sugestão também o produto do Reino dos Vinhos Brancos franceses, a região da ALSÁCIA, fronteira com a Alemanha, com sua capital Estrasbourg, ou Strassburg, porque ora foi alemã e ora francesa conforme seus reis, cidade que passou por célebres batalhas em sua história e que produz dois maravilhosos caldos brancos o Riesling e o Gewurztraminer (codimento), nome um pouco complicado para brasileiros que desconhecem o idioma alemão, é uma das castas nobres, a mais abundante, menos seca que a Riesling, picante, é maravilhosa e encerra com  seus quebrantos o espírito e a magia da Alsácia, e vai bem com carnes brancas e até mesmo com sobremesas.

CHABLIS, o nome encantado de um vinho branco reconhecido em toda a Europa e no mundo dos degustadores do líquido de Baco, é uma região a 150 kms de Paris ao sul, próxima de Auxerre. Muito apreciado, branco, admiravelmente seco, não é fácil encontrá-lo, mas nas melhores casas de vinho, é possível.

QUE TAL MUDAR E TOMAR NESTE VERÃO UM VINHO VERDE PORTUGUÊS?

O que é este famoso vinho português? Alegre, ligeiramente ácido e deliciosamente refrescante, com baixo teor alcoólico de 8.5 a 11.0 graus, o verdadeiro vinho português de origem tão antiga que era consumido pelos soldados romanos..Recebeu este nome por ser bebido jovem. Apesar da grande  qualidade, vive pouco e envelhece mal. Foi o reconhecimento de uma identidade.

Não atinge os níveis de maturação dos outros brancos e tintos. Nada a ver, portanto, com a crença infundada de que seria feito com uvas verdes. É produzido com as uvas portuguesas Loureiro a mais recomendada, que dá o mais prestigiado Vinho Verde e Avesso Aza, Pederna e Trajadura. Lembramos que Portugal faz questão de produzir seus vinhos com uva autócnes, isto é, uvas próprias de longa tradição, como frisamos acima, onde citamos o Império Romano (sempre o grande Império e suas contribuições para o mundo), como dizem, “Não precisamos da Pinot Noir francesa” e fazem ótimos vinhos, utilizando sempre o processo de “assemblage”, a mistura de várias cepas dando sabores diferentes, onde para quem não está acostumado precisa desta orientação,  sempre produzindo grandes vinhos, como é o caso da região de Bordeaux, França, com suas uvas autócnes mais conhecidas.

O VINHO ROSÉ. ÓTIMO PARA O VERÃO. LA VIE EN ROSE.

Para um drinque descompromissado para o verão, sugerimos também um agradável vinho ROSÉ, refrescado, acompanhante universal para os frutos do mar e refeições leves. O seu charme está na cor. São produzidos por três

O Vinho Verde é produzido na maior região vinícola de Portugal, às margens do Rio Douro, região que é conhecida como a comunhão entre o homem e o divino, ao norte de Portugal com vinhas que chegam a 70 anos de idade, plantadas em estreitas encostas com inclinações de até 45º, impedindo a mecanização da colheita e o Minho e abrange mais de sete mil Km2. E você sabia caro leitor (a), que é o principal vinho português? São 200 milhões de litros ANUAIS contra 150 milhões de litros do Vinho do Porto, o segundo colocado? Acompanha bem o aperitivo, harmonizando com frutos do mar e pratos leves de peixe, é o vinho de verão dos portugueses. Fica a sugestão para imitar este ótimo habito português. Existem variedades do mesmo em casas especializadas e Supermercados.  À partir de uvas com pouca matéria colorante (Pinot Grigio, Gamay, a uva do famoso Beaujolais Noveau, que também é um vinho tinto leve para o verão, ou de misturas de uvas tintas parcialmente maceradas (o mais praticado). Última moda na Europa, está conquistando seu merecido lugar à mesa, em especial no Brasil, cuja procura já tem aumentada entre os connaissers, pois tem tanta qualidade quanto aos melhores tintos e brancos.

A mitologia diz que o vinho tem o poder milagroso de conduzir o homem em direção ao divino. E BACO é muito generoso.

LAUS VINO ET DEO. Louvor ao vinho e à Deus, que o criou.

Celebremos a vida com um brinde à arte de viver, com saúde e felicidade, com uma descoberta a cada garrafa. Aguardem nosso livro sobre Vinhos VINUM VITA EST.

AVOÉ. BRADO DE EVOCAÇÃO Á BACO POR SEUS SÚDITOS.

Osvaldo Nascimento Juniors.:

Advogado, Empresário, Enófilo Sommelier, Consultor, Colunista e Palestrante de Vinhos. Autor do livro sobre vinhos VINUM VITA EST – A HISTÓRIA VISTA PELO VINHO .

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