Conheça mais sobre o político que abriu mão da verba do fundo partidário, doações para campanha, 13º salário, carro oficial do gabinete, até do copinho plástico do cafezinho


Euler de Freitas Silva Júnior, conhecido como Professor Euler, fez ensino médio na Escola Preparatória de Cadetes do Exército e posteriormente foi para a Academia Militar das Agulhas Negras, local de formação dos oficiais combatentes do Exército Brasileiro. Pediu baixa para estudar Engenharia Mecatrônica na USP. A convite do Grupo Positivo, o Euler veio para Curitiba para ocupar a cadeira de professor titular de Física do curso pré-vestibular. Já escreveu obras literárias Empreendedorismo, Geração de Emprego e Renda, Liderança, Apreciação Investigativa Aplicada à Educação, Avaliação Externa, Formação e Performance de Professores, Métodos de Estudo, entre outros.

Na última eleição resolveu entrar na política e mesmo gastando menos de R$ 10 mil se elegeu vereador.

Já durante a campanha Euler se posicionou diferente da maioria dos políticos e não aceitou verba partidárias nem doações para a disputa.

Daí pra diante, sempre com ações pontuais divergentes do que a população está acostumada a perceber nos políticos em geral, o vereador chama atenção com medidas inusitadas. Já no inicio da sua gestão, anunciou que não aceitaria receber a cota de selo, que depois virou chancela dos Correios para divulgação de suas atividades. “Já a minha campanha, foi feita por intermédio de outros canais de comunicação. Mais baratos e modernos como Whatsaap, Facebook, Instagram ou e-mail. Não haveria sentido, agora, por conta da comodidade apenas eu passar a enviar “cartas”.
Euler, explica que essa medida gera um economia de R$ 3 mil mensais mas que, durante toda a gestão de 4 anos, chega a R$ 144 mil que podem ser revertidos em benefícios para o  município.

Na mesma linha, de abrir mão de benefícios, o vereador abriu mão de utilizar o carro oficial do gabinete. Cada vereador têm direito a um carro com combustível para uso no gabinete.

“Quando iniciei o trabalho como vereador, mantive o carro no gabinete por 6 meses, até que cheguei a conclusão de que isso poderia ser mais uma forma de a Câmara Municipal de Curitiba economizar. A vida inteira, sem estar na política, eu utilizei meu próprio carro me senti bem em adotar essa medida. Até teve colega na casa me acusando de isso ser medida populista. Mas de pronto, refutei dizendo que era um erro histórico. Medida populista se fosse vantagem para algum segmento. No meu caso, é só economia. Entendo que, de acordo com o tipo de trabalho de cada vereador, os carros podem ser necessários. Seja por falta de condição do político, por necessidades de percorrer alguma região. Mas no meu caso, foi uma medida assertiva.”

O vereador chegou a solicitar a presidência da casa, que na nova licitação para veículos da Câmara, fosse dispensada a contratação para seu gabinete. Recentemente, Euler também assumiu a função de secretariar a mesa executiva. Por prerrogativa dessa função, a CMC lhe destinou outro carro, mas que este será usado avisa o vereador, pois esse não é possível devolver. As funções na mesa são temporárias e os veículos são disponibilizados para cada uma das cadeiras.

A resposta sobre ser um vereador de oposição ou situação é tão prática quanto as outras medidas anunciadas. “Me considero independente. Não acho correto votar sempre contra o prefeito só por ser oposição mas também não acho justo concordar com tudo por querer ficar na base de governo. Creio que cada voto, deve ser analisado, consultado a comunidade, visto os benefícios para o cidadão de Curitiba. Do contrario, bastaria instalar um robô na casa para apertar o botão de concordo a cada projeto que fosse votado.”

Sobre o papel que cabe a um vereador Euler ainda completa dizendo que “acho ainda que o trabalho vai além de apenas votar. Um exemplo: Na gestão do prefeito Fruet, havia um contrato de iluminação pública no valor de R$ 6 milhões ao ano. Quando vi o valor da nova licitação, da gestão atual, que chegava a R$ 28 milhões, entrei como cidadão no portal de licitações e pedi a impugnação. Chamei a atenção para a diferença de valores. A licitação saiu e no decorrer do pregão, os valores foram caindo para aceitáveis R$ 8 milhões. Essa visão de acompanhar é importante. Estar atento ao município.”

Ainda na esteira das devoluções, Euler anuncia outra medida que contraria o que se espera dos políticos. Na gestão anterior da CMC, houve ampla e acalorada discussão entre os vereadores para que passassem a receber o 13º salário. O vereador anunciou que abria mão do 13º salário. A forma encontrada pelo vereador é reverter integralmente o valor para entidades, principalmente ligadas à educação, na forma de doação. Ele promete ainda prestar contas das doações ao fim da gestão.

Educação

Com a profissão de vereador atuando em instituições de ponta, o vereador também acompanha o a educação municipal. “Com minha equipe, passamos pelas 185 escolas para conhecer as necessidades, carências e pontos fortes de cada uma. Um fato que vale ressaltar é qualidade de ensino em Curitiba. Servidores, professores capacitados muitos com pós-graduação. Você encontra mestres e até doutorados nas escolas municipais. É contagiante ver o amor, o empenho desses profissionais. Mas ainda é preciso evoluir. Principalmente na questão da estrutura física. Temos boas escolas, mas também temos casos onde há problemas com fiação, com teto das escolas. Caberia ali um cuidado maior, inclusive com a participação da comunidade. Porque esses fatores com toda certeza, afetam a capacidade de aprendizado dos alunos. O ambiente é fundamental.”

Sobre a educação ainda, o vereador explica que destinou mais de 90% de sua verba de emendas para o setor. “Eu queria ajudar a resolver o problema de cada uma das escolas, mas a verba é limitada a R$ 1 milhão. Então dividi esse valor e cada escola vai receber R$ 5 mil. Aí cada diretor pode aplicar em questões pontuais de acordo com a necessidade da escola. Seja investindo em algum reparo, compra de material de consumo, pedagógico, em jogos, enfim. Cada diretor sabe onde estão suas necessidades.”

Ampliar a Meia Entrada

Estará em votação, na semana que vem um projeto que amplia o direito de meio ingresso para estudantes de cursos livres. Estariam beneficiados nessa nova Lei  estudantes de cursos pré-vestibulares ou ainda outros cursos desde que, matriculados em escolas com registro junto ao MEC, secretaria municipal de Educação ou ainda a secretaria estadual de educação. “Acho que esse projeto vai reparar uma desordem que ocorre hoje em sala de aula. Imagina que temos na dois alunos. Um está cursando o terceirão afim de se formar no ensino médio. O outro aluno, faz o terceirão como forma de reforçar o aprendizado e se preparar para o vestibular. Um deles tem direito a meia entrada e outro não. Mesmo estudando na mesma escola. Eu até consultei donos de salas de cinema, produtores de espetáculos e shows. A resposta é unânime, é um público a mais. Salvo alguns casos especiais, onde há lotação das casas, sempre há vagas que podem ser assim preenchidas.” O vereador se mostra otimista quanto a aprovação desse projeto.

Polêmica

Mesmo trabalhando como professor, Euler tomou iniciativa inusitada contestando a prática das universidades de cobrar estacionamento de seus alunos. “É preciso dividir as coisas. Aqui na Câmara Municipal estou defendendo aos interesses da população. Sei que meu empregador está do outro lado. Mas como vereador preciso me posicionar.”

Continua dizendo que “quando algumas Universidades começaram a cobrar estacionamento, elas reduziram o valor das mensalidades? Se não reduziram, isso significa que o custo de administração do estacionamento, antes já incluído no valor da mensalidade, passou a ser cobrado em duplicidade daqueles que fazem uso das vagas.”

Recentemente, algumas instituições alegaram que não é sua atividade fim. Mas o vereador rebate “a atividade fim da Universidade é o serviço educacional e não administrar estacionamento. Transferir essa atividade a uma empresa terceirizada apenas mascara isso, afinal certamente essa empresa repassa parte de sua receita para a Universidade.”

Vereadores x Nomes de rua

Outro ponto comum para o trabalho do vereador no Brasil inteiro é as questão dos nomes de rua. Isso já foi motivo de piada, de memes na internet mas o vereador tem uma posição diferente também com relação a isso: “Jamais apresentei Projeto de Lei para dar nome a rua ou bem público. Sei que é importante dar nomes as ruas, é competência da CMC. Isos ajuda a preservar e valorizar nossa história. Porém, hoje Curitiba tem entre dois e três mil nomes já aprovados em estoque. A cidade não cresce nesse ritmo. Precisaríamos de 3 mil novas ruas. Defendo que a Câmara parasse de votar nome de rua até “baixar o estoque”. Que os colegas foquem suas atenções às questões emergenciais e urgentes da cidade”

Nova campanha

O vereador também anuncia o lançamento de uma campanha com foco no pequeno e médio empresário e comerciante. “O nome da campanha será “Empresário não é Bandido!”. Porque, infelizmente, é assim que os empresários e comerciantes se sentem. São muitas as dificuldades, burocracias, entraves de todas as formas. Muitos fecham e desistem de continuar sua atividade. Visito os comerciantes e sempre me deparo com dúvidas com relação a alvará, regularizações, contatos dos órgãos municipais e estaduais. Falta instrução, gerar facilidade. Para ajudar nisso vou criar uma cartilha. Mas há que ter bom senso, maleabilidade. Sempre ouço que o poder público mesmo que não ajude, não atrapalhando já seria de grande valor.”