Vamos repetir de ano?

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*por Claudia Queiroz

Era madrugada quando minha sobrinha deitou a cabeça chorosa no meu colo, com o corpo encolhido, meio que de lado, posição fetal. Aquele momento de carinho era mais que necessário para curar um jovem coração cheio de incertezas…

Vou fazer aqui uma “chamada” no estilo “programa de televisão” ou de “capa de revista” tentando dar uma conotação comercial a este tema comum em todas as famílias.

Mais que busca de audiência ou venda de artigos nobres, fato é: Por que tantas dúvidas “minhocam” nossas cabeças na juventude? Por que crescemos cheios de certezas? Será que não seria justamente nisso onde todos nos perdemos pelo caminho?

O milagre da dúvida é sagrado! Bem além daquela mera desculpa pela demora de uma resposta ou da justificativa pela morosidade de ação… Estou falando da sensação de liberdade para não vivermos presos a rótulos ou convicções. A possibilidade de mudar de pensamento é algo extraordinariamente mágico!

Quanto mais conheço sobre determinado assunto, mais ainda tenho que aprender com ele. Daí nos damos conta que precisamos mudar muito para sermos nós mesmos. Afinal, nada na vida permanece estático e tudo tem movimento. Certo?

Existem situações marcantes nas nossas histórias e que cobram posturas de maturidade, seja pra enfrentar um desafio quanto ao novo projeto, seja para compreender uma criança pequena em pleno desenvolvimento ou até mesmo tentar iluminar a cabeça de quem a gente ama… E tudo bem se não soubermos o que fazer nem por onde começar, desde que haja um “pingo” de reflexão antes de agir.

E se mesmo assim der tudo errado? Tudo bem! Era o melhor a ser feito naquela situação! Por isso, o mais importante sobre o que escrevo aqui é estarmos abertos para enxergar nossos erros e acertos com perdão, experimentando nos colocar no lugar do outro, mesmo que simbolicamente, tentando compreender a razão ali na base do conflito, que nos magoa tanto.

Dizem que pais e filhos têm apenas uma diferença: a data de nascimento. Se aprendermos a julgar menos e a enxergar nossas dores sem artifícios de lentes de aumento ou holofotes imaginários, consumiremos menos remédios de farmácia e mais abraços, cafunés e beijinhos de amor verdadeiro.

Que a mudança no calendário seja apenas uma boa oportunidade para novos e bons pensamentos. São eles que têm o poder de construir realidades ainda mais prósperas e felizes para o próximo e o próximo e o próximo (…) ano. Feliz 2020! Preciso repetir?

Claudia Queiroz é jornalista.