*por Claudia Queiroz

O dia em que a sociedade for mais doce com as mulheres, elas poderão largar seus escudos, treinar golpes de luta apenas para gastar calorias e adotar movimentos suaves com voz macia.. A herança dos “soutiens” queimados é de alta performance no trabalho como se não houvessem filhos e maternidade plena como se não existisse dupla jornada de trabalho (para muitas, tripla).

Está aí uma discussão interminável… E não estou nem perto de fazer “palanque” feminista, tampouco dando gritinhos efusivos defendendo o “empoderamento” das versões femininas que dão conta de tudo com um sorriso estampado no rosto (e a bunda empinada).

Porque as mudanças da nova versão não ocorrem apenas na divisão de prioridades – filhos, família, marido, trabalho, casa, exercícios físicos, alimentação saudável, vida social e atualização sobre o que acontece no mundo… vêm antes da teoria de que “sou a pessoa mais importante pra mim”. Até deveria ser, mas poderia listar muitas outras coisas e, provavelmente, gastaria o tempo cronometrado que preciso pra passar algum corretivo mágico que esconda as olheiras.

Cobranças disfarçadas de testes do tipo “quero ver se você é capaz”…. Tenso! Alguém com tom professoral diz: “se perdoe, seja grata, sinta menos culpa…”

Quase sempre funciona, por isso me conformo com pensamentos do tipo sou a melhor possível…. Tenho intencionalidade em tudo o que faço…. Não acerto todas as vezes, mas quem consegue?!”

Antes de virar “eu agora” eu tinha todo o tempo do mundo. Mas o beijo de amor verdadeiro só quebrou o feitiço da casca deste mulherão que sou depois que me tornei mãe. E isso faz qualquer ‘agonia’ virar passageira.

Dane-se o que os outros querem ou exigem. A única coisa que quero é ver minha pequena filha sorrindo saudável, segura e feliz. E pra isso, vale-tudo! Ops, acabei de falar de luta de novo… Mas o que é mesmo ser mãe em temos modernos?

Claudia Queiroz é jornalista.