Instituto do Mundo Árabe: marco na paisagem parisiense

Duzentos e quarenta painéis em sua fachada sul, com diafragmas de aço conectados a sensores que abrem e fecham de acordo com a intensidade da luz solar. Como numa câmera fotográfica. Este é um dos detalhes arquitetônicos – talvez o mais significativo – desse edifício de 12 pavimentos, contando com o térreo e dois subsolos, feito de aço, vidro e concreto pré-moldado, que se situa entre o rio Sena e um dos câmpus da Universidade de Paris e que abriga o Instituto do Mundo Árabe (IMA). O endereço é 1, rue de Fossés Saint Bernard, no Quartier Latin, 5º arrondissement. Para chegar lá, um dos meios de transporte é o metrô: linhas Jussieu (7) e Cardinal Lemoine (10).

O Instituto do Mundo Árabe começou a ser concebido em 1980 com o objetivo de criar uma ponte entre a França e os países árabes. Um concurso de projetos, lançado pelo então presidente François Miterrand, foi vencido pelo arquiteto Jean Nouvel e sua equipe, ele criador de obras ousadas como a Torre Agbar, de Barcelona, com 142 metros de altura, e a Torre Dentsu, em Tóquio, 70 metros mais alta. A construção, naturalmente inspirada em elementos da arquitetura árabe, erguida em área séculos atrás ocupada por muçulmanos, começou em 1984 e foi inaugurada três anos depois, constituindo-se num novo marco cultural, arquitetônico e turístico da capital francesa.

O museu guarda obras de arte da Antiguidade

Instituição que se dedica à pesquisa e à promoção da cultura e da arte dos povos árabes, o IMA conta com centro de documentação, biblioteca, auditório, museu, loja de suvenires e livraria, áreas de exposições temáticas, arte contemporânea e de oficinas infantis e um restaurante, no topo, o Le Ziryab, de cujo terraço se descortina uma visão privilegiada da catedral de Notre Dame, das pontes Sully e de la Tournelle em primeiro plano e, ao redor, todo o esplendor da Cidade-Luz.

Um passeio pelos diversos pavimentos do Instituto revela objetos da Antiguidade, obras anteriores à Hégira, que foi a fuga do profeta Maomé de Meca para Medina em 622, ano inicial do calendário islâmico. Lá estão exemplares do Alcorão, o livro sagrado dos muçulmanos, objetos de decoração, tapeçarias, joias, esculturas e outras obras de arte, trajes masculinos e femininos que atravessaram séculos e foram preservados e selecionados por mãos cuidadosas. O Instituto do Mundo Árabe abriga, também, uma antiquíssima cópia do Torah, o livro sagrado dos judeus, com os cinco livros do Pentateuco, do Velho Testamento: Gênesis, Êxodo, Levitíco, Números e Deuteronômio. Em outras salas, exposições de pintores árabes consagrados e da nova geração.

Diafragmas de controle da luz solar compõem uma das fachadas

O IMA recebe anualmente cerca de um milhão de visitantes. Abre das 10h às 18h, de segunda a sexta; sábados, domingos e feriados, até às 19h. No momento, abriga parte de uma bienal de fotografia do mundo árabe contemporâneo, que vai até 24 de novembro, e também está em outros pontos de Paris, em parceria com a Maison Européenne de la Photographie; de 9 de outubro a 10 de janeiro de 2020, recebe uma exposição de sete mil anos de história árabe; e, entre 18 e 27 de outubro, será palco da Arabofolis, um festival de música, de artes e de ideias. Para visitar o IMA, o ingresso custa oito euros, mas há descontos para estudantes. (Júlio Zaruch)