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Projeções divulgadas pelo próprio Legislativo mostram que os até aqui hegemônicos Partido Popular Europeu (PPE, conservador) e Aliança Progressista de Socialistas e Democratas (S&D) não controlarão, juntos, a maioria dos 751 assentos da Casa. Será a primeira vez que isso ocorre.
Os cálculos levam a conta apurações parciais ou pesquisas de boca de urna em 27 dos 28 países do bloco -no Reino Unido, que detém 73 cadeiras e participa do pleito porque ainda não conseguiu concluir sua retirada da União Europeia, o famigerado brexit, parte da contagem só será conhecida nesta segunda (27).
Segundo essas estimativas, PPE (caindo de 217 para 180) e S&D (de 186 para 152) devem perder entre si mais de 70 vagas.
O primeiro foi baqueado pelo mau desempenho da União Democrata-Cristã da chanceler alemã, Angela Merkel (que pode ter caído 7 pontos percentuais em relação a 2014), e das legendas do establishment conservador na França (Os Republicanos, 8,5% contra 21% há cinco anos) e na Espanha (19,5%, queda de 9 pontos).
Já os progressistas sofreram com o desempenho pífio dos parceiros de coalizão de Merkel, os social-democratas (SPD), que podem ter encolhido 12 pontos percentuais.
Tampouco ajudou o Partido Socialista francês, que formou chapa com o recém-criado Praça Pública, chuchu da mídia local, mas ainda assim parece ter penado para superar o piso de 5% para enviar representantes ao Parlamento -surge com 7% na boca de urna.
As agruras do campo majoritário impulsionaram partidos ambientalistas e de direita radical.
Na Alemanha, os Verdes podem ter dobrado seu score de 2014, pulando de 11% para 22% e desbancado os social-democratas para se tornar a segunda força. Também surpreenderam na França (13%), arrancando a terceira colocação d’Os Republicanos, e aumentaram suas bancadas na Finlândia, na Dinamarca e na Irlanda, entre outros países.
Feitas as contas, a família verde na próxima legislatura europeia deve ganhar entre 15 e 20 reforços.
A ultradireita é outra que chegará com mais musculatura ao Parlamento a partir de 2 de julho, puxada pelas performances consistentes da Reunião Nacional na França (23%, o suficiente para liderar, mas menos do que os 25% de 2014) e da Liga do vice-premiê italiano Matteo Salvini.
Essa última aparece nas bocas de urna com índices na casa dos 30%, o que, se confirmado, inverteria o jogo de forças dentro da coalizão governamental com o Movimento Cinco Estrelas, que pode não ter chegado nem a 20%.
A previsão é de que as fileiras ultraconservadoras, com discurso marcadamente nacionalista e anti-imigração, abocanhem 20 cadeiras a mais do que na composição atual do Parlamento, onde se aglutinam sob o guarda-chuva do grupo Europa das Nações e da Liberdade.
Salvini quer renomeá-lo Aliança Europeia dos Povos e das Nações e ainda espera atrair para sua órbita o Fidesz do premiê húngaro, Viktor Orbán, atualmente suspenso do PPE e vencedor com folga em seu país neste domingo, com 56% dos votos -5 pontos a mais do que em 2014, em que pesem os sucessivos ataques ao Estado de Direito por Budapeste.
O “tsunami” ultradireitista prognosticado por alguns comentaristas -e temido pela classe política europeia-, porém, não se concretizou, talvez pelos desempenhos mornos de Alternativa para a Alemanha, Partido pela Liberdade (Holanda, que passou de 13% a 4% em 5 anos) e Vox (Espanha), entre outros.
Na ala dos vencedores há ainda o grupo centrista conhecido como Aliança de Democratas e Liberais pela Europa, que verá seus 68 assentos atuais virarem 105, se os prognósticos se concretizarem.
Até aqui sem um grande puxador de votos, o consórcio deve ser engrossado pela República em Marcha, do presidente francês, Emmanuel Macron.
Numa espécie de terceiro turno da presidencial de 2017, a legenda governista amargou uma derrota para a Reunião Nacional de Marine Le Pen, mas foi por pouco (23% a 22%, conforme os primeiros números).
Apesar da crise social ligada aos protestos dos “coletes amarelos”, que paralisa seu governo há seis meses, Macron não derreteu nesse plebiscito de meio de mandato.
Quem sai ainda mais capenga dessa eleição, isso sim, são as duas forças dominantes da política britânica, os partidos Conservador e Trabalhista.
Segundo projeção da BBC que confirma pesquisas dos últimos dias, o (derradeiro?) pleito europeu do Reino Unido foi vencido pelo autoexplicativo Partido do Brexit, seguido pelos liberal-democratas, que defendem um novo plebiscito sobre a permanência na Europa. Até parece humor inglês.