O Brasil atravessa um ciclo de turbulência, enfraquecida a capacidade do governo em função de arbitrar conflitos da conjuntura, e mais, de apontar um caminho para a sociedade. Porém já atravessamos – e superamos – perigos mais graves em nossa curta História. Entre 1831 e 1840, apenas poucos anos após a Independência nacional (1822) e a abdicação (renúncia) do primeiro imperador, a dissidência das elites e a gravidade dos conflitos – seis rebeliões quase simultâneas – ameaçavam esfacelar a unidade do jovem país.

TURBULÊNCIA (II)
O padre Diogo Feijó, ministro da Justiça e depois regente na minoridade do herdeiro do trono, chegou a declarar que aceitava a separação das Províncias rebeladas (do Norte e do Sul), conquanto mantido o Império no Centro-Sul. Felizmente, nesses dias terríveis, avultaram figuras providenciais: primeiro, Evaristo da Veiga, misto de jornalista e homem público, chamando políticos, empresários e formadores de opinião à postura moderada com sua Sociedade Defensora da Liberdade.

FIGURAS PROVIDENCIAIS
Depois, na tribuna da Câmara, Bernardo Vasconcelos e Honório Hermeto, (futuro marquês do Paraná); na frente militar o general Luiz Alves, futuro duque de Caxias. Unidos, esses líderes providenciais conjuraram o perigo, conduziram a transição regencial e – mais adiante, empossado o jovem Pedro II -, o Brasil consolidou sua unidade nacional, desfrutando meio século de estabilidade – caso único no continente sul-americano.

ANÁLISE
A ação desses líderes foi exponencial, porém outros fatores concorreram para a sorte do Brasil. Uns negativos: na vizinhança, a fragmentação das antigas colônias espanholas, tal o Vice-Reino do Rio da Prata; no Caribe a revolta dos escravos negros que massacraram os proprietários de origem francesa do Haiti. Outros positivos: a lembrança, sempre presente, de uma criança no berço, à espera de subir ao trono imperial.

ANÁLISE (II)
Apoiados na lição da História, cumpre ouvir com cautela os oráculos da crise, prontos a desfiar seu rosário de mazelas mas tardos em lembrar dos verdadeiros milagres associados à construção nacional. Superamos aqueles desafios da formação, e com certeza haveremos de passar ao largo das dificuldades – muito menores- de hoje. Ensinava Otto Lara Resende, sábio jornalista: “Precisamos, urgentemente, ter confiança no Brasil!”.

ANÁLISE (III)
A propósito, que diferença entres queixosos e o otimismo de Ozires Silva – o criador da Embraer – entrevistado pelo “Roda Viva” da TV Cultura. Na mesma linha, as homenagens à memória do engenheiro (formado no Paraná) Eliezer Batista, empreendedor que elevou a Vale a maior mineradora de ferro do mundo. E o prêmio de empreendedor mundial do ano para o brasileiro Rubens Menin, da construtora MRV.

SURGE UM PACTO
A Sociedade Defensora criada por Evaristo da Veiga na então capital, Rio – e que atuou para conjurar a crise desencadeada pela Abdicação -, copiava iniciativa surgida em São Paulo. Agora lideranças paulistas acabam de lançar um Pacto pela Democracia, reunindo entidades e personalidades empenhadas em se desviar de radicalismos à esquerda e direita para apontar um rumo dentro da lei e da ordem; projeto acessável pelas redes sociais.

ANÁLISE
Lideranças paranaenses, após conhecerem o manifesto lançado pelos signatários do Pacto (cidadãos, políticos e organizações), avaliam replicar a iniciativa no Paraná. Nesse sentido se encontraram na semana os presidentes do Movimento Pró-Paraná, Marcos Domakoski; do Instituto Democracia e liberdade, Edson Ramon; o ex-ministro Borges da Silveira e o ex-presidente da OAB, José Lúcio Glomb. Estudam posicionamento em apoio à transição democrática no atual ciclo político.

STF DELIMITA
O Supremo adotou posição de obediência estrita à lei (Código de Processo Penal) ao restringir a desenvoltura com que juízes aplicavam a regra de condução coercitiva a pessoas suspeitas de práticas delituosas sem observarem o requisito de intimação prévia descumprida. Essa moderação não afetará a repressão legal aos crimes de qualquer natureza – inclusive os de colarinho branco: vai priorizar as investigações da autoria de delitos.

ANÁLISE
Mesmo porque a disseminação de práticas disfuncionais na esfera política – a corrupção – não é causa mas conseqüência de instituições imperfeitas, sobretudo o sistema de representação proporcional – como apontaram em Curitiba três ministros da corte suprema, sobretudo Luiz Barroso. No voto proporcional – critica Barroso – o eleitor vota não sabendo quem será eleito e o eleito não sabe quem foram seus eleitores –. Daí a tentação de “venda” do voto por pequenos favores; e da compra de apoios por corrupção grossa.

FORUM DIA 26
Será no próximo dia 26, o Fórum Paraná Rumo à 4ª Economia, iniciativa conjunta da API/CEB e da Associação Comercial do Paraná com o Diário da Indústria & Comércio. Haverá exposições do presidente do IPARDES, Julio Suzuki e do vice-presidente do Conselho de Economia, Carlos Magno Bittencourt, mais complementos de Jean Alberini, da Agência Paraná Desenvolvimento e de Carlos Vamberto de Santana, da Federação do Comércio.

ANÁLISE
A iniciativa deve prosseguir com a exploração de oportunidades para o realce da economia paranaense e do seu desenvolvimento sustentável, num esforço de continuidade para interiorizar projetos de investimento, integração de macro-regiões e melhoria dos padrões medidos pelo IDH da nossa sociedade.