FOLHAPRESS – Mensagens trocadas entre diplomatas de Washington e Kiev reveladas nesta sexta-feira (4) mostram mais detalhes da pressão exercida por Donald Trump sobre a Ucrânia a fim de que o governo de Volodimir Zelenski investigasse a família do democrata Joe Biden.
Segundo as mensagens, o presidente dos Estados Unidos só aceitaria receber o mandatário ucraniano na Casa Branca caso ele retomasse a investigação contra os Biden e a anunciasse publicamente.
Ex-vice-presidente de Barack Obama, Joe Biden é um dos principais candidatos democratas à eleição presidencial de 2020, quando Trump tentará reeleição pelo Partido Republicano.
Embora as conversas não contenham menção explícita a Biden, congressistas democratas disseram que o material apresenta uma prova clara de que Trump recorreu à política externa para obter ganhos eleitorais -acusação que é o principal argumento do processo de impeachment contra o republicano.
As mensagens foram entregues aos deputados pelo ex-enviado especial dos EUA à Ucrânia Kurt Volker, que renunciou ao cargo no última dia 27 e que depôs a portas fechadas no Congresso na quinta-feira (3).
Nelas, Volker diz que o presidente ucraniano deveria investigar “o que aconteceu em 2016” para conseguir uma data com Trump em Washington.
Zelenski ainda não foi recebido na Casa Branca e se encontrou com atual presidente dos EUA em Nova York, em setembro, em reunião paralela à Assembleia Geral da ONU.
A Casa Branca, Volker e Gordon Sondland, embaixador dos EUA para a União Europeia, que também teria intermediado o acordo com Zelenski, não comentaram a divulgação das mensagens.