A população brasileira convive com um inimigo criado por setores do próprio povo, a violência urbana. Transitar nos espaços públicos, tanto de dia quanto à noite, tornou-se uma ação perigosa que coloca em risco a vida de crianças, jovens, adultos e idosos. Sem escolher classe social, raça, credo ou outra forma de seleção, a criminalidade segue fazendo suas vítimas por todos os cantos. Os esforços dos governos, geralmente inertes diante da força dos criminosos, não são capazes de diminuir de maneira concreta e duradoura as taxas de homicídios.

A violência, apesar de perseguir a todos, infelizmente atinge mais uns do que outros. Segundo dados do Mapa da Violência 2014, divulgado no ano passado, das 56.337 pessoas vítimas de homicídio no país em 2012, 30.072 eram jovens de 15 a 29 anos. Desse total, 23.160 (77%) eram negros (considerada a soma de pretos e pardos). De acordo com a pesquisa, os homicídios são a principal causa de morte de jovens no Brasil e atingem principalmente jovens negros, moradores das periferias e áreas metropolitanas dos centros urbanos. O estudo mostra também que, de 2002 a 2012, o número de homicídios de jovens brancos caiu 32,3%, e de jovens negros aumentou 32,4%.