Secretário Sciarra, Alexandre Teixeira, Marcelo Cattani e Deonilson Roldo (Foto de Marcelo Cattani: Ricardo Almeida/AEN)

As muitas dificuldades que o Governo do Estado hoje experimenta, com amplas e negativas repercussões na opinião pública, podem acelerar uma possibilidade cada vez mais clara: a necessidade de um nome para ocupar de forma permanente a Secretaria de Estado da Comunicação Social.

A posição é hoje, interinamente, de Deonilson Roldo, secretário chefe do Gabinete do Governador e, na prática, o conselheiro de maior acústica, junto a Beto Richa.

SECRETÁRIO (2)

A crise instalada no Governo, nos últimos dias, fez valorizar, em meios políticos de apoio a Richa, a ideia de a Secretaria de Comunicação Social, sem titular desde a saída de Marcelo Cattani, ser ocupada pelo atual diretor geral da Casa Civil do Governo, o jornalista Alexandre Teixeira. Haveria mesmo um forte movimento pró-Teixeira.

No currículo de Alexandre Teixeira há sua passagem pela Gazeta do Povo, onde foi editor de Automóveis, e também pelo gabinete de Rafael Greca, quando o ex-prefeito era deputado estadual.

Na Gazeta, saiu com boa aceitação dos colegas, sendo tido especialmente como alguém maneiroso, “que não estimula confrontos com as fontes e, muito menos, com colegas de quem divergia na redação”, opinião de uma ex-editora do jornal, que pede seu nome seja omitido.

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“O Alexandre tem outros qualificativos. Um deles: mostrou saber fazer ‘lobby’ em favor de seus eventuais assessorados, com sutileza, e sendo útil a jornalistas que o escutavam, sem cair na esparrela do laudatório tão característico da moçada que compõe as assessorias de imprensa”. A opinião a coluna recolheu ontem de um dos dois jornalistas com quem conversou sobre o perfil de Alexandre Teixeira.

Para o segundo jornalista, cujo trabalho é muito acatado no Estado todo, “o Alexandre Teixeira é uma boa fonte de informação. O que é preciso é que o profissional que a ele recorrer saiba se precaver, evitando de cair na sua ‘rede’, geralmente bem e eficientemente armada”.

Disse ainda o mesmo jornalista – da área de televisão e rádio sobre seus contatos com Teixeira: “Ele, por exemplo, foi assessor do Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo de Curitiba. Suas informações de bastidores rendiam excelentes coberturas, ele sabia o ângulo a aproveitar para vender seu peixe e garantir, ao mesmo tempo, informações precisas à imprensa. Muitas manchetes fizemos a partir de conversas com ele, sempre muito mais importantes que releases institucionais”.

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Teixeira é parte importante do ‘staff’ do secretário chefe da Casa Civil, deputado Eduardo Sciarra. E nunca escondeu – segundo a rádio corredor do Palácio Iguaçu – que tem interesse de ocupar a SECS.

A Secretaria poderá até perder o atual status, é o que se comenta, passando a sua missão a ser exercida por um departamento. Ou na Casa Civil ou no Gabinete do Governador.

De qualquer forma, se Teixeira se declarar abertamente no páreo para ocupar a vaga de Cattani, poderá se acirrar o tratamento distante com que Deonilson e Sciarra se contemplam.

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Por último, mas não menos importante, uma jornalista curitibana ouvida pela coluna, completou o “retrato” de Alexandre Teixeira: “O mais importante é que ele tem acesso aos veículos de comunicação que importam. É acatado sem restrições. Dentre eles, o poderoso GRPCOM”.

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FIM DE DÚVIDAS: FACHIN NO “MAIS FECHADO”

Katia Abreu e Luiz Edson Fachin (Foto da Katia: Pablo Valadares/Agência Senado)

O professor Luiz Edson Fachin, que desperta paixões e defensores acendrados em todas as latitudes e partidos políticos, tem sido acusado de ser defensor do MST e de outros movimentos sociais não exatamente democráticos.

A ministra Katia Abreu, da Agricultura, é, no entanto, o novo e forte ponto de apoio de Fachin, ela mesmo dizendo que também – em certas situações apoiou o MST. Kátia faz campanha pelo paranaense, especialmente na bancada ruralista do Senado. Dizem que conseguiu mudar, pró Fachin, a opinião de Eunício Oliveira (PMDVB/CE).

Afinal, não esquecer que Kátia é presidente licenciada da Confederação Nacional da Agricultura.

2 – ACEITO NO GRACIOSA

Que Fachin é um jurista de todo respeitado, ninguém dúvida. E agora poderão acabar as especulações de que seria um demolidor da burguesia e da aristocracia: há um mês o professor foi admitido como sócio do Graciosa Country Club, considerado o clube mais fechado do Paraná. Reúne a fina flor da chamada alta sociedade, onde predominam empresários do agronegócio.

Os que indicaram Fachin para o Graciosa, no entanto, foram advogados. Um grupo de causídicos de alto coturno.

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OPINIÃO DE VALOR

IGREJA DA INGLATERRA ACABA COM INVESTIMENTOS EM COMBUSTÍVEIS FÓSSEIS ALTAMENTE POLUENTES

 

A Igreja da Inglaterra retirou seu dinheiro investido em dois dos combustíveis fósseis mais poluentes, como parte daquilo que chamou de “sua responsabilidade moral de proteger o mundo dos pobres do impacto do aquecimento global”.

A reportagem é de Adam Vaughan, publicada pelo jornal britânico The Guardian, 30-04-2015. A tradução é de Claudia Sbardelotto.

 

Em uma medida aprovada pelo conselho da Igreja na quinta-feira, foi encerrado o investimento de 12 milhões de libras em areias de alcatrão de petróleo e carvão térmico – a primeira vez que a Igreja impôs restrições de investimento por motivos da mudança climática.

O enorme fundo de investimento da Igreja de cerca de 9 bilhões de libras e a liderança na mudança climática têm como alvo uma campanha global que apela para que as organizações parem de investir em empresas de combustíveis fósseis. Ativistas saudaram a medida, o que eles disseram ser a “extrema unção” para as duas indústrias.

“Essa política está enviando um sinal muito claro sobre os investimentos da Igreja”, disse Edward Mason, diretor de investimentos responsável pelos comissários da Igreja”.

“Essa é uma política muito abrangente, que aspira a colocar a Igreja na vanguarda dos investidores institucionais, destacando a urgência da transição para uma economia de baixo carbono e desempenhando o nosso papel como investidores”.

A política da Igreja da Inglaterra sobre as mudanças climáticas está em vigor desde 2008, mas a nova política, resultado de uma avaliação de dois anos, marca uma postura muito mais ousada e mais intervencionista da Igreja.

Agora, serão excluídos investimentos futuros em quaisquer empresas que tiverem mais de 10% de seu lucro advindo do carvão térmico – utilizado para a geração de eletricidade – e do óleo das areias petrolíferas.

“Empresas como as grandes companhias de petróleo e de gás são importantes participantes no mundo dos negócios e no mundo político, e nós gostaríamos que elas fossem parte de um apelo construtivo para a transição para uma economia de baixo carbono”, disse Mason. A Igreja tem cerca de 101 milhões de libras investidas na Shell e 91,9 milhões na BP.

Mas a Igreja deixou claro que irá encerrar o investimento quando o compromisso não funcionar.

“O compromisso das empresas é algo que vamos levar em consideração para demonstrar o sucesso. Se o envolvimento com as empresas não é produtivo, a política deixa claro que o desinvestimento está lá como um último recurso”, disse Mason.

O cônego e professor Richard Burridge, vice-presidente do grupo de consultoria ética de investimentos, responsável pela revisão, disse: “A Igreja tem uma responsabilidade moral de falar e agir tanto com relação à gestão ambiental quanto com relação à justiça para com os pobres do mundo que são mais vulneráveis à mudança climática”.

Christine Allen, diretora de política e assuntos públicos da organização de caridade Christian Aid, disse que saudava a iniciativa, mas que espera que a Igreja aborde seus investimentos em outros combustíveis fósseis no futuro.

“A Igreja da Inglaterra deu a ‘extrema unção’ para a indústria do carvão e das areias petrolíferas. A mensagem deve ser ouvida alta e claramente: essas indústrias não têm lugar em um futuro sustentável, e, finalmente, outros combustíveis fósseis também não”, disse ela.

Bill McKibben, ambientalista proeminente que já havia criticado a Igreja da Inglaterra por demorar em atender os pedidos do arcebispo emérito anglicano Desmond Tutu em favor do desinvestimento, aplaudiu a nova política.

“Essa é a primeira grande reviravolta na luta pelo desinvestimento, uma instituição que inicialmente se recusou a se mexer e, em seguida, em boa forma cristã, viu a luz”.

“A Igreja da Inglaterra merece muito crédito – ela está avaliando os sinais dos tempos, como diz a Bíblia, e começando a mostrar a sua preocupação com as regiões mais pobres e mais vulneráveis da humanidade e da criação”, disse ele.

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