Através de tecnologias menos invasivas, o paciente tem melhora acentuada nos sintomas

Doença mais recorrente em idosos, o Parkinson tem sido um desafio para os neurocirurgiões em todo o mundo até os dias de hoje. No entanto, com tecnologias como a Gamma Knife – alternativa sem cortes, diferentemente da cirurgia tradicional – têm transformado a forma que a Medicina lida com o tratamento da doença.

“É uma excelente tecnologia, porém ainda restrita na América Latina”, conta Murilo Meneses, vice-presidente do XVIII Congresso da Academia Brasileira de Neurocirurgia (ABNc). O evento aconteceu em Foz do Iguaçu entre 27 e 30 de março, visando debater a neurocirurgia em suas principais instâncias.

Através de tecnologias menos invasivas, o paciente tem melhora acentuada nos sintomas e pode, inclusive, diminuir bastante a medicação. A cirurgia da doença está dentro, segundo Meneses, do que é chamado de neurocirurgia funcional e inclui, também, resolução de males como a epilepsia.

“Parkinson é uma doença que ocorre em cerca de 1% da população mundial e essa porcentagem vai aumentando com a idade: acima dos 65 anos já chega a 1,5%”, detalha. “É uma doença degenerativa e progressiva, cujo tratamento medicamentoso funciona bem nos primeiros anos da doença e, depois de um certo tempo, já passa a ter efeitos colaterais. Nessas circunstâncias pode haver uma boa indicação de cirurgia”.

De acordo com o especialista, as pesquisas mais recentes têm desenvolvido sistemas chamados de neuromodulação: um sistema reversível que, por meio do implante de eletrodos, normalmente um de cada lado do cérebro, funciona como uma espécie de “marca-passo”: envia impulsos que vão inibir ou controlar os núcleos desiquilibrados. Assim, o paciente tem melhora acentuada nos sintomas e podem, inclusive, diminuir bastante a medicação.