Degustação de tainhas pescadas em Guaratuba-Pr, nossa praia, em caldeirada e assada com ovas, iguarias feitas com maestria por minha esposa Evelyn com um vinho branco Albariño espanhol, joia da Galícia trazido por meu filho Guilherme e nora Silvana da Espanha.

A TAINHA, (mugil brasiliensis) espécie pelágica que se alimenta de grandes quantidades de algas, maravilhoso peixe de nosso litoral paranaense, catarinense e gaucho que reina no inverno. Muitos a apreciam, degustam no inverno e não conhecem sua história e que já foi citada até por Hans Staden, viajante e pesquisador alemão em 1557 viajando pelo sul brasileiro fez a primeira descrição de sua pesca e que nada mudou até hoje, citando até a frase dos pescadores “CERCA RAPAZ”, (livro Duas Viagens ao Brasil, Editora Universal S.P.) devido ao sistema usado para pescá-la, mas… de onde vem? É uma espécie que forma grandes cardumes principalmente durante a migração reprodutiva, quando entra nos estuários da Argentina, Uruguai e RGS podendo ir até o Espírito Santo para desovarem. Quando ocorre o resfriamento das águas (onde desembocam os rios Paraná e Uruguai é levada mais ao norte o que traz as tainhas para nossa região. Tem um ciclo de vida frágil à pesca intensa. Vive seu primeiro ano no mar para entrarem nos estuários e lagoas costeiras para serem fecundadas e formarem pequenos juvenis onde crescem e de quatro a seis anos quando atingem a idade adulta com até 40 cms, os machos e fêmeas formam grandes cardumes para empreenderem a grande jornada da desova de abril a julho para a reprodução da espécie. Cada tainha vai desovar 5 milhões de ovas, dependerão do acaso, para serem fecundada. Esta combinação somada a uma mãozinha da natureza, vento sul, água do mar bem fria e temperaturas baixas como as que temos no nosso sul maravilhoso no inverno, trazem a nossa tainha sua safra ou pesca em toneladas, tem batido recordes, ocorre da Argentina à Florida (USA). Sua carne rica em gorduras saudáveis e OMEGA 3, as gônadas (ovas, botargas) e moelas são muito apreciadas, valorizadas e exportadas até para o oriente, sendo responsável por movimentar algo entre 3.5 e l0 milhões de U$D ano.

A PESCA DA TAINHA EM NÚMEROS.

Nosso litoral paranaense neste ano de 2019 viu atrasar a pesca devido a influência na configuração do inverno com as ondas de frio, a demora para aparecerem os cardumes nas praias do Paraná e Santa Catarina, mas mesmo assim no final de julho, em Matinhos Pr., num dia pescaram 05 ton. de tainha, semanas antes, quatro toneladas para a alegria dos pescadores, do comercio e da população que vê na época mais esperada do ano, os negócios florescerem, que festeja a fartura com preços baixos do peixe. Cerca de 80% da sua pesca é artesanal e realizada em Santa Catarina onde é considerada Patrimônio Cultural. Os cardumes saem da Lagoa dos Patos no RS e sua curiosidade é que faz com que os cardumes subam a costa brasileira, rentes a ela onde procuram estuários com águas mais quentes para ali desovarem e voltam para o mar. Só em SC são13 mil pescadores artesães de tainhas e a estimativa é capturar cerca de 02 mil toneladas do precioso peixe. O Brasil tem uma das maiores pescarias de tainhas do planeta e a estimativa é capturar 50% mais a cada ano, desde que a ganância do homem e sua constante procura em destruir nosso planeta não interfira mais no meio ambiente. Para mobilizar-se uma frota industrial de traineiras, além de milhares de pescadores artesanais, que são protegidos por leis especiais, onde o Ministério responsável proíbe a saída das traineiras industriais dias antes da chegada dos cardumes, para a proteção destes pescadores artesanais, como é feito em Itajaí e praias de SC é uma grande operação onde todos se beneficiam. Do ano de 2000 a 2015 os desembarques de peixes registrados da tainha na região sul e sudeste brasileira variam de 02 a 13 mil toneladas /ano de peixe fresco para consumo. Vejam caros leitores (as) a riqueza que há nesta cultura milenar que herdamos até do Império Romano e que conseguimos trazer até hoje graças a sabedoria e observação do homem através dos tempos.

O preparo deste peixe é de várias formas, ao FORNO, NA GRELHA, NA FOLHA DE BANANEIRA, NA TELHA, na CALDEIRADA (vide nossas fotos acima) ou tantas outras maneiras sempre OVADAS (uma iguaria para poucos, nosso caviar). A tainha, pouco lembrada pelos nossos GRANDS CHEFS, mas muito bem feitas por nossos Chefs caseiros em suas churrasqueiras, fornos e fogões como este escriba, ou bares e restaurantes de Curitiba especialmente em nosso litoral, que promovem as grandes festas da TAINHA, Guaratuba, Matinhos, Pontal do Sul, Ilha do Mel, Paranaguá, aceita um tinto leve como PINOT NOIR, GAMAY ou um Carmenére, chileno, um maravilhoso Sauvignon Blanc chileno ou Chardonnais para os fãs do Branco ou Torrontés argentino , uva plantada de 1500 a 3000 mts de altura na região de Salta ou um Albariño espanhol da região da Galícia, Rias Baixa, abençoado por San Tiago de Campostela ao lado, ou Alvarinho português da região do Minho, a uva do emblemático  Vinho Verde português. Ao degustar esta iguaria de peixe com seu vinho

preferido, brinde à tainha pelo tanto que ela contribui para a humanidade nestes séculos alimentado –a e gerando riquezas em especial no nosso sul maravilhoso.

ODE À TAINHA.

Bom proveito a todos neste inverno degustando grandes e maravilhosos vinhos acompanhados de iguarias como a nossa tainha e como cita nosso colega enófilo curitibano Guilherme Rodrigues, “tenho encontrado guarida em brancos fantásticos e tintos inesquecíveis, nada de rótulos grandiosos e caros principalmente nestas épocas. O maior prazer está na simplicidade de bom gosto., SiM, Sou fã deles e cada vez mais encontro vinhos mais bem feitos, definidos e estimulantes SEM furar o bolso. Escolhi uma seara que é difícil decepcionar com preços muito convidativos”. Repitamos uma oração bordalesa (dos habitantes de Bordeaux, França que vi numa parede de uma Adega na França; ‘SENHOR, DAI-ME SAÚDE PARA MUITO TEMPO, TRABALHO NÃO MUITO ASSÍDUO, MAS BORDEAUX, SEMPRE”.  NÃO A PESCA INDISCRIMINADA DA TAINHA, PATRIMONIO CULTURAL DA HUMANIDADE.

AVOE, BRADO DE SAUDAÇÃO Á BACO POR SEUS SÚDITOS..

Osvaldo Nascimento Júniors.: Wine in moderation. Art de Vivre. Advogado,Empresário,Enófilo,Sommelier,Consultor,Palestrante e Colunista de Vinhos, autor do livro sobre vinhos VINUM VITA EST – A HISTÓRIA VISTA PELO VINHO, , um convite ao leitor para um passeio cultural e didático pelo apaixonante universo de Dionísio e Baco. Adquira o seu pelo fone (41) 996889252 ou osvaldo pinheiro@gmail.com – investimento R$ 65,00-