Só falta o martelo

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A ministra Gleisi Hoffmann entende ser cedo ainda para falar-se em eleição. Ela teme que se perca o foco nas ações do governo. Por isso, o martelo não está batido e definição só com o tempo. Ninguém deveria esperar que Gleisi saísse por aí, um ano antes das eleições, dizendo que vai para a disputa custe o que custar. Mas também ninguém duvida que ou ela vai para a luta ou pega uma luneta e procura um outro pretendente pelo PT na sucessão de Beto Richa. O partido não tem candidato à vista, senão Gleisi. Nos últimos três anos tudo foi feito nesse sentido. Só a presidente Dilma Rousseff pode alterar a ordem das coisas: se precisar dela para um hipotético segundo mandato. Até pode, mas o normal é liberar a paranaense para tentar impor a linha petista no Governo do Estado.

Por isso tudo é de se esperar que as eleições no Paraná sejam disputadas por ela e o atual governador. Claro, fala-se e muito no senador Roberto Requião. Mas Requião é candidato sempre. Mesmo que seu nome só seja inserido no contexto para sondar o ambiente, ver no que vai dar. Ele com um trunfo: assim como Gleisi, tem mais quatro anos no Senado. Pode perder a eleição do Governo e sair de braços dados com Gleisi, na mesma situação, e telefonar para Beto Richa cumprimentando-o pela reeleição. Político que deixa uma eleição sem dela participar diretamente perde espaço, acaba permitindo o surgimento de outro e, então, é superado no partido. Gleisi pode deixar de ser. E quem disputaria em seu lugar? Seu marido Paulo Bernardo, ministro do Planejamento e nome já testado em diversas ocasiões. Mas tudo conduz para ela.

Já Roberto Requião, nem pensar. Ou vai para o pleito ou passa o bastão, em definitivo, para o seu ex-amigo Orlando Pessuti, ambos em campos opostos. Hoje, Pessuti e Requião desviam-se, passam para o outro lado da calçada e desejam-se mutuamente um desastre eleitoral. Então, diante do ponto de vista do ex-governador três vezes, ou sai candidato ou, se necessário, até torce contra o seu PMDB – o velho de guerra. Pessuti, mais cordato, talvez não chegue a tanto, mas é bom não convidar os dois para a mesma reunião. Se for para não disputar, Orlando Pessuti tem dois caminhos: ou fica com a bancada que quer Beto Richa ou se garante com a situação federal e vai com Dilma, quer dizer, com Gleisi por aqui.

As mulheres nas eleições, que os homens sempre clamaram a favor, quando lhes interessa, claro, estão iguaizinhas aos homens. E por que não, indagar-se-ia? Aprenderam em casa, cozinhando, isto é, conversando e discutindo os temas e nomes mais interessantes com seus próprios maridos. E quem não os tem, vai pelo que sabem, pelas reuniões familiares, onde muito se aprende.

Daí entender-se porque a sra.  Marina Silva tira o time de campo quando se fala em apoiar Beto Richa. Ocorre que ela tira o que seria o seu partido, a Rede Sustentabilidade. Seus integrantes não precisam se preocupar. Quem está com Beto pode ser o PSB de Eduardo Campos. Ela não. Ela está mais ligada aos programas para as eleições. Aí, então, volta-se à estaca zero: há algum político no país que não saiba desde cedo qual o problema de seu partido, do seu grupo, do aglomerado em que se encontra. Nenhum e nenhuma. Até porque, nem todos dão tanto valor ao programa. Se dessem, não estariam falando tanto nele. E se não sabem o caminho a seguir, estão tergiversando. Precisamos urgente voltar ao tempo do “fio do bigode”. As mulheres, felizmente, não têm a mesma arma, mas, convenhamos, merecem o crédito da palavra empenhada.

* Ayrton Baptista, jornalista