Desembargadores Regina

O desembargador Antonio Loyola tem uma enorme responsabilidade pela frente: apreciar e despachar o mandado de segurança com o que o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, ex-deputado Fábio Camargo, pede sua reintegração ao cargo. Como se sabe, recente decisão da desembargadora Regina Affonso Portes suspendeu-o das funções do TCE, liminarmente.

O grande “coul de sac” que deve estar enfrentando o desembargador Loyola é manter-se absolutamente dentro da exação que se pede de um magistrado.

Isto significa: não se deixar levar nem pelo chamado clamor público – claramente contra Camargo e de condenação à forma como foi conduzida sua eleição ao TCE -, nem, num átimo de tempo sequer, pela ampla, enorme amizade que tem com o pai de Fábio Camargo, o ex-presidente do TJPR, desembargador Clayton Camargo, que sofre processo no STJ e é investigado no Conselho Nacional de Justiça sob acusações várias.

Antonio Loyola

A amizade do desembargador Loyola pode ser aferida – não fossem notórias suas ligações fraternas com o desembargador Clayton Camargo – apenas examinado um dado eloquente: foi dele o discurso caloroso, em nome de seus pares, saudando Clayton quando de sua eleição para a Presidência do TJPr.

A fala foi um protesto público de amizade e respeito, acentuando a ligação que une Loyola e Clayton.

O discurso de Loyola foi de ampla e irrestrita exaltação a laços fraternos que o une à família Camargo, além do imenso respeito à cultura jurídica de Clayton.

Olhada assim, sem firulas, a questão poderia ser traduzida em linguagem do dia a dia como “autêntica sinuca de bico”.

Ninguém gostaria de estar no lugar do desembargador Antonio  Loyola.

TRAVESSAS & TRAVESSIAS

Tânia Buchmann

Partes do mundo inteligente e do enorme universo de amigos de Carlos Alberto Pessoa, Tânia Buchmann e Charly Techio estarão reunidos nesta segunda-feira, a partir das 19horas, no MON, para o lançamento do livro “Travessas e Travessias”.

Os textos de Pessoa ganham nova dimensão com as fotos das duas craques, Tânia e Charly.

A apresentação é feita por outros dois craques, que dispensam maiores apresentações: Jaime Lerner e Fábio Campana.

CARTAS

(correspondências para a coluna: aroldo@cienciaefe.org.br)

O TEATRO ALEMÃO EM CURITIBA

Aroldo :

Paulo Soethe, prof. da UFPR, pesquisador, escritor.

Venho informá-lo da abertura da exposição “Independente! Um palco alemão em Curitiba”, sobre o Grupo de Teatro Independente, que encenou diversas peças em alemão e português na cidade entre 1948 e 1961. Também venho convidá-lo pessoalmente para a abertura, que muito nos honraria!

Na abertura haverá ainda o lançamento do catálogo, com participação de Fernanda Baukat, pesquisadora que concebeu a exposição a partir de sua dissertação de mestrado sobre o tema, e seus professores na UFPR: Walter Lima Torres Neto, orientador de mestrado, e Paulo Astor Soethe, orientador de iniciação científica.

Paulo Soethe, UFPR, Curitiba.

O TEATRO ALEMÃO (2)

Caro Soethe:

Cartaz da exposição ‘Independente”

Nada mais oportuno do que essa mostra enfocando o Grupo de Teatro Independente. Digo isso porque acredito que, embora a enorme contribuição da etnia germânica a Curitiba, sobretudo ‘apressando’ a modernidade que pelos alemães foi chegando no final do século 19 e começo do século 20, nossos ancestrais germânicos quase sempre são associados a tristes páginas, como o nazismo.

Poucas são as imersões, na história das etnias que aqui chegaram, fazendo justiça ao papel dos germânicos.

Eles foram excepcionais civilizadores.

Bastam poucas citações para reforçar a assertiva, como lembrar a Escola Alemã, depois o Colégio Bom Jesus (fundado por frades franciscanos alemães); o Clube Concórdia  (infelizmente tragado por uma absorção incompreensível por outro clube); a música clássica, o canto coral, a influência nas artes plásticas; e que dizer do envolvimento dos alemães com práticas saudáveis, num processo pedagógico registrado em clubes de ginástica, assim como a notória importância que os germânicos foram implantando e transferindo às novas gerações no tocante à preservação do ecossistema?

Os grandes educadores da etnia, em Curitiba, ainda não foram suficientemente registrados em seus papéis.

Enfim, os alemães, para usar uma expressão-clichê, “precisam ter seu papel resgatado” entre nós. A exposição do Grupo Independente é um passo importante.

Aroldo Murá G.Haygert

UNDERWEAR COM AROMA

Só o quê faltava: já estão no mercado cuecas aromatizadas. E com aromas bem brasileiros, segundo informa a agência de Comunicação paulista Attitude em trecho de noticiário:

“As underwears aromatizadas da Upman, marca intima masculina, retratam a brasilidade aliando conforto e bem estar nos modelos boxer em cotton com as essências que são a cara do Brasil: frutas cítricas e café. A tecnologia utilizada para aplicação do aroma é a nanotecnologia, que permite colocar o perfume dentro das fibras do tecido através de microcápsulas que se rompem no atrito com a pele, liberando a essência.”

OPINIÃO DE VALOR

KENNEDY 50 ANOS DEPOIS

Antenor Demeterco Junior (*)

O crime de Dallas ainda implica em desconfianças sobre sua autoria intelectual.

Se o atirador agiu só ou integrou uma conspiração maior, constitui

uma pergunta cuja resposta, lamentavelmente, continua em aberto.

John Kennedy

O governo Kennedy teve como um dos focos principais, o enfrentamento ao crime organizado, que havia se infiltrado nas instituições americanas.

O pai do presidente assassinado tinha contatos com setores sinistros, pois enriqueceu nos tempos da lei seca, traficando com bebidas alcoólicas, e mobilizou, posteriormente, os mesmos para eleger o filho, obtendo uma vitória esmagadora na cidade de Chicago (“Irmãos” p. 205 de David Talbot ).

Aqui já aparece o nome de Sam Giancana, o chefão local.

Este personagem era envolvido com uma mulher de nome Judy Campbell que, “coincidentemente”, frequentava a cama presidencial.

A colaboração eleitoral da Máfia, não pode ser encarada como gratuita.

A mão pesada do governo Kennedy, posteriormente, não foi grata, e atingiu mafiosos como Jimmy Hoffa e Carlos Marcello.

David Talbot

O primeiro, líder sindical dos caminhoneiros, manipulou o fundo de pensão destes e virou banqueiro de mafiosos (“Irmãos”, p. 186).

O segundo, mafioso de Nova Orleans e Dallas (a cidade do crime), relacionado com o endinheirado Jimmy Hoffa, ameaçado de expulsão do país, teria afirmado categoricamente: “Como se diz na Sicília: quando quiser matar um cão, não lhe corte o rabo; corte – lhe a cabeça. Se lhe cortar só o rabo, o cão vai continuar mordendo você” (“Irmãos” p. 186).

POBRE PRESIDENTE KENNEDY

Ao primeiro são atribuídas as seguintes propostas com relação ao irmão Robert Kennedy: eliminá-lo incendiando sua casa ou “com um rifle de longo alcance enquanto ele dirigia seu conversível” (“Irmãos”, p.184).

Jack Ruby

Verdade esta, que Robert Kennedy e a viúva Jaqueline acreditavam, segundo consta, de que o crime foi ação de uma conspiração doméstica (“ibidem”, p.58).

A Máfia e a CIA, apoiadas por refugiados cubanos, tinham particular interesse no assassinato ou derrubada do ditador comunista Fidel Castro.

O presidente, ao negar apoio aéreo à fracassada invasão da ilha (“Baía dos Porcos”, em 18.04.1961), ganhou o ódio dos interessados.

Os cassinos da Cuba de outrora, dos tempos do ditador Batista, ainda despertavam a cobiça da Máfia.

O “barbudo” era o empecilho, e sua remoção era necessária.

Kennedy era um pacifista, e assinou o primeiro grande acordo de desarmamento da Guerra Fria: o Tratado sobre Proibição Parcial de Testes Nucleares.

Quando morreu, Khruchov desabou e chorou (“Irmãos” p.60).

O Chamado “complexo industrial – militar” americano não apoiava as iniciativas pacifistas e não rendosas do jovem presidente.

Não era ele estimado entre os generais belicistas de suas Forças Armadas.

Chama a atenção o fato do criminoso Lee Harvey Oswald, ter sido assassinado por um mafioso menor, de nome Jack Rubenstein, que o conhecia (“Irmãos” p. 447).

Este indivíduo teria recebido após o crime, um pacote de dinheiro de um sócio de Jimmy Hoffa, como consta de um relatório do FBI datado de 24.11.1963.

Este último morreria três anos depois, acometido de câncer.

Esta possível queima de arquivo, mais o meio século transcorrido do fato, sepultaram de vez uma investigação isenta.

Ruby teria participado de subornos que salvaram o pelo do mafioso Santo Trafficante das garras de Fidel Castro.

A CIA teria entregue “rifles de longo alcance” para o mafioso Johnny Roselli, que os repassou a exilados cubanos (“Irmãos”, p.169-170).

OBJETIVARAM ESTES, O FIM DE FIDEL CASTRO

O número de atiradores que atingiram Kennedy não mereceu um esclarecimento convincente: a filmagem do momento deste episódio, evidenciou a ação de mais de um assassino, flagrando ainda, que os tiros partiram tanto da frente, quanto de trás da limousine presidencial (“ibidem” p. 361).

O livro do jornalista David Talbot, muito bem documentado, concluiu que teorias conspiratórias do assassinato não podem ser simplesmente descartadas.

O governo americano e a própria família Kennedy (Robert foi assassinado), desde o início, parece que não se interessaram pelo aprofundamento das investigações.

Mais uma pérola que não está no livro de David Talbot: Julia Ann Mercer declarou ter visto Jack Ruby e um homem jovem próximos ao local do crime.

Depois negou tal declaração…

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(*) desembargador do TJPR; escritor, pesquisador de temas históricos.

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