O volume de serviços do Brasil foi pressionado pela atividade de informação e comunicação em março e quebrou uma sequência de dois trimestres positivos com contração nos três primeiros meses deste ano, ampliando o cenário de economia fraca no início de 2019.
Em março, o volume do setor apresentou perda de 0,7% em relação ao mês anterior, informou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta terça-feira (14). Esse é o pior resultado para o mês desde 2017, quando o recuo foi de 3,2%.
Com isso, o primeiro trimestre encerrou com contração de 0,6% sobre os três meses anteriores, depois de ganhos de 1% e 0,6%, respectivamente, nos terceiro e quarto trimestres de 2018.
Na comparação com março de 2018, houve queda de 2,3%, a mais forte desde maio de 2018 (-3,8%).
As expectativas em pesquisa da Reuters eram de recuos de 0,1% na comparação mensal e de 0,8% na base anual.
O setor de serviços vem mostrando dificuldades em apresentar uma recuperação contínua em um ambiente de desemprego elevado, e acompanha os resultados fracos já vistos na indústria e no setor de varejo.
“Por trás disso tudo tem uma economia lenta, com deterioração nas expectativas de empresários e com projeções cada vez menores para o crescimento do PIB”, afirmou o gerente da pesquisa, Rodrigo Lobo.
“O poder público está sem fôlego para investir e o setor privado não está compensando e preenchendo essa lacuna. A nova aposta para uma abertura de portas aos investimentos e para a atividade econômica é a aprovação da reforma da Previdência, mas quem garante que isso vai realmente acontecer?”, completou.
O IBGE informou que em março três das cinco atividades apresentaram quedas, com destaque para o recuo de 1,7% em serviços de informação e comunicação. O volume de serviços profissionais, administrativos e complementares caiu 0,1% e o de outros serviços contraiu 0,2%.
Na outra ponta, serviços prestados às famílias aumentaram 1,4%, enquanto transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio tiveram ganhos de 0,5%. Entretanto, o transporte terrestre teve queda de 1,9% no mês, também pesando sobre o resultado.
“Telecomunicações é uma devolução de altas do fim do ano passado e, no caso dos transportes, é reflexo de uma economia lenta e com baixo dinamismo”, explicou Lobo.
Em uma economia com mais de 13 milhões de desempregados e desalento recorde, as expectativas para o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) vêm sofrendo sucessivas reduções.
A pesquisa Focus mais recente do Banco Central mostrou que a projeção mais atual é de uma expansão de 1,45% este ano, indo a 2,5% em 2020.