Nesta sexta-feira, 1º de novembro, às 19h30, na Biblioteca do Senai da cidade de Telêmaco Borba, acontece o lançamento do livro: Sepultados em Harmonia, do jornalista Ulisses Iarochinski.

O livro, de 282 páginas, conta a história do cemitério de Harmonia, na Fazenda Monte Alegre, município de Telêmaco Borba. No cemitério, criado em 1944, foram sepultados 4.872 corpos, em sua maioria, trabalhadores das Indústrias Klabin do Paraná.

O autor do livro, nascido em Harmonia, tem onze familiares sepultados no local. Entre eles, seu pai, assassinado na Vila Operária, com 24 anos de idade recém completados. O assassino, que nunca foi encontrado, julgado e condenado, dois meses depois do crime, enviou carta para a esposa, interceptada pela polícia, confessando a autoria.

Distante cerca de 6 km do centro da Vila Harmonia – sede da Indústria -, o cemitério ocupava na época de sua abertura uma área de 76 metros de frente por 52 metros de fundo. Ao longo do tempo, recebeu duas ampliações. Nos livros tombo do cemitério, entre os registros, estão os nomes de 564 natimortos e 53 bebês prematuros.

Segundo Leonel Brizola Monastirsky, coordenador do Laboratório de Geografia Humana do Departamento de Geociências da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), e que assina o prefácio do livro, “muitos dos túmulos são antigos e já não existem mais restos a serem transferidos, sobrando apenas o caráter simbólico do local para visitação e para o cerimonial (oração, flores, velas, cuidado como túmulo etc); por ser antigo o cemitério apresenta uma estética singular com características peculiares; e tem um valor histórico e cultural imenso, que faz com que ele deva ser preservado”.

O livro traz a história do local e a transcrição na íntegra dos registros de todos os livros tombos. Mostra o perfil de 50 pessoas ali sepultadas, além de informações importantes como o número de mortos com mais de 100 anos de idade, a quantidade de vítimas de assassinatos, as cidades de origem e países. São registros que permitiram demonstrar aspectos sociológicos e étnicos das pessoas que foram enterradas ali.

O cemitério, que como ficou demonstrado nas audiências do Ministério Público, que definiu pelo seu “Não Fechamento”, é um patrimônio não só do município, mas também da região dos Campos Gerais e do próprio Paraná.

O lançamento é mundial, na plataforma da amazon.com, onde o livro estará disponível para aquisição.E Iarochinski espera que com as vendas online possa imprimir a obra no formato tradicional de livros: “Mas para isso preciso de patrocínio, o qual foi tentado nos últimos meses sem sucesso. Não surgiu nenhuma editora, empresa ou órgão público disposto a contribuir com a cultura e as lembranças históricas de pessoas que tornaram possível a existência do município de Telêmaco Borba. Quem sabe, com essa versão online, o livro possa ser impresso”.

Ulisses Iarochinski também é autor dos livros “Saga dos Polacos – a história da Polônia e seus emigrantes no Brasil”, “Polaco – identidade cultural do brasileiro descendente de imigrantes da Polônia”, “Revelando o Contestado – imagens do mais sangrento conflito social do Brasil nas lentes do sueco Claro Jansson”, “Escrevendo para falar no rádio” e “Cruz Machado – lenda virou história”. No cinema, já produziu e dirigiu mais de 15 documentários, sendo quatro longas-metragens.

É jornalista, radialista, historiador, professor, ator e cineasta. Fez Eletricidade no Senai – Telêmaco Borba, Telecomunicações no antigo CEFET–PR, jornalismo na Universidade Federal do Paraná, especialização em rádio e TV na Universidade Complutense de Madrid – Espanha e gestão em trânsito na Universidade de Linkoping – Suécia, além de mestrado em Cultura e doutorado em História, na Uniwersytet Jagiellonski de Cracóvia, Polônia.