O adoecimento mental pode estar relacionado aos fatores psicossociais e organizacionais no trabalho. A Organização Mundial da Saúde (OMS) definiu, já em 1984, os riscos psicossociais como aspectos relacionados à organização, conteúdo e desempenho do trabalho que podem afetar o bem-estar e a saúde do trabalhador.

Evidencia-se assim que, quando as demandas do trabalho não se adaptam às necessidades, expectativas ou habilidades do trabalhador, existem situações de risco, com possíveis consequências para as pessoas e para a organização.

Estudos mostram que a exposição a fatores psicossociais adversos no ambiente de trabalho provoca estresse mental, que, se mantido ao longo do tempo, aumenta o risco de doença cardiovascular psicológica, músculo-esquelética e gastrointestinal, entre outras, o que eleva também o absentismo, a agitação laboral e as saídas voluntárias da empresa.

Esses desequilíbrios entre o profissional e seu ambiente têm sido relacionados ao burnout e à insatisfação no trabalho. Quanto maior a distância entre a pessoa e seu trabalho, o que envolve falta de cumprimento das expectativas, falta de apoio e conflitos de papéis, entre outros fatores, maior é a probabilidade do aparecimento de burnout.

Pesquisas na área da Medicina do Trabalho, portanto, levam a concluir que é necessário considerar os fatores psicossociais e organizacionais envolvidos no trabalho no Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO).

As recomendações para melhorar o ambiente de trabalho e a relação das pessoas com ele inclui, por exemplo, uma avaliação ergonômica com profissional habilitado, como o ergonomista, que abordará os diversos domínios da área, que envolvem aspectos físicos, cognitivos e organizacionais.

Para estas avaliações o profissional poderá utilizar ferramentas e questionários que se apliquem a realidade do local avaliado. Um exemplo de ferramenta indicadora de fatores psicossociais desencadeantes de estresse no trabalho é o Health Safety Executive – Indicator Tool (HSE-IT), o qual já foi validado para o português.

Fontes
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X2018001105011&lang=pt

https://apmtsp.org.br/enquete-saude-mental-x-doenca-ocupacional/

A médica Flávia Souza e Silva de Almeida é Mestre em Saúde Coletiva pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, onde é Vice-Coordenadora do Curso de Especialização em Medicina do Trabalho. Informações e inscrições: http://www.fcmsantacasasp.edu.br/medicina-do-trabalho/