*Por Julyana Andrade Vieira Caporal

O Brasil é líder mundial no número de pessoas com algum tipo de transtorno de ansiedade, estima-se que atinja mais de 260 milhões de pessoas. Esse é o problema mais frequente entre as doenças que afetam a saúde mental, atingindo cerca de 9% da população brasileira, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). A taxa é três vezes maior do que a média mundial.

Entre os trabalhadores, 90% apresentam algum sintoma de ansiedade, conforme pesquisa da International Stress Management Association (Isma – Brasil). Com esses números, não é difícil entender o porquê de o Brasil listar entre os países que mais têm casos de colaboradores afastados por causa de doenças emocionais, de acordo com a Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Cuidar da saúde do trabalhador é fundamental em qualquer ambiente corporativo, pois há inúmeros agentes exercendo pressão sobre as pessoas. Alguns podem ser relevados e atenuados, outros, entretanto, geram desgastes psicológico, o que impacta diretamente no relacionamento e no papel profissional.

Desta forma, se a pessoa não recebe uma orientação direcionada ou não busca ajuda, o problema pode desencadear uma série de outras patologias como depressão, Síndrome de Burnout, crises de estresses e, até mesmo, problemas relacionados ao consumo de álcool e drogas.

Para se ter ideia, segundo dados do Governo Federal, as doenças mentais são a terceira maior causa de afastamento do trabalho por parte dos brasileiros.

O impacto desse absenteísmo também tem resultado no ambiente como um todo, já que a falta de um colaborador em tratamento acaba sobrecarregando outros profissionais que precisam suprir essa mão de obra. No fim, a conta acaba sendo alta para todas as partes.

Para o indivíduo, o afastamento das atividades pode trazer uma sobrecarga ainda maior, afetando não só questões profissionais, mas também o relacionamento com a família, sem mencionar fatores financeiros. Por isso, em muitos casos, mesmo se sentindo sobrecarregado, o profissional não procura ajuda especializada e continua trabalhando.

O efeito disso também é percebido pela empresa que passa a arcar com os altos custos de despesas médicas, entre outros fatores, como a baixa qualidade de serviço, atritos entre funcionários, alto absenteísmo e dificuldade em reter talentos.

Como as pessoas permanecem uma parcela significativa do seu tempo no ambiente de trabalho, é cada vez mais importante que as empresas percebam o papel que possuem no sentido de atuar na prevenção das doenças mentais.

Nesse sentido, o maior desafio para as corporações deve ser o de investir numa cultura organizacional que de fato seja focada nas pessoas. É preciso pensar no capital humano para que o resultado do trabalho não afete a saúde do trabalhador.

Com essa premissa, existem no mercado empresas especializadas em elaborar programas focados nos cuidados com a saúde emocional. As ações podem ser desde o desenvolvimento de ciclo de palestras, com temas relacionados, até plataformas de psicoterapia online que permitem acesso a tratamentos especializados e regulamentados pelo Concelho Federal de Psicologia.

Além desses modelos, programas focados na qualidade de vida dos colaboradores também são uma alternativa e trazem resultados positivos para o equilíbrio mental. Nesse caso, vale destacar ações que estimulem hábitos saudáveis, como a prática de exercícios físicos e o incentivo a uma alimentação balanceada e ainda programas de prevenção ao consumo de álcool e de outras drogas.

Todas essas ações vão tornar o ambiente de trabalho mais acolhedor e estimular os indivíduos a manterem o bem-estar em dia. Isso vai impactar diretamente no desempenho profissional e contribuir com os desafios de negócio da empresa.

 

*Julyana Andrade Vieira Caporal é gerente da Implus Care e especialista em programas corporativos de Prevenção e Qualidade de Vida