As Cidades Invisíveis, peça inspirada  na obra de Ítalo Calvino, teve sua estreia agendada para esta sexta-feira transferida para outra data e local. Motivo alegado pela produção do Agora Coletivo: a Sanepar, em cuja área haveria a encenação, cancelou a cessão do espaço em cima da hora. O grupo teatral, visando obter uma justificativa formal protocolou na quarta-feira 24, uma notificação extrajudicial, perante a da companhia de saneamento do Paraná, expondo os transtornos decorrentes do cancelamento.

“O rompimento injustificado do apoio da Sanepar causou ao projeto prejuízos financeiros, inclusive de recursos públicos. Isso sem falar nos prejuízos artísticos. A peça foi elaborada para compor com os diferentes espaços do Museu. Agora estamos trabalhando dobrado para adaptar o trabalho para dentro do teatro”, lamenta Renato Sbardelotto, diretor do espetáculo.

Ele observa que o grupo já vinha trabalhando no Museu do Saneamento há mais de um mês e realizou grande parte da composição dramatúrgica e cênica especificamente para o local. A peça aconteceria em uma trajetória pelo reservatório de água desativado e seu entorno. A empresa, no entanto, não explicou o cancelando, sabendo apenas que “as motivações eram internas”.

A Sanepar cancela o espetáculo em seus espaços embora o projeto tenha sido aprovado pelo Programa de Apoio e Incentivo à Cultura da Fundação Cultural de Curitiba/Prefeitura (Divesa e Banco do Brasil). Agora, a peça está se adequando ao Teatro Cleon Jacques, onde estreia em 10 de maio e fica em cartaz por três semanas.

As Cidades Invisíveis traça uma narrativa que beira a linguagem dos sonhos, com imagens misteriosas, enigmáticas, e faz uma analogia entre as “cidades” e as atrizes que formam o elenco do trabalho. Inspirada na personalidade de cada uma delas, a peça é uma trajetória por suas histórias autobiográficas.

O processo teve como ponto de partida o livro homônimo de Ítalo Calvino (19235-1985) e caminhadas por ruas do centro histórico de Curitiba. A noção de “território” como identidade e de “corpo” como território delineia um discurso que transita entre as ideias de vida e morte, viagem e morada, convite e expulsão, invasão e acolhimento.

Adianta o diretor que o roteiro desenvolve uma linha narrativa onírica e singular: relatos autobiográficos, algumas digressões que carregam nuances de comicidade, crítica, ironia e também composições dramatúrgicas e visuais que podem sensibilizar o espectador em outros níveis. A peça “chama o espectador para atos de reflexão a partir de suas memórias, a fim de que perceba a complexidade das cidades que crescem dentro de cada um”.

Agende-se: estreia em 10 de março no Teatro Cleon Jaques/Parque São Lourenço. Em cartaz sextas, sábados, domingos e segundas às 20h. Sextas e segundas também às 10h. Sábados e domingos também às 16h. Entrada Franca. Limite de 40 pessoas por sessão.

Realização do Agora Coletivo em parceria com a Híbrido Produções e Plateia Produções Artísticas.