Salve-se quem puder

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Ayrton Baptista*

A última pesquisa feita no Paraná para a presidência da Republica já está por completar uma semana. Feita pelo Instituto Datafolha, ouviram-se 1.333 eleitores em 51 cidades. Foram nos dias 25 e 26 de setembro, Dilma sustenta a primeira colocação, com 33%. Aécio supera Marina, com 27% ele, 24% ela. Até o final da semana, entretanto, muita água pode correr e os tucanos esperam que o Paraná ajude Aécio Neves a superar Marina Silva e, assim, disputar apenas com Dilma Rousseff num hipotético segundo turno.

Marina foi lançada há poucos dias após a morte de Eduardo Campos, despontando como o nome esperado para evitar uma nova disputa entre PT e PSDB. O PT, porém, se encarregou de dar partida à campanha pela desconstrução de Marina e sua humilde aparência. Não demorou e Aécio seguiu o PT e Dilma, dando sua contribuição para impedir a presença de Marina no turno principal.

No plano nacional, até o momento em que este artigo é escrito, a ordem continua a mesma, Dilma, Marina, Aécio. Ora, quando se esperava ou uma vitória de Dilma no primeiro turno, ou uma disputa dias após contra Aécio, ocorreu à tragédia com o ex-governador de Pernambuco. O panorama mudou. Com pena do acontecido, o eleitor foi direto para Marina, que já conquistara em 2010 mais de 20 milhões de votos. Falta a Marina, entretanto, estrutura partidária que lhe desse sustentação por todo o país, o que tanto PT como PSDB têm.
Isso tudo não nos leva a ver Marina derrotada. Nem Aécio já no 2º turno. Tudo pode acontecer, até Dilma vencer no primeiro ou Aécio lhe fazer companhia na disputa final. Ressalta-se, porém, que nunca dantes se formara nas disputas presidenciais um trio como este para firmar a disputa pelo que já se chamou de “curul” presidencial. Na verdade, é um trio muito fraco no conjunto. Como Aécio teve uma escola privilegiada, secretário particular do avô Tancredo Neves, ele leva uma vantagem ao se manifestar em programas de governo e atuação futura.

As duas mulheres, porém, com a devida licença das eleitoras que nos honram com a leitura destas observações, não estavam, não estão e não devem estar em condições de exercer a presidência por onde passaram figuras como Getulio Vargas e Fernando Henrique Cardoso, para citar dois dos mais inteligentes membros da política brasileira.

Há dias, no Bom dia Brasil da Rede Globo, Dilma Rousseff mostrou sua irritação diante das perguntas que jornalistas como Miriam Leitão e seus companheiros de bancada forçaram, interrompendo a presidente-candidata, que tergiversava e impedia as perguntas renovadoras. Dilma transpirou raiva, nada surpreendente do que se diz de sua brabeza para com seus auxiliares de Ministério. Os entrevistadores não foram de forma alguma imprudentes como os ancoras do “Jornal Nacional”. Mais uma ou outra entrevista sob a batuta de William Bonner e Patrícia Poeta e Dilma seria reeleita face ao massacre à que estava sendo submetida. Marina e Aécio passaram pelos mesmos dissabores.

Claro que as perguntas procediam, mas a agressividade poderia ser refreada, já que há maneiras e maneiras de se encaminhar uma entrevista, ainda que não se permita seja a bola levantada para o chute do entrevistado (a).

Estamos há dias primeiro turno. Neymar não está em campo. Fiquemos com o que nos impingiram. E felicidades gerais.
*Ayrton Baptista, jornalista.