SALUT CHAMPAGNE.  BOAS FESTAS.

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Osvaldo Nascimento Júniors.:

Fim de ano, mais uma vitória em nossas vidas, tudo é alegria e tem de ser celebrado. E nada como bem comemorarmos as vitórias e principalmente por estarmos todos juntos com saúde, força e união, com as graças de Deus, com um brinde numa flute de Champagne, ou espumante, acompanhantes de todas as horas, nos bons momentos da vida, com inebriante frescor, assim como uma obra de arte, podem proporcionar um mosaico de sensações. São sinônimos de charme, de alegria, de convívio, de bons presságios, de versatilidade e sedução. O estampido seco libera as borbulhas adormecidas e convida ao primeiro brinde. Despejar o líquido na flute e acompanhar suas paredes suarem, tem efeito persuasivo.  É refrescante até no olhar. E nada melhor que dedicarmos estas linhas em homenagem a este líquido cuja palavra é a mesma em todos os idiomas, de Paris à Tóquio e, simboliza para a maioria das culturas ocidentais a alegria e o sucesso. Sua história remonta à região de Champagne/Ardenne, a pátria desta bebida incomparável, sediada pela histórica cidade de Reims. Pouco visitada por brasileiros, mais pelos que viajam de carro pela Europa, creio a melhor opção de conhecê-la, como foi nosso caso Andarilho do Mundo Vínico (Wineglobetrotter), situa-se na fronteira com a Bélgica,  norte de Paris, a duas horas de carro da capital francesa, que além da beleza da paisagem, suas rodovias tanto francesas como belgas, são de fato de primeiro mundo. Reims, com mais de duzentos mil habitantes, tem um passado histórico e heróico. Foi palco de guerras devastadoras como a Franco-prussiana em 1870, e a primeira grande guerra mundial. Ali foi assinada também a Rendição da Alemanha em 1945, episódio que   pos fim à segunda guerra mundial. Antiga capital da tribo dos Remos (Reims, pronuncia-se Rans), foi a capital da província da Bélgica durante o Império Romano (sempre o grande Império ) quando então chamava-se DUROCORTORUM. Após uma longa história de tradições, a partir do Sec.XI (11), os reis franceses ali começaram a serem coroados, num total de 25 monarcas, na maravilhosa Basílica de Saint Remi, ali enterrado, aliás uma das atrações de Reims, somente atrás  desta Catedral, uma jóia da arte gótica, que com 2.300 estátuas, faz de Notre Dame, uma das mais perfeitas do mundo na terra de Champagne/Ardenne. Tem uma história interessante, aliás, foi a História que foi feita pelo Vinho, como dizemos em nossas palestras e título de nosso livro,  mais uma vez, não foge a regra. Numa Abadia do Século XVII(17), em Hautuillers, França, em 1668 o monge beneditino DOM PERIGNON ( queremos abrir um parêntese para explicar que a Igreja Católica, devido ao ritual da consagração nas missas, foi uma grande difusora de parreirais em toda a Europa, e no mundo, sempre havendo nas Abadias e Mosteiros o cultivo da uva para esta finalidade) formulou o que seria a bebida perfeita. De espírito curioso e empreendedor, descobriu a forma de transformar o vinho comum em espumante, o método Champenoise, processos de fermentação dupla que origina a característica borbulhante (perlages) e ainda mais importante, uma maneira de acondicioná-la para que o gás não se perdesse.  Não bastasse essa revolução no mundo vínico, o monge é responsável também pela criação da taça flute (flauta em francês), da garrafa e da rolha especial para o vinho, e também da técnica de misturar diferentes uvas a “ASSEMBLAGE”. Por isso o Champagne é o único grande vinho do mundo, ao qual se atribui um inventor, tornando-se o primeiro enólogo ( o que faz o vinho, enófilo, o que estuda, como nós) reconhecido, com direito a estar presente num dos maravilhosos vitrais da Catedral de Reims, onde elabora o vinho espumante  famoso. Conta-se que após inventar o Champagne, o próprio teria dito a célebre frase:

VENHAM TODOS VER, ESTOU BEBENDO ESTRELAS”.

Tudo isto podemos constatar no Museu criado em sua homenagem, na Abadia de Hautvillers, visitada por nós quando de nossa visita à Reims.

O Champagne mais comum é o Brüt (seco), formado pela reunião de vinhos de três uvas (assemblage), Chardonnay, Pinot Noir (a grande uva tinta da Borgonha) e a Pinot Meiner, oriundas das diferentes propriedades, frações de solo hierarquizadas, mas pode aceitar mais uvas, como acontece com o grande espumante sul africano DESIDERIO, considerado o melhor do mundo, feito igual ao Champagne, que reúne 07 tipos de uva. Os amantes do vinho definem o epicentro de sua produção, como o triângulo sagrado da região, formado pelas cidades de Epernay, Reims e Chalôs-en-Champagne. Fora dali, inclusive em outras regiões da França, a classificação é cremant, e alguns países tradicionais produtores do líquido são conhecidos por outros nomes, como a Itália, que já é o terceiro produtor do mundo, e seus principais espumantes são o Asti (doce), o Prosecco, o Franciorta e o Trento. Prosecco é o nome de uma uva branca aromática típica do noroeste italiano, no Vêneto , e já vem povoando as mesas de quase todo o mundo. Na Espanha, o espumante típico é chamado de Cava. Produzido pelo método tradicional (champenoise) na Catalunha, grande parte é produzida na Denominação de Origem Penedès, onde as uvas brancas responsáveis pela Cava, Parellada, Macabeu, Xarel-lo e Chardonnay ocupam 80% dos vinhedos. Consolidada em l970, a Cava recebeu ainda a Chardonnay como parte de sua composição a partir de 1986 e a Codorniu. Como vocês viram estes países procuram produzir seus produtos com uvas autócnes (uvas próprias das regiões), quase não necessitando das básicas uvas francesas.

Aí chegamos aos prestigiosos Cuvées, os famosos como La Grande Dame, Dom Perignon, a favorita do guerreiro Paul Rogel, Cuvée Winston Churchil e a Cystal, feita em garrafas de cristal, preferida pela nobreza européia, inclusive do Czar Nicolau II, que conta a história, esperou Lenine e seu destino, na revolução russa, em seu escritório no Palácio, degustando-a. Aqui citamos nosso mestre vínico e enólogo curitibano Luís Groff que lembra com propriedade em seu livro VINUM VITA EST, que recomendo, “ E a lenda sublime das taças de Champagne? Este líquido borbulhante como todo grande vinho, talvez devesse ser bebido de joelhos. Mas, nesse mundo ímpio, é bebido prosaicamente como um vinho qualquer, sem nenhuma cerimônia ou respeito. Muitos se recordam de que na Belle Époque, (muito bem retratada nos romances de F. Scott Fitzegerald  levados aos cinema  O Grande Gatsby e Suave é a Noite) aconselhava-se  bebê-lo no sapato da mulher amada…”

Grandes marcas hoje são degustadas em todo o mundo como Moet Chandon Brüt, Mumm, Cordon Rouge Brüt,e a grande Veuve  Clicquot, Brüt e Demi sec.  Citamos  também a Moutard, cuja produção combina  eficiência tecnológica e cuidado artesanal. A família Moutard produz vinhos desde 1640 e hoje a vinícola está sob os cuidados do extraordinário enólogo François Moutard. É a única casa que produz um Champagne com seis tipos de uvas, uma raridade que expressa toda a tipicidade do “terroir”.

A produção de vinhos espumantes vem sendo ampliada no Brasil, especialmente no Rio Grande do Sul, no maravilhoso Vale dos Vinhedos.  O aperfeiçoamento das técnicas de cultivo na parreira, a eleição das uvas, as zonas de produção e o desempenho tecnológico da indústria de espumantes, são fatores que influenciam neste crescimento. Prova disso são os vários prêmios obtidos por nossos espumantes nos mais variados concursos de nível nacional e internacional. Podemos citar o Aurora Brüt, Aurora Pinot Noir, Salton Evidence, Salton Reserva Ouro, Casa Perini Moscatel, Casa Perini Brüt Nature, Miolo Rosé, Miolo Brüt e a grande novidade do mundo vínico, o Terranova, das quentes terras do Nordeste, paralelo 8, o milagre brasileiro.

Aos nossos leitores e amigos, muitos Champagnes e Espumantes em vossas vidas, no Natal, durante todo o novo ano que se aproxima celebrando sempre o sucesso em nossas vidas. Obrigado a todos pela leitura, incentivo, apoio, parcerias, os novos amigos que fizemos nos diversos cursos, palestras,  consultorias, que proferimos e aprendemos juntos, e a tantos com que tive o prazer de tilintar taças ao longo desse percurso, FELICIDADES, COM UMA DESCOBERTA A CADA GARRAFA, COM UM BRINDE À ARTE DE VIVER.

APRECIE A FELICIDADE SEM MODERAÇÃO, E TENHA UM ANO ILUMINADO.

AVOE. BRADO DE EVOCAÇÃO Á BACO POR SEUS SÚDITOS.

Osvaldo Nascimento Juniors.:

 Advogado, Empresário, Enófilo, Sommelier, Consultor de Vinhos de Adegas de grandes redes de Supermercados do Paraná, Colunista de Vinhos do Diário Indústria e Comercio de Curitiba há dez anos  onde publica a Coluna VINUM VITA EST (www.icnews.com.br) colaborador de diversos veículos de comunicação, ministrando palestras e cursos de vinhos em Entidades de classe, Clubes  de Serviços, Universidade Livre do Comercio da ACP, Confrarias, viajando pelo mundo visitando seus principais vinhedos, tornando-se um conhecedor do mundo báquico, trazendo esta sabedoria para o livro VINUM  VITA EST – A HISTÓRIA VISTA PELO VINHO, numa seleção das  colunas publicadas há dez anos num convite ao leitor a um passeio pelo apaixonante  universo da Enologia.