Nós, paranaenses – como disse o nosso poeta Paulo Leminski – “vivemos “a mística imigrante do trabalho”.

Governador Beto Richa, ao comemorar 164 anos do Paraná com entrega da Ordem do Pinheiro a personalidades.

 

MERCOSUL

O presidente Temer recebeu ontem, em Brasília, os líderes dos países do Mercosul – fundadores, como Argentina, Uruguai e Paraguai; e associados, como Bolívia e Chile. A novidade, neste final de presidência do bloco pelo Brasil, foi a participação do presidente da Guiana (antiga Guiana inglesa), um país do arco norte do continente que vai se integrando, paulatinamente, à associação de nações sul-americanas.

ANÁLISE

Nesta temporada o Mercosul aprofundou seu relacionamento com a União Européia, podendo resultar na breve assinatura de um tratado comercial de preferência com aquele conjunto continental do “Velho” continente. A propósito, a hora é dos acordos bilaterais, após o fracasso das tendências multilaterais da Organização Mundial de Comercio, reconhecido na recente cúpula celebrada em Buenos Aires.

FIRMANDO A RETOMADA

O Banco Central flexibilizou o recolhimento compulsório do sistema bancário, liberando cerca de R$ 20 bilhões entre retornos de planos anteriores de desoneração e recolhimento sobre depósitos atuais; o que permitirá a injeção de mais crédito na economia nacional. A medida – redução dos compulsórios – vinha sendo reclamada por agentes econômicos e pelo próprio setor de bancos, que alegavam a anomalia dessa regra advinda do período inflacionário e pouco usual em outras nações.

ANÁLISE

A decisão da autoridade monetária vem no sentido de firmar a retomada econômica, que embora apontando para o positivo, claudicava em segmentos importantes segundo apuração o índice preliminar do PIB apurado pelo Banco Central (serviços, consumo das famílias, etc). Por outro lado é confortante registrar que a atual direção do BC, conquanto exiba firmeza no controle dos fatores de inflação, é sensível às variáveis impostas pela realidade da economia e solavancos da política.

SEM FIM DO MUNDO

O adiamento da proposta de reforma da Previdência Pública para fevereiro do próximo ano foi adotado por insuficiência de votos na Câmara dos Deputados para a adoção de uma PEC (exige o apoio de dois terços dos membros dessa Casa do Congresso). A transferência de data – conquanto incômoda – não representa “o fim do mundo” como se chegou a temer nas primeiras horas: o governo e os principais atores políticos continuam insistindo na sua prioridade, assegurando que será o primeiro item da agenda parlamentar de 2018.

ANÁLISE

Tanto que após turbulências iniciais, os mercados se acalmaram, inclusive em áreas sensíveis – bolsa de valores e cotação cambial. Na segunda-feira os solavancos da semana anterior – com seu generalizado clima de incerteza – já estavam superados: os títulos financeiros “devolveram ganhos” e os especuladores “realizaram lucros”. O que levou o ministro da Fazenda a prognosticar que as próprias agências de risco entenderam a realidade de que o Brasil é um país sólido e vai continuar a retomada.

SEM FIM DO (II)

Na última semana útil do ano outras manifestações, estas vindas do Judiciário, é que causaram alguma instabilidade, a principal delas sendo a medida liminar do ministro Ricardo Lewandowski, que anula decisão do Executivo de congelar vencimentos do funcionalismo federal e sustando o aumento da contribuição previdenciária desse segmento. Em contraponto, outra decisão – do ministro Dias Toffoli – homologou acordo entre bancos e poupadores, colocando um final na disputa em torno de perdas derivadas dos planos do período inflacionário.

ANÁLISE

No conjunto ainda, a decisão do ministro Gilmar Mendes, de vetar a condução coercitiva (antigamente “condução sob vara”) de pessoas chamadas a interrogatório perante uma autoridade. Tais decisões de última instância apontam uma direção de controle moderado de exacerbações radicalizantes. Em essência, evidenciam que a sociedade brasileira, por maioria, prefere retornar à normalidade do curso histórico, inclusive na campanha eleitoral que se aproxima.

LIÇÃO DO CHILE

A vitória do empresário e ex-presidente Sebastian Piñera nas eleições presidenciais do Chile, domingo passado, animou imediatamente os mercados locais: a bolsa de valores subiu quase 7%, os indicadores de solvência externa do país melhoraram e os empresários se dispuseram a retirar planos de investimento da gaveta, o que vai gerar empregos na construção civil, pesca e agricultura – entre outros setores.

ANÁLISE

Para analistas, ao preferir Piñera ao candidato de centro-esquerda, os eleitores chilenos optaram por crescimento econômico em vez dos controversos programas sociais que o governo findante vinha aplicando e que levaram à paralisia da produção e estagnação da renda. Ainda, ao votar pelo retorno do ex-presidente de centro-direita, o povo do Chile endossou um discurso moderado, sem o radicalismo em que a esquerda vinha insistindo. Lição que, nesta temporada de eleições, aproveita ao Brasil.

PARANÁ, 164

O Estado do Paraná comemorou 164 anos de instalação como unidade política autônoma no último dia 19, com cerimônia conduzida pelo governador Beto Richa no Palácio Iguaçu. Na ocasião, ao outorgar a comenda da Ordem do Pinheiro para autoridades e personalidades, o governante destacou os indicadores positivos do Paraná: foi o primeiro estado a subscrever os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, a indústria paranaense cresceu mais de 5% no ano e houve redução da desigualdade, graças a programas voltados para os bolsões de pobreza.

ANÁLISE

Impulsionados por estados como o Paraná e Santa Catarina, a propósito, a Região Sul é a que exibe menos pobres. Enquanto o conjunto do país apresenta taxa média de 6,4% de pessoas em extrema pobreza (nível de miséria), o Sul tem esse índice em 2,4%. O levantamento, feito pelo IBGE, classifica nessa faixa pessoas que vivem com menos de 6,27 reais por dia (1,9 dólares) – cerca de 13 milhões de pessoas. No Paraná há uma ação sistemática de identificação e apoio às pessoas em bolsões de miséria.

Rafael de Lala e Vagner de Lara, jornalistas

Beatriz Santana – Estagiária de Jornalismo – UNIBRASIL

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