Risco de contaminação

762

Há um general muito preocupado com a contaminação política dos quarteis: é Edson Leal Pujol, comandante do Exército no governo Jair Bolsonaro que, nos anos 70, era um cadete que acompanhava as ações do general Emílio Garrastazu Médici. Ele lidera generais igualmente preocupados com os efeitos dos discursos e atitudes do Capitão sobre a tropa. Acham que Bolsonaro quer se transformar em líder de 260 mil soldados e suboficiais e 300 mil policiais militares. Pujol analisa com seus companheiros de jornada os avanços do presidente que já testa limites constitucionais e abre guerra contra o Legislativo e o Judiciário (mesmo recuando depois). Estão todos em estado de alerta.

Já o vice-presidente, general Hamilton Mourão, sai em defesa do presidente Jair Bolsonaro depois da confusão criada pela distribuição do vídeo de convocação para manifestação do dia 15 de março.

“O presidente Jair Bolsonaro não atacou as instituições, que estão funcionando normalmente”, disse Mourão. Só que completou: “Não autorizei o uso de minha imagem por ninguém, mas protestos fazem parte da democracia que não precisa de pescadores de águas turvas para defendê-la”.

Lupion em alta

O secretário especial da Casa Civil, Abelardo Lupion, está em alta. Onyx Lorenzoni quer levá-lo para o Ministério da Cidadania enquanto o ministro Luiz Henrique Mandetta já convidou o ex-deputado para assumir a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos da pasta da Saúde. No que depender de Bolsonaro, Lupion permanece no Planalto, ao lado do general Braga Netto, na Casa Civil.

 

Para não magoar

Um dia após o anúncio de concurso para 2.400 vagas para policiais militares e bombeiros, a pauta na Casa Civil foi melhorias para a Polícia Civil. C o chefe da Casa Civil, Guto Silva, o secretário de Segurança, Romulo Marinho Soares, o delegado-chefe da Polícia Civil, Silvio Jacob Rockembach, o líder do Governo, Hussein Bakri e os deputados da área. Além da convocação de aprovados do concurso de 2018 de escrivães será anunciada na a abertura de novo concurso para seleção de delegados, investigadores e papiloscopistas. Para abril, o foco será o reforço da estrutura e a carreira do policial.

Puro deboche

Depois do resultado fraco do Produto Interno Bruto (PIB) em 2019, com crescimento de apenas 1,1% no ano, o presidente da República, Jair Bolsonaro, escalou nesta quarta-feira (4)um humorista para responder perguntas dos jornalistas sobre o ritmo da atividade. O primeiro PIB de Bolsonaro é pior do que o último do ex-presidente Michel Temer.

Desrespeito

“PIB? O que é PIB? Pergunta para eles (jornalistas) o que é PIB”, disse Bolsonaro ao humorista Márvio Lúcio, conhecido como Carioca, da TV Record. Na continuidade, um jornalista reforçou que a pergunta era dirigida para o presidente, e não para o humorista. “Paulo Guedes, Paulo Guedes”, reagiu Carioca. “Posto Ipiranga”, sugeriu Bolsonaro ao humorista, rindo.

Causa e efeito

“Morar em áreas de risco não é uma escolha voluntária dos mais pobres”. É quase um combinado mote entre economistas e urbanistas para desmontar a tese de Marcelo Crivella de que o culpado das enchentes em determinadas regiões do Rio “é o pobre que joga lixos nos rios”. Ele próprio reduziu em 71% gastos com prevenção de enchentes, o equivalente a R$ 1,2 bilhão. Resumo da ópera: Crivella não se reelege nem Bolsonaro carregando o prefeito nas costas.

Felicidade em baixa

Segundo levantamento de Marcelo Neri, da FGV Social, a satisfação do brasileiro com a vida anda em baixa, caindo de 7,1 (numa escala de zero a 10) em 2013 para 6,2 em 2018. A felicidade média da nação, no ano passado, subiu apenas para 6,5 alterando a posição do país de 37º para 22º no ranking global, junto com Itália e Espanha.

Ladeira abaixo

Existem poucos casos de coronavírus constatados no Brasil e esmo que não houvesse nenhum, bastaria a atual contaminação dos diversos países do mundo para achatar o PIB do país. Nas últimas semanas, Itaú, BTG e JO Morgan empurraram o crescimento da economia para baixo de 2%. Outras instituições chegaram a 1,4%. A velocidade da queda apavora os generais, que requerem planejamento emergencial. Por enquanto, fica apenas na torcida, para não espalhar o pânico, aliada ao silêncio.

Bola rasgada

A Caixa Econômica é a principal barreira para a venda da Arena Grêmio ao próprio time gaúcho. A estatal executou a OAS, proprietária do estádio, por uma dívida de R$ 44 milhões referente à sua construção. A empreiteira não nega a dívida, mas alega que não tem como pagar o débito – e o Grêmio não quer assumir a dívida.

Olho na moeda

A Casa da Moeda imprime dinheiro, selos e passaportes e só tem dado prejuízo: em 2017, R$ 117,6 milhões; em 2018 R$ 93 milhões e em 2019 até setembro, R$ 92,5 milhões. Os petistas estão espalhando que o Brasil corre o risco de vir a ser o único país do mundo a não imprimir a própria moeda. Ledo engano: o país é um dos poucos que ainda mantém um órgão público para imprimir documentos e notas. Na Europa, empresas especializadas são contratadas por longos períodos na maioria dos países.  Só países atrasados imprimem o próprio dinheiro. Exemplos: Afeganistão, Bulgária e Cuba.

Farra do combustível

Carros oficiais do Senado custaram R$ 145,8 mil apenas com combustível no ano passado. O valor não leva em consideração custo de manutenção, lavagem e contratação de motorista em tempo integral. Senadores, diretor-geral e secretário-geral rodam por Brasília em 76 Nissan Sentra e do Hyundai Azera do presidente Davi Alcolumbre. A campeã de quilometragem rodada apenas em Brasília foi a senadora do DF, Leila Barros (PSB): 4.100 em maio.

 

Já tem

O deputado federal Alexandre Frota (PSDB) novo grande amigo do governador João Doria, criou um projeto para proibir a venda de bebidas alcoólicas a menor de 18 anos. Alguém precisa aviar o parlamentar que a proibição já é lei.

 

Nuvens caras

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, fez 277 viagens oficiais desde o início da legislatura, em fevereiro de 2019, até a última, na semana passada. Voou em jatos da FAB, ao custo de R$ 13,85 milhões e o valor equivale à soma das viagens dos 92 deputados federais que mais voaram desde que assumiram seus mandatos. Quando integrava o baixo clero, entre 2001 e 2015, sem a mordomia da FAB, Rodrigo fez 682 viagens que custaram R$ 343,7 mil.

 

Não quer nada

Na história do Senado, nunca houve alguém como a senadora Leila Barros (PSB-DF), a Leila de Vôlei: ela abriu mão de sua aposentadoria especial, economizou 100% da verba indenizatória e não quer ouvir falar em auxílio-moradia e auxílio mudança.

 

Vaiado

Lula foi receber seu título de Cidadão Honorário de Paris, com Dilma Rousseff e Fernando Haddad na plateia. Atacou Bolsonaro o tempo inteiro. De repente, dizendo que ele é culpado por sua prisão, resolveu atacar o ministro Sérgio Moro. Aí – surpresa – a plateia vaiou o homenageado. Tem até vídeo rolando pelas redes sociais.

 

Não gostou

O general Villas Boas que, há alguns dias disse que sente saudades de tocar violão (ele é portador da Esclerose Lateral Amiotrófica), comentou que não gostou das declarações do general Augusto Heleno. Villas Boas é consultor no GSI, comandado pelo próprio Heleno.

Desproporcional

O vídeo distribuído “apenas para os mais chegados” pelo presidente Jair Bolsonaro, ainda vai dar muito que falar. E para surpresa de muitos o senador Roberto Rocha, líder do PSDB, achou desproporcional a reação dos colegas em relação ao vídeo e não vê nada demais. “O presidente errou em quê? O vídeo conclama para uma manifestação a favor do presidente. Só isso. Por que o presidente, ele próprio, não pode divulgar esse vídeo?”.

Não conheço!

Entrevistado pela revista Piauí e questionado sobre seus ídolos de política externa, o quase embaixador Eduardo Bolsonaro citou Jared Kushner, genro de Trump e os senadores Ted Cruz e Marco Rubio, que conheceu em suas viagens. Depois, indagado o que pensa de Henry Kissinger, o poderoso secretário de Estado que ganhou o prêmio Nobel da Paz pela negociação do fim da guerra do Vietnã, o deputado tomou um gole d’água e respondeu: “Não conheço”.

Ao ataque

O presidente Jair Bolsonaro após receber várias críticas sobre sua maneira de governar, vinda da ex-presidente Dilma Rousseff, também revolveu atacá-la. Ele garante as acusações de que ela foi torturada durante a ditadura são “cascata para ganhar indenização” (ela ainda está aguardando análise de seu pedido de anistia). E acrescentou: “A Dilma integrava a Vanguarda Popular Revolucionária, que matava à paulada tenente no Vale do Ribeira, cárcere privado”.

Frases

“Você pode criticar uma produção de alguma instituição. O que não se pode defender é o ataque às instituições. Quando você ataca as instituições, você ataca a democracia.”

Dias Toffoli, presidente do STF, sobre manifestações no dia 15.