A seguir, trecho do perfil biográfico de Ricardo Alexandre Hanel, um dos personagens retratados em meu livro “Vozes do Paraná 9 – Retratos de Paranaenses”, que será lançado na sexta-feira 11 de agosto, a partir das 19h, na Sociedade Garibaldi:

Ricardo Alexandre Hanel: paranaense entre os “top” mundiais em neurocirurgia vascular, numa foto de família.

 

“Como explicar que Ricardo Alexandre Hanel, 44, natural e em parte criado na minúscula Araruna, Norte do Paraná, graduado e doutorado na UFPR, hoje apareça na restrita relação dos “top” mundiais em neurocirurgia vascular?

As pesquisas aos buscadores, a instituições médicas internacionais, ao mundo médico especializado e aos 120 artigos científicos indexados que ele publicou (em revistas especializadas, portanto com credibilidade mundial) darão uma ideia aproximada de sua real importância nos dias de hoje.

Mas há outros caminhos para entendê-lo e avaliar esse neurocirurgião vascular nada comum, ser humano de acentos muito raros. Um deles, a franqueza surpreendente. Tal como a que recolho dele quando penaliza com lanceta certeira a sua própria corporação, dizendo:

– Nada mais detestável que a arrogância de certos médicos, acompanhada de sua baixa qualificação técnica…

A mim me agrada, mais que levantar feitos significativos da biografia de certos personagens, recolher, com eles, momentos e locais em que passaram suas vidas, as paisagens físicas e comportamentais que os plasmaram, identificar seus inspiradores e suas inspirações, seus ícones, até mesmo suas contradições…

A história de Ricardo Hanel contém experiências nada comuns. A começar por ter sido orientado, nos Estados Unidos, a partir de 2001, por duas das maiores autoridades mundiais em neurocirurgia vascular, Dr. Nelson Hopkins, da State University of New York, em Buffalo, e Dr. Robert Spetzler, da Arizona University, em Phoenix. Os dois apostaram nele, em momentos e maneiras diversos, obtendo retorno talvez acima da expectativa. Hopkins o queria trabalhando ao seu lado. O mesmo aconteceu com Spetzler.

2 – ROUANET DA SAÚDE

No mesmo dia em que entrevistei Hanel ele me contou que dois ex-pacientes seus acabavam de doar US$ 1,5 milhão para o setor de neurocirurgia vascular do Baptist Hospital, onde haviam sido atendidos pelo brasileiro. A informação chegou-lhe naqueles dias em que estava em Curitiba, na comemoração dos 20 anos de formatura em Medicina pela UFPR.

Reforça Ricardo o exemplo de doações recordando que na Clínica Mayo, em que trabalhou antes de mudar para o Baptist Hospital, as doações podem chegar a US$ 500 milhões/ano, somando-se as ofertas em todas as unidades do país. Hanel trabalhou na Mayo da mesma Jacksonville, Flórida, e lá foi professor, antes de entrar no Baptist.

– Por que não se implantar no Brasil uma lei de incentivo fiscal aos que fazem doações para a saúde, tal como existe, por exemplo, para os que, pela Lei Rouanet, aplicam recursos em cultura?, indaga o neurocirurgião, deixando registrada uma oportuna sugestão para a montagem de eventual futuro projeto de lei. Quem se habilitará?

3 – IRMÃO RAUL

Fiquei conhecendo Ricardo por meio do oncologista curitibano Raul Anselmi Junior, amigo comum, companheiro de turma de Hanel em 1997, formados médicos que foram pela Universidade Federal do Paraná. Com ele partilhou tempos de residentes no Hospital Nossa Senhora das Graças. Os dois se lembram da Residência do HNSG como emblemática, onde pontificavam mestres como o cirurgião Calixto Hakim, João Cândido de Araujo e Afonso Antoniuk.

Calixto era paradigmático de uma escola insuperável. Em meio a tantas lições de técnica cirúrgica, passava aos residentes lições de vida, exemplos de humanismo no relacionamento com os pacientes. Um dos conselhos: o médico deve receber o paciente de pé, ofertando-lhe a cadeira para sentar. Trata-se de pequeno e importante gesto de acolhimento que deve envolver também – insistia Calixto – uma impecável anamnese, essencial para garantir diagnóstico seguro e consequente tratamento.

Raul Anselmi Jr. e Hanel são partes de honrosas exceções em que identifico outros médicos curitibanos do mesmo porte ético, como o formador de gerações de médicos , Luiz Lacerda Filho; Cícero de Andrade Urban, diretor do curso de Medicina da Universidade Positivo, Rômulo Sandrini, Rogério Rehme, Christiano Machado, o mestre Roberto de Carvalho, Edmilson Mário Fabbri, Gerson Zaffalon Martins, Dagoberto Requião, Casali da Rocha, Ricardo Pasquini; Roaldo Koehler e João Atila Rocha (in memoriam)…

4 – DO NO HARM

O mundo do trabalho não é obsessão. Até por isso, morando à beira-mar, Ricardo e família se dedicam a esportes nos finais de semana, como vôlei, e a roteiros de lazer, “porque ninguém é de ferro”, diz. O calendário de relaxamento de Ricardo inclui também tocar piano e exercitar outros dons musicais, com bateria e guitarra, heranças da infância.

No dia da entrevista, Hanel mergulhava na leitura de um livro best-seller no mundo médico e acadêmico mundiais, o “No Harm”, do neurocirurgião americano Henry Marsh. O livro fala desse universo que é parte substantiva do ofício das horas de Hanel, com seus questionamentos, suas indagações, suas frustrações e alegrias.

Em momento comovente, o autor de “No Harm” (que no caso pode ter como tradução livre “não lesar o doente”) resume perplexidades do cotidiano dos neurocirurgiões. Como, por exemplo, quando tendo em mãos o cérebro humano, questiona sobre aquela massa encefálica, sede da vida, de poder, razão, amor, sentimentos, dores, projetos.

Hanel, um cristão convicto, não esconde sua fé, nesses momentos em que empunha um cérebro em ato cirúrgico. É consciente de que partilha de duas realidades, a ciência e a fé.

A primeira, o neurocirurgião confirma pela visão, pelo tato e pelos longos anos de aprendizado; a fé, pelas realidades que não são visíveis, indicadoras de verdades sobrenaturais. Ou de difícil explicação do ponto de vista puramente material, como é o caso do menino de Araruna que hoje distribui sua ciência e sua expertise na exigentíssima América.”


BAZAR DA CASA SÃO JOÃO BATISTA ESTÁ NA TRIBUNA

O bazar permanente promovido pela Casa dos Pobres São João Batista (Rua Piquiri, Rebouças), que vende produtos recebidos pela entidade assistencial a partir de R$ 1, foi destaque em reportagem da Tribuna, conforme repassa à coluna Rafael Pussoli, presidente voluntário da Casa dos Pobres, na qual atua há mais de 30 anos.

www.tribunapr.com.br/cacadores-de-noticias/reboucas/ajudar-e-o-maior-barato/


COHAB-CT DEVE MUITO E TEM DÉFICIT ENORME

                             Rafael Dely e Moradias da COHAB-CT em Fazenda Rio Grande

Foi-se o tempo em que a COHAB-CT, a empresa municipal de Curitiba nascida para prover moradia popular à baixa renda, gozava de enorme prestígio Brasil afora, como resultado de um trabalho superior. Eram dias, por exemplo, como aqueles comandados por Rafael Dely, um inventivo e jamais superado provedor de casas populares com bom gosto a qualidade.

O quadro é outro nos dias de hoje: a COHAB-CT deve, só de impostos federais, cerca de R$ 35 milhões. Estimam especialistas da área financeira que a empresa fechará 2017 com déficit de R$ 65 milhões.

Esse é assunto que, na administração Rafael Valdomiro Greca de Macedo é tratado como matéria “até sigilosa”. Por ora.


REGISTRO HISTÓRICO

Em verdade, tamanho é o valor dessa obra que o estudioso do Direito fica tomado de surpresa e pena, ao sabê-la tantos anos existente e inédita” (Lafayette Pondé, catedrático baiano de Direito Administrativo, em parecer de 29 de janeiro de 1948).

DIGESTO DO IMPERADOR JUSTINIANO

Pela primeira vez em língua portuguesa, em histórica edição, a versão completa do Digesto ou Pandectas do Imperador Justiniano.

Das apenas 13 traduções integrais do Digesto feitas até hoje no mundo, apenas 5 foram efetuadas inteiramente por um único estudioso. Soma-se agora a estas a tradução brasileira – a única em língua portuguesa e a primeira e única realizada na América Latina.

JURISCONSULTO

Autor desta façanha, um magistrado-jurisconsulto baiano, Manoel da Cunha Lopes e Vasconcellos (1843-1920) – o Conselheiro Vasconcellos –, cujo nome, a partir desta publicação, alça-se ao panteão dos mais célebres juristas brasileiros filhos ilustres da Bahia, como Teixeira de Freitas, Rui Barbosa e Orlando Gomes.

ILUSTRES RAÍZES

Nascido em Valença (BA), bacharel pela Faculdade de Direito de São Paulo (Largo de São Francisco, atual USP), juiz de direito durante o Segundo Reinado e início da República, foi sobrinho de dois ilustres juristas brasileiros do séc. XIX, o famoso estadista Zacarias de Góes e Vasconcellos e o ex-Presidente do antigo Superior Tribunal de Justiça (hoje Supremo Tribunal Federal – STF), João Antônio de Vasconcellos.

MANUSCRITOS

A obra de tradução, composta em manuscrito de nove grossos volumes, havia desaparecido ao final dos anos cinquenta, por conta de várias vicissitudes históricas, familiares e acadêmicas, tendo sido redescoberta em 2011, perdida em uma “cafua” (sala subterrânea escondida) da antiga Faculdade de Direito da Bahia (atual UFBA).

Acertada colaboração, em 2016, entre a Diretoria desta escola e os quatro romanistas-especialistas da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), chega-se agora, depois dos ingentes trabalhos de transcrição, adaptação e integração da tradução, à publicação do 1º. volume desta histórica obra.

Será ela certamente útil não só aos romanistas, civilistas e especialistas de outras áreas das ciências jurídicas, mas também a advogados, juízes e demais operadores do direito.


CAOS NA UPA DA FAZENDINHA: MORTE E LONGA ESPERA

Registro do protesto na UPA da Fazendinha

Aguardando por atendimento há pelo menos seis horas, pacientes da Unidade de Pronto-Atendimento do Fazendinha, em Curitiba, se revoltaram durante a tarde desta terça-feira (1). Em entrevista à Banda B, eles afirmam que estão com muitas dores e que a única resposta que recebem é a de que terão que aguardar mais.

Carolina Telezinski relatou que está com a mãe no local desde as 9h30 e nada é feito. “É um descaso total. A prefeitura fala que a Saúde é prioridade da gestão, mas não é isso que a gente percebe. Tem gente chorando aqui e ninguém faz nada”, lamentou. Segundo Carolina, a mãe está sofrendo com uma forte dor na garganta e tosse.

“ABSURDO”

Alfredo Trindade contou que chegou ao local por volta das 10h30, com uma forte dor nas costas, e a espera só piorou a situação. “Já tentei tirar satisfação e a única resposta que temos é que temos que esperar, isso é um absurdo”, disse.

As UPAs de Curitiba usam como critério de prioridade a classificação do Protocolo de Manchester. Nela os pacientes são pré-avaliados e separados por cores, que apontam a gravidade de cada pessoa e organiza a ordem de atendimento.

Durante a tarde, a Banda B ainda recebeu denúncias de atendimento muito demorado nas UPAs do Sítio Cercado e do Campo Comprido.

A Banda B entrou em contato com a Prefeitura de Curitiba, que emitiu nota sobre a situação. Confira na íntegra:

VERSÃO PREFEITURA

“A paciente Eliane Garcia Paredes Telezinski chegou na UPA Fazendinha às 10h47 e foi atendida às 16h17. Já o paciente Alfredo Trindade foi admitido 12h15 e foi chamado às 16h30, mas ele não estava mais na unidade. Na avaliação de classificação de risco, ao chegar na unidade, os dois pacientes foram classificados como atendimento de baixo risco, não urgente. Nas UPAs, a prioridade de atendimento é para pacientes com maior gravidade e urgência de atendimento.

A Fundação Estatal de Atenção Especializada em Saúde de Curitiba (Feaes-Curitiba) alerta aos usuários do SUS Curitiba que os atendimentos médicos, que não são considerados de urgência e emergência, podem ter sofrido prejuízos nas UPAs Sítio Cercado e Fazendinha, diante da greve deflagrada pelo Sindicato dos Médicos do Estado do Paraná (Simepar).

SEM PREJUÍZO?

Não se observa, até este momento, prejuízo ao atendimento dos pacientes de maior gravidade (eixo vermelho, amarelo, laranja no protocolo de classificação de risco) nas UPAs. Porém, em relação a pacientes considerados de baixo risco (eixo azul e verde), observa-se a efetivação de uma operação tartaruga por parte de alguns profissionais que aderiram ao movimento. Com isso, a espera por atendimento para estes casos pode ser maior.

A Feaes ainda ressalta que sua equipe médica teve um aumento real de 33,68% nos últimos quatro anos. Dessa forma, a Feaes passou a ser a empregadora a remunerar a maior hora-médica de Curitiba e região.”

MORTE NA FILA

No último dia 8 de julho, um paciente de 58 anos morreu após aguardar por três horas por atendimento na UPA do Fazendinha. A denúncia veio de outros pacientes que também estavam no local e procuraram a Banda B para reclamar do tempo de espera.

Segundo a prefeitura, o paciente Marcos Rogério Ferreira, 58 anos, deu entrada por volta de 16h50 unidade com queixa de dor no estômago (desconforto gástrico). A avaliação apontou o quadro clínico classificado no eixo verde (pouco urgente) do Protocolo de Manchester.

“Após cerca de uma hora de espera para o atendimento o paciente acabou por ter uma parada cardíaca. A equipe da UPA imediatamente encaminhou o atendimento mas, infelizmente, não teve êxito na reanimação do paciente, mesmo tendo usado de todo o aparato médico disponível. Marcos Rogério Ferreira veio a falecer na própria Unidade de Pronto Atendimento”, informou a administração municipal na ocasião. (Portal Rádio Banda B, 2-8)


NO PAÍS DE TIM MAIA, DOLEIRO PROCESSA EMPRESA POR NÃO TER RECEBIDO SUA PROPINA

Lúcio Funaro

Por Ancelmo Gois (02/08/2017 07:30)

No país de Tim Maia, prostituta se apaixona, cafetão tem ciúme, traficante se vicia, ministro da Fazenda (Guido Mantega) sonega, senadores envolvidos na Lava-Jato (Jader Barbalho, inclusive) são do Conselho de Ética e o doleiro Lúcio Funaro processa, da cadeia, a J&F por não ter recebido sua propina em empréstimo feito pelos Batista junto à Caixa.


ZUMBI DOS PALMARES EXISTIU

Antenor Demeterco Junior (*)

Zumbi dos Palmares: homenagem justa

Charles Darwin (1809-1882) passou pelo Brasil e, em quatro meses, assistiu a monstruosidades que o marcaram pelo resto da vida.

Constatou que senhores de escravos viam os negros como pertencentes a “outra espécie”, ignorando que todos os seres humanos tinham a mesma origem num ancestral comum. Assistiu ao espancamento violento de um mulato no Rio de Janeiro, e em Pernambuco ouviu os terríveis urros de algum escravo sendo torturado. Presenciou o suicídio de uma negra atirando-se de um penhasco para não ser capturada, e grotescas marcações a ferro.

RAIO DE LIBERDADE

A fuga para os quilombos constituía o raio de liberdade para seres humanos tratados como animais por indivíduos com mera forma humana, próximos do primitivismo.

Neste contexto histórico-escravocrata é que surge Zumbi dos Palmares (possivelmente 1655-1695), nascido na capitania de Pernambuco, em localidade hoje pertencente a Alagoas.

SIM, ELE EXISTIU

Inúmeros dados, historicamente constatados, permitem concluir que realmente ele existiu. Com poucos dias de vida, foi capturado e dado “de presente” ao padre Antônio Melo, tendo oportunidade de aprender Latim e Português. Aos 15 anos, fugiu para Palmares e acabou inicialmente comandando militarmente o quilombo, e posteriormente o chefiando.

Charles Darwin: o escravagismo brasileiro

Dezesseis expedições foram organizadas pelo poder colonial para a destruição das povoações libertárias, e somente uma delas teve êxito, chefiada pelo bandeirante Domingos Jorge Velho.

Ferido e traído por um companheiro, Zumbi foi morto, e teve sua cabeça exposta em Recife.

QUE SEJA NUM DOMINGO

Há tentativas atualmente de homenageá-lo com a instituição de um dia da Consciência Negra (20 de novembro). Justa é a homenagem, mas para que se agrade gregos e troianos, tal dia, na minha opinião, deveria coincidir com um domingo deste mês. O Brasil já tem feriados demais, que merecem ser submetidos a uma planilha limitativa.

Focalizei Zumbi nesse escrito ante a sugestão de um qualificado leitor da coluna de nosso ilustre Professor Aroldo Murá, baluarte do jornalismo de nossa terra.

Curitiba, 28 de Julho de 2017

(*) ANTENOR DEMETERCO JUNIOR, desembargador aposentado do TJPR; estudioso da História do Século II.


Com colaboração de Marcus Vinicius Gomes, André Nunes e Michelle de Cerjat.