Com grande poder de transformação, a cirurgia ortognática é capaz de aprimorar a face e a vida de quem precisa, de uma maneira como nenhuma outra. Mais do que isso: tem a função de reestabelecer a função mastigatória e traz imensos benefícios à saúde. Famosos como Ingrid Guimarães – que realizou o procedimento na mandíbula ainda jovem – e Nicole Kidman são alguns dos casos mais notórios da cirurgia que, não raro, acaba mudando bastante a fisionomia das pessoas.
“O objetivo primordial é a correção da oclusão, que é a forma como os dentes de cima se se encaixam sobrepostos aos debaixo”, detalha Gabriel Zorron, cirurgião do Hospital IPO. “Pacientes que mordem de forma incorreta têm dificuldade na fala, dor nas articulações da face e dificuldade de mastigar o alimento”.
É importante saber qual a maneira correta de morder: os dentes de cima (da maxila), devem fechar bem justos sobre os de baixo (da mandíbula). “É como a tampa de uma caixa de sapato, sem folga”, ressalta Zorron. “Quando o problema é mais pronunciado, a alteração não se localiza apenas nos dentes, mas sim nos ossos (maxila e mandíbula), e deve ser realizado uma cirurgia ortognática aliada à ortodontia”.
Por exemplo, no paciente com a mandíbula (parte inferior) muito retraída, retrognata, a cirurgia vai trazer o osso para frente. Em muitos casos, é capaz de resolver a apnéia obstrutiva do sono, por ampliar a via aérea do paciente. “A cirurgia também serve para corrigir desvios para um lado ou para o outro, e corrigir a face, além de aumentar a maxila quando é pequena”, avalia Zorron.
“Em alguns casos, a cirurgia é feita inclusive para corrigir apenas um detalhe estético, com grandes resultados: melhora o contorno da face, da harmonia, do sorriso e trazendo beleza para a vida de mais pessoas”.
Para pacientes que têm uma apneia do sono grave – ou seja, que passam pela obstrução da via área durante o sono mais de 30 vezes por hora – e não se adaptaram ao CPAP (aparelho para abrir as vias aéreas), há a opção pela cirurgia ortognática. Nestes casos, os pacientes são submetidos ao avanço maxilomandibular: quando tanto o osso que contém os dentes de cima quanto os de baixo são levados para frente, ampliando o tubo por onde o ar chega aos pulmões. “Assim, o ar chega mais fácil aos pulmões, o paciente tem um sono mais satisfatório e uma grande melhora na qualidade de vida”, destaca.
Nem todos estão aptos, no entanto, ao procedimento. O paciente precisa passar antes por uma avaliação completa da face e dos dentes, com o cirurgião e o ortodontista. Os dentes são alinhados e nivelados antes da cirurgia. Essa etapa, por si só, pode durar meses. Quando cada arcada está bem alinhada e nivelada independente, o paciente está pronto para ser submetido a correção da posição da maxila e da mandíbula através da cirurgia ortognática. Após a cirurgia, é importante realizar os ajustes finais com o ortodontista para ficar com o sorriso e a mordida perfeitos.
Conforme atesta Zorron, as pessoas ainda relacionam a cirurgia ortognática à necessidade de o paciente sair com a boca, literalmente, amarrada com arames. “Isto já não é mais feito, mas ainda é necessário a utilização de elásticos ortodônticos fortes que ajudam na oclusão e se encaixam em ganchos entre os dentes”, destaca. “A dieta será líquida nas primeiras semanas, e aos poucos evolui para pastosa e só depois voltará ao normal”.
Quem se submete à cirurgia precisa estar ciente do desconforto gerado pelo inchaço que acomete a maioria dos pacientes e, também, o risco da parestesia: a perda ou redução da sensibilidade. Quando é feita a cirurgia da mandíbula, há o risco de se lesar um nervo que dá sensibilidade para o lábio de baixo. Esse risco reduziu muito com as técnicas mais modernas que utilizam serras ultrassônicas. “Ainda existe, mas acontece muito menos que antes”, ressalta Zorron. “Mas tudo isso é superado pelos grandes benefícios que a cirurgia traz”.