Das sete capitais nordestinas que decidiram em primeiro turno as eleições para prefeito, duas ficaram com o PT e cinco com PSDB, PV, PP, PSB e PCdoB.

Das sete capitais nordestinas que decidiram em primeiro turno as eleições para prefeito, duas ficaram com o PT e cinco com PSDB, PV, PP, PSB e PCdoB. Para o historiador da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Jaldes Menezes, o cenário comprova a renovação política verificada na região há pelo menos três eleições.

“Há um processo de desaparecimento de lideranças históricas da política nordestina. O caso mais emblemático é o de Salvador: embora ACM Neto [deputado federal pelo DEM] tenha sido bem votado, ele não vai para o segundo turno”, disse Menezes em referência ao enfraquecimento do carlismo – movimento liderado pelo falecido senador e ex-governador da Bahia Antonio Carlos Magalhães, o ACM.

O historiador ressalta que o coronelismo nordestino ainda persiste, mas não é mais hegemônico. Cada vez mais as capitais “dão o tom da política estadual”. Parte desse fenômeno deve-se à própria alteração demográfica da região. “A maioria do Nordeste agora é urbano. Na Paraíba, por exemplo,a capital, João Pessoa, tem 420 mil eleitores e Campina Grande, 400 mil. Juntos, os dois municípios polarizam mais da metade dos votos do estado”, afirmou.

Para Menezes, os “aglomerados partidários ditos de esquerda” foram os vencedores dessas eleições. Por outro lado, o DEM perdeu espaço, já que não venceu em nenhuma capital. “Isso é um pouco a adequação da estrutura política nordestina a do país como um todo. São quatro grandes partidos dominantes: PMDB, PSDB, PT e DEM. Talvez nós começamos a ter nessas eleições um sistema político realmente nacional .”

Apesar de não ser um fator determinante, Menezes acredita que a popularidade do presidente Lula na região favoreceu o bom resultado dos partidos chamados de esquerda. Outro aspecto relevante na opinião do historiador é o fato de que cinco das sete capitais que decidiram as eleições em primeiro turno reelegeram seus prefeitos: Teresina, com Silvio Mendes; do PSDB; Maceió, com Cícero Almeida, do PP; Fortaleza, com Luizianne Lins, do PT; João Pessoa, com Ricardo Coutinho, do PSB; e Aracaju, com Edvaldo Nogueira, do PCdoB. Em Salvador, o atual prefeito, João Henrique Carneiro, do PMDB, vai disputar o segundo turno com o petista Walter Pinheiro.

“Houve um aumento da arrecadação e um crescimento econômico nos últimos anos que criaram um clima favorável à reeleição em geral. O que marcou foi um clima de otimismo em relação às pessoas que estavam ocupando os cargos, e não o clima de protesto, como já houve em outras disputas”, destacou o historiador.