Principal articulador da candidatura de José Sarney (PMDB-AP) à presidência do Senado, o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) decidiu intensificar a busca de votos no PMDB para o aliado.

Principal articulador da candidatura de José Sarney (PMDB-AP) à presidência do Senado, o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) decidiu intensificar a busca de votos no PMDB para o aliado. Com a indicação de que um grupo de parlamentares do partido promete desembarcar da candidatura Sarney, Renan decidiu procurar aqueles que cogitam votar no petista Tião Viana (AC).

A avaliação de peemedebistas é que, no partido, Renan vai conquistar o apoio praticamente integral da bancada. A exceção está no senador Jarbas Vasconcelos (PE), que já declarou publicamente não estar disposto a apoiar Sarney.

Jarbas, que aderiu à candidatura de Tião, é contrário ao retorno do grupo de Renan depois que o peemedebista acabou afastado da presidência da Casa em meio a uma série de denúncias de quebra de decoro parlamentar. Embora absolvido pelo plenário do Senado, Renan se afastou da presidência no final de 2007 depois de enfrentar cinco processos no Conselho de Ética da Casa.

O senador Pedro Simon (PMDB-RS), que também tem resistências a Sarney, é um dos que será procurado pelo grupo de Renan. Como Simon tem a tradição de seguir as determinações do partido, a expectativa dos peemedebistas é que ele declare o seu voto em Sarney mesmo com resistências pessoais.

Retorno
As negociações pela candidatura de Sarney trouxeram Renan de volta à cena política. O senador será indicado líder do partido nas próximas semanas, cargo até agora ocupado pelo senador Valdir Raupp (PMDB-RO) –que negocia a indicação para a liderança do governo no Congresso ou a presidência de uma das comissões permanentes da Casa.

Se Sarney for eleito, os peemedebistas vão trabalhar para tirar a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) das mãos do DEM, uma vez que o partido de oposição deve manter o seu posto na 1ª secretaria do Senado. A presidência da CCJ seria ofertada ao senador Garibaldi Alves (PMDB-RN), forçado a deixar a disputa com o ingresso de Sarney na corrida pela presidência do Senado.

O PSDB, por sua vez, reivindica com os peemedebistas ocupar a 1ª vice-presidência da Casa em troca do apoio a Sarney. PMDB, DEM e PSDB reúnem as maiores bancadas do Senado, seguidos pelo PT –que ficaria com a 2ª vice-presidência da Casa numa eventual eleição de Sarney.

Os petistas, no entanto, apostam que vão reunir votos suficientes para derrotar Sarney nas eleições marcadas para o dia 2 de fevereiro. O peemedebista vai formalizar sua candidatura na próxima quarta-feira, durante reunião da bancada do partido.