Faz tempo que a situação dos presídios brasileiros é problemática, caótica e inaceitável. Eles estão dominados pelos criminosos. Celas lotadas e rebeliões sangrentas revelam o total descaso do poder público com o sistema prisional. A ideia de condenar o cidadão que cometeu crime para educá-lo e inseri-lo novamente na sociedade é praticamente uma utopia. Pouquíssimos exemplos de cadeias do país podem ser mostradas como boas. Em geral, ir para a cadeia significa viver em um ambiente aterrorizante, dominado pelas facções, as quais, mesmo presas, continuam mandando no crime organizado e determinando o que deve ou não acontecer atrás das grades.

Um acontecimento recente, no Pará, deixa ainda mais claro que o setor precisa de mudanças. Uma rebelião ocorrida na manhã desta segunda-feira deixou 52 detentos mortos no Centro de Recuperação Regional de Altamira. De acordo com a Superintendência do Sistema Penitenciário (Susipe), o conflito começou por volta das 7h, quando um grupo de presos invadiu a ala de uma facção rival. De acordo com informações divulgadas, os presos chegaram a colocar fogo em parte da ala. Dentro os mortos, 16 foram decaptados e o restante teria morrido por asfixia, devido ao incêndio. Diante dessa desordem torna-se impossível confiar no sistema prisional.