O Refúgio Escandinavo do Pedro, projetado pelas designers Renata Fradg e Monica Pajewski para a recém-encerrada 26ª edição da CASACOR Paraná, traz elementos montessorianos combinados à filosofia escandinava de bem-estar

Em uma conversa com pais e educadores na atualidade, é cada vez mais comum ouvir referências ao chamado Método Montessori de educação. Os pais manifestam crescente interesse em matricular seus filhos, crianças ou jovens, em instituições de ensino que tragam em sua proposta preceitos da educadora italiana Maria Montessori, que concebeu a metodologia no século 20, há mais de 110 anos. E levam também para casa várias diretrizes da filosofia montessoriana, além de brinquedos e móveis, como a chamada “caminha Montessori”, inspirados em suas orientações.

Dentro da orientação montessoriana de preparar o ambiente para que a criança possa se sentir estimulada e independente, os móveis e peças de uso e decoração foram dispostos ao alcance da criança

Curitiba, inclusive, abriga uma das escolas pioneiras no mundo a adotar o Método Montessori em seu programa. O Colégio Sion Curitiba atua com esta filosofia há mais de 50 de seus 113 anos de fundação, completados neste mês de junho. “O foco é este: educar o aluno para a vida, para que tenha os instrumentos básicos para poder entrar nesta sociedade. A Metodologia Montessori, trabalha muito nesta linha pedagógica, considerada bastante vanguardista quando da sua criação”, explica Juliana Pedroso, coordenadora de comunicação e marketing do Colégio Sion Curitiba.

DÉCOR MONTESSORIANO
Um dos pilares montessorianos se aplica à decoração e foi chamado por Maria Montessori de “Ambiente Preparado”, em que, segundo orientava a pedagoga italiana, a criança e o jovem se desenvolvem melhor em ambientes preparados para sua atuação, onde possam agir com independência, naturalidade e liberdade. Um exemplo inspirador de ambiente projetado com elementos montessorianos é o Refúgio Escandinavo do Pedro, quarto infantil assinado pelas designers Renata Fradg e Monica Pajewski na 26ª edição da CASACOR Paraná, encerrada no início de julho.
O quarto, projetado para um menino, alia a estética escandinava aos princípios montessorianos. “Quando desenvolvemos um espaço voltado para crianças, é importante considerar além da plástica do projeto, as funcionalidades e estímulos que o ambiente irá proporcionar”, explica Renata Fradg. Foi por isso que elas agregaram elementos do Método Montessori, que propõe a autonomia e a exploração do potencial criativo de cada criança.
Entre os elementos adotados está a cama com altura mais baixa e diversos objetos, como livros e brinquedos, organizados a uma altura que permite fácil acesso pela criança. “Utilizamos um fundamento montessoriano muito importante: de 3 a 6 anos, a criança vive um intenso processo de aprendizagem e, a partir do sexto ano, se mostra muito mais receptiva a adotar comportamentos que serão levados pelo resto da vida. Por exemplo, se nessa idade ela for estimulada a ser organizada, provavelmente vai continuar assim ao longo de toda a adolescência e vida adulta”, comenta Monica Pajewski.
Por este motivo, o espaço também foi projetado de modo a estimular o desenvolvimento de um comportamento independente pela criança. As alturas da cama, da mesinha de desenho, da parede de giz e da cadeirinha infantil foram projetadas de forma condizente com a idade da criança, assim como os demais objetos expostos no quarto. Outro detalhe está no projeto do closet, onde as gavetas ficaram expostas e em altura conveniente para total visualização pela criança. O quarto traz ainda propostas inovadoras, como o armário da Celmar que tem a luz acionada com o toque.
“Viver em um espaço acolhedor, estimulante, confortável, pode determinar como a criança será quando adulta”, defende Renata Fradg. “Estudos apontam que o meio é transformador. Por isso o assunto é sério quando se trata de projetar para crianças”, complementa Monica Pajewski.