Onaireves Rolim Moura: sumiço total; Ricardo Teixeira: amigo do cartola da CBF

 

A pergunta acima é uma provocação. Cabe também como incitamento às redações tão ávidas por pautas instigantes. Onaireves Nilo Rolim de Moura, o todo poderoso ex-presidente da Federação Paranaense de Futebol não tem paradeiro conhecido desde 2007, data de sua última prisão.

Concedido o habeas corpus que lhe abriu as portas da cadeia, nunca mais deu notícia. Em seu lugar na entidade tomou assento Hélio Cury, o vice, cuja gestão opaca assemelha-se, cada dia mais, à do dirigente com quem sempre compôs chapa. Lá se vão dez anos. Onaireves governou por 22.

SEVERIANO AO CONTRÁRIO

Ao tempo em que Onaireves (que é Severiano ao contrário) ainda era motivo de piada, havia duas correndo as rodinhas de café. A primeira dizia respeito a um provérbio que ele descontruíra a seu favor: “Devo, não pago. Nego enquanto puder”. A segunda era uma ironia: ”’Dinheiro não me interessa’, tilintou Onaireves”.

Quando foi preso em 2007, Onaireves foi acusado de chefiar uma quadrilha para desviar dinheiro da FPF e investir em duas igrejas, que ele também havia fundado. Não se tem notícia de que o cartola fosse um devoto ou um homem de fé. De qualquer maneira, igrejas não pagam impostos, não prestam contas e, recentemente, até pastores, como pessoas físicas, livraram-se desse incômodo tributário. Onaireves viu a porta da esperança.

CAMISAS PIRATAS

O ex-dirigente era um empreendedor. Quando a seleção disputou a Copa América no Paraguai, em 1999, mandou estacionar um ônibus na concentração do Brasil, em Foz do Iguaçu, e nele instalou uma loja de camisas e artigos da equipe. Piratas. Foi um escândalo.

Acusado de sonegação de impostos nos anos 2000, foi parar na Colônia Penal Agrícola, de onde saiu orgulhoso. Aprendera a cultivar hortaliças e a esculpir em pedra sabão. Não, um revólver não, que isso é coisa do Dillinger.

COLLORIDO, PERO NO MUCHO

Onaireves era um homem de poucas palavras. Falava baixo e economizava olhares ao seu interlocutor. Foi deputado federal pelo PRN, na era Collor. Na véspera da votação do impeachment, organizou um jantar e foi o encarregado de distribuir Cr$ 50 mil a cada parlamentar que se dispusesse a acompanhá-lo contra o afastamento do presidente. No dia seguinte, quando o placar revelou-se incontornável, votou a favor. Era o velho estilo Onaireves Moura, que depois seria cassado.

Em uma de suas últimas aventuras empresariais, criou avestruzes. Tinha uma fazenda em algum lugar na Região Metropolitana de Curitiba e estava produzindo em escala. Gostava de uma característica das aves. Quando se viam em alguma enrascada, elas enfiavam a cabeça no buraco.

LÁGRIMAS NA PRISÃO

Na semana em que foi preso, acusado de desviar dinheiro da federação, ele chorou na prisão. Tinha 60 anos, estava na federação desde os 38, havia dedicado grande parte de sua vida ao futebol e devia pensar que merecia um quinhão.

O Pinheirão, ora abandonado, era o único estádio de propriedade de uma federação de futebol no país. Hoje pertence ao município por conta de dívidas acumuladas. Onaireves conseguiu convencer o então governador Jaime Lerner a construir no entorno do campo uma moderna pista olímpica, que praticamente nunca foi usada. No ápice de sua megalomania ergueu uma nova arquibancada e na passagem dos vestiários para o campo, onde havia alagamentos constantes ocasionados pela chuva ou por vazamentos, decidiu que construiria uma pequena plataforma de madeira e, sob ela, um tanque de carpas. “Para que os jogadores apreciem os peixes antes de correr para o gramado”.

HABEAS CORPUS

Preso, ele decidiu escrever uma longa carta e enviá-la a um jornal que, sem avaliar consequências, publicou-a. Era lacrimosa, falava de sua infância em Santa Catarina, de sua família, de seus filhos e de suas dores. Não foi um best-seller, mas serviu ao menos para que o juiz, compadecido, concedesse o habeas corpus ao cartola. Nunca mais se ouviu no falar nele. Certamente continua a responder o processo, porém, desde então, não enviou missiva, que indicasse a sua condição ou o seu paradeiro.

Em 2002, quando o Brasil disputou a Copa do Mundo na Coreia do Sul e no Japão, o cartola paranaense hospedou-se em um hotel de luxo, em Yokohama, cidade onde ocorreu a final. Visitou os jogadores na concentração, reuniu-se com Ricardo Teixeira, tirou fotos, falou com jornalistas e, depois da festa do pentacampeonato, deixou o hotel sem pagar. Era o Onaireves de sempre.

NO CANADÁ, IMERSÃO TOTAL EM INGLÊS

O ensino de qualidade vai se internacionalizando cada vez mais em Curitiba. Um bom exemplo é o do Colégio Bom Jesus, que além de seu Colégio Internacional, em Alphaville (em Pinhais) mantém um “High School”, no Bom Jesus da Aldeia.

Anualmente estudantes do Bom Jesus, de todas as unidades do Paraná, viajam nas férias de julho em roteiro cultural e turismo, para Europa e América do Norte. O colégio também mantém convênio com escolas da Alemanha, para as quais envia seus alunos como intercambistas, uma vez por ano.

As fotos mostram grupos (o total foi de 140 estudantes) de alunos do Fundamental Bom Jesus no embarque, domingo, no Afonso Pena. Na última foto, minha neta, Isabelle Vitória Leite Haygert, com os pais, Fábio e Joselene Haygert, e Ana Beatriz, amiguinha de Isabelle.

O grupo seguiu para o Canadá, em voo direto. Os estudantes estão hospedados em 3 campi de universidades, em Toronto, e desenvolvem atividades de imersão total na língua Inglesa, por 3 semanas. Nos dias finais da viagem, visitarão, para exclusivo lazer, cidades como Montreal e Quebec, dentre outras.

A condição básica para participar do projeto: os alunos se obrigam a falar exclusivamente em inglês no Canadá, mesmo entre eles apenas.


QUEM MATOU A IRMÃ CATHY?

Cartaz do seriado no Netflix

O assassinato de uma freira é sempre incomum. Mais do que isso se envolve padres pedófilos. Mais do que isso se é uma história real.

Aconteceu em 1969, em Baltimore, a cidade mais populosa e mais católica do estado de Maryland, nos EUA.

Cathy Cesnik desapareceu em 7 de novembro daquele ano e seu corpo só foi encontrado no início de janeiro do ano seguinte. Estava nua da cintura para cima, deitada de costas em área destinada ao despejo de lixo, em uma encosta, coberta parcialmente de neve recente. Sofrera um golpe contundente na cabeça, o que provavelmente causara sua morte.

REABERTURA DO CASO

“The Keepers”, a nova série documental do Netflix propõe-se a relatar o mistério que cerca a morte da freira em um “seven episode” eletrizante. Mas sem dar-lhe um desfecho.

O caso continua insolúvel, assim como o assassinato da estudante Joyce Malecki, 20 anos, ocorrido quatro dias depois do desaparecimento da irmã Cathy. A exibição da série provocou a reabertura do caso nos Estados Unidos e suscita polêmicas, principalmente com representantes da igreja.

RELATO NU

O testemunho de Jane Doe (o equivalente a João Ninguém em português), cujo nome verdadeiro é revelado na série, é contundente, ainda que ocorrido 45 anos depois dos assassinatos. O relato é cru e aviltante, mesmo para os padrões de liberalidade de nossos tempos. Vislumbrar a mais tênue sombra do que ocorreu em uma escola para meninas católicas, mais precisamente na sala de um capelão, durante o dia, e sob a ameaça de danação eterna, porque as vítimas assim foram convencidas, parece irreal. Mas não é. Resulta imperdível.

Diogo Castor de Mattos (Foto: Guilherme Almeida Barboza de Souza)

OLHA O TREM

Em férias, o procurador do Ministério Público Federal, Diogo Castor de Mattos foi reconhecido nesta quarta-feira (5), por um turista, enquanto passeava no trem Maria Fumaça de Bento Gonçalves e Garilbadi, na Serra Gaúcha. Com 31 anos, o curitibano é o mais jovem integrante da Lava-Jato. Ele passou a fazer parte da operação em sua formação inicial, em abril de 2014. Mattos é também professor de Direito Penal na Pontifícia Universidade Católica do Paraná. Nos corredores do MPF é chamado de Piá. Na PUC-PR, convém chamá-lo de Professor Piá.