O Ministério Público Federal pediu ao IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) explicações sobre os cortes previstos para o Censo Demográfico de 2020. A medida renova no quadro técnico do instituto esperanças de reversão do corte, que é alvo de uma campanha movida por sindicatos e servidores.
Em ofício enviado na terça (9) a presidente do IBGE, Susana Cordeiro Guerra, a procuradora federal da área de Direitos do Cidadão, Deborah Duprat, pede esclarecimentos sobre o orçamento da pesquisa e a redução do questionário.
No fim de maio, o IBGE informou que o questionário básico, aplicado a 90% dos domicílios, terá 26 questões, oito a menos do que o do censo de 2010. Já o completo foi reduzido de 112 para 76 questões. Este último é aplicado a 10% dos cerca de 71 milhões de domicílios brasileiros.
Apesar das pressões de sindicatos e servidores -com apoio de ex-presidentes do instituto- Guerra afirmou no início de junho que o tamanho do questionário não será mudado e a questão é “página virada”. Ela defende que os cortes vão melhorar a qualidade da pesquisa.
Para técnicos e especialistas, porém, a retirada de perguntas sobre renda, aluguel e emigração internacional do questionário básico podem afetar os resultados finais. No ofício, a procuradora pede esclarecimentos específicos sobre essas questões. Ela estabelece prazo de dez dias para as respostas.
“O Censo Demográfico constitui a principal fonte de referência para o conhecimento das condições de vida da população brasileira”, diz a Procuradoria. “O levantamento subsidia o planejamento e a execução de políticas públicas em áreas como educação, saúde e habitação, além de permitir avaliar a abrangência dessas iniciativas.”
Logo após assumir, Guerra determinou um corte de 25% no custo da pesquisa, orçada inicialmente em R$ 3,4 bilhões. Ela argumenta, porém, que os cortes no questionário seriam feitos mesmo se não houvesse restrições orçamentárias.
Na segunda, a organização da campanha Todos pelo Censo promove novo ato, desta vez para a assinatura de carta pública em defesa da pesquisa pelos ex-presidentes do IBGE Eurico Borba, Eduardo Nines, Wasmália Bivas, Paulo Rabello de Castro e Roberto Olinto.
O IBGE ainda não divulgou o orçamento final. No segundo semestre, os questionários serão aplicados a moradores de Poços de Caldas (MG) de forma experimental. A pesquisa, que visita todos os 5.570 municípios brasileiros, será realizada no segundo semestre de 2020.

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