Os alimentos começam a apresentar aumentos de preços menores no atacado. Isso porque boa parte das matérias primas agropecuárias já está até mais barata.

Os alimentos, que puxaram a alta da inflação no ano passado, já começam a apresentar aumentos de preços menores no atacado. Isso porque boa parte das matérias primas agropecuárias já está até mais barata, e essa redução está sendo sentida na indústria do atacado. A indicação é da segunda prévia do Índice Geral de Preços-Mercado (IGP-M) de janeiro, divulgada ontem pela Fundação Getulio Vargas.

A segunda leitura prévia do índice ficou em 0,94%, indicando uma desaceleração em relação a dezembro (1,54%). O índice mediu os preços entre os dias 21 de dezembro e 10 de janeiro, em relação ao mesmo período anterior.

Os preços no atacado, que representam 60% do IGP-M, subiram 1,06% no período pesquisado, contra 2,08% na comparação anterior. As matérias primas brutas (agropecuárias e minerais) apresentaram desaceleração de 4,74% para 2,48%. Algumas ficaram até mais baratas, como bovinos (9,77% para -4,36%), milho em grão (16,85% para -2,64%). Já a soja em grão aumentou menos (5,9% para 3,17%).

O coordenador de Análises Econômicas da Fundação Getulio Vargas, Salomão Quadros, disse que, por conta disso, a desaceleração nos preços de tais matérias brutas já está começando a ser sentida no atacado e até no varejo, embora de forma mais tímida.

A carne nos frigoríficos, por exemplo, registra alta menor (de 6,02% em dezembro para 0,66% em janeiro) e nos supermercados e açougues desacelerou de 7,04% para 1,53%. Segundo Salomão Quadros, a tendência é que a desaceleração seja verificada ao longo de toda a cadeia, passando do campo até os supermercados.

"Os consumidores vão sentir, aos poucos, a desaceleração nos preços de vários alimentos. O óleo de soja, por exemplo, embora tenha subido mais este mês no varejo (de 5,11% para 6,99%), deverá começar a registrar uma alta menor, porque já está se desacelerando no atacado (de 10,77% para 3,69%)", disse Quadros.

O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), com peso de 30%, e o Índice Nacional do Custo da Construção Civil, com 10%, que também compõem o IGP-M apresentaram alta entre dezembro e janeiro.

O IPC subiu de 0,58% para 0,77%, puxado pelos alimentos, que continuam acelerados (de 1,47% para 1,73), especialmente os alimentos in natura, devido às condições climáticas. O tomate, por exemplo, registrou alta de quase 88%. Material escolar e os reajustes nas mensalidades também pesaram no bolso dos consumidores. Na construção civil, o índice foi puxado pelo grupo mão-de-obra, em conseqüência do reajuste salarial em Belo Horizonte.