A taxa de poupança no Brasil melhorou levemente no ano passado, passando de 14,3% para 14,5% do PIB entre 2017 e 2018. Números positivos, após o mergulho para 13,4% em 2016, mas distantes dos 19,3% alcançados em 2007 – último período antes da progressiva redução desse indicador fundamental para ancorar o investimento (formação bruta de capital).

Análise

Os dados do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas sinalizam que o país deixou para trás a severa recessão do início da década, porém ainda está longe dos campeões. Em 2018 a Colômbia exibiu poupança de 19%, o Chile, 20,5% e o México, 21%. Já nossos parceiros no grupo BRICS se mantiveram bem à frente: Rússia, 27%; Índia, 28,5% e China, 45% do PIB em poupança.

Análise (II)

Essa extraordinária capacidade de economizar parte das rendas geradas deriva de vários fatores – hábitos de frugalidade, ritmo de desempenho no trabalho, custo menor do Estado (poderes públicos) – associados a uma cultura diferente. Mas também dramatiza o quanto nós, brasileiros, precisamos nos esforçar para acompanhar o curso do crescimento de outras sociedades.

SE FAZ EM CASA

O modesto potencial de poupança do Brasil explica, por outro lado, nossa dependência crônica de investimentos externos, os quais aumentam ou se contraem conforme se alteram os ciclos econômicos internos. Agora, iniciado um novo governo com perspectivas favoráveis de reformas modernizadoras (previdência, ambiente de negócios, etc), o fluxo de entrada de recursos se amplia – sobretudo capitais de curto prazo para aplicação em bolsa e títulos.

Análise

Mas a História econômica explica que nenhuma nação se desenvolveu apenas com lastro em poupança de fora; cumpre fazer a lição de casa, economizando, poupando e investindo em bens de capital, numa série continuada e persistente. A lição foi corrente na segunda metade do século 20, mas perdeu brilho com modismos recentes (globalização, circulação de capitais, consumismo).

Análise II

Por isso, as reformas iniciadas pelo novo governo são, de fato, importantes para atrair investimento externo. Mais do que isso, são fundamentais para o próprio Brasil, modernizando a base produtiva da economia, melhorando a produtividade e garantindo maior capacidade de competição geral dos agentes econômicos. Como demonstram países que “dão certo” na arena internacional.

VAMOS À OCDE

Na viagem “de estado” que inicia aos Estados Unidos, nesta semana, o presidente Jair Bolsonaro poderá receber do governo norte-americano o “status” de aliado preferencial disponibilizado para outros poucos países, tidos por altamente confiáveis para o colosso do Norte. O mais importante desse périplo inaugural, contudo, é o esperado sinal verde para nossa entrada na OCDE.

Análise

Explica-se: surgida após a II Guerra Mundial como desdobramento do Plano Marshall de ajuda aos países europeus devastados pelo conflito, a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico baliza padrões de eficiência que marcam o desempenho diferenciado de seus membros – o clube dos ricos. O Brasil vem se adequando a esses protocolos desde o governo Temer e, apoiado pelos EUA, poderá dar o passo decisivo de ingresso até 2020.

BRICS E UNASUL

Por iniciativa da gestão Rafael Greca, Curitiba hospedou, no final de semana, delegações dos países componentes dos BRICS – Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul – para a sessão preparatória da conferência de cúpula dos governantes no final do ano em Brasília. A reunião marcou o retorno da capital paranaense ao roteiro dos eventos internacionais de escala – segundo o assessor da área, Rodolpho Zanin Feijó.

Análise

Em paralelo, na capital do Chile (Santiago), por iniciativa do presidente Sebastian Piñera, a maioria dos países do continente se reúne para criar um ente alternativo à União das Nações da América do Sul. Concebida como contraponto à Organização dos Estados Americanos, supostamente tutelada por Washington, a Unasul perdeu substância com a virada à direita que a região passou a vivenciar na segunda década do século 21.

 

 

 

CURTAS

– Senador: Oriovisto Guimarães, que assumiu uma das duas cadeiras em jogo no último pleito, vai fazer exposição sobre seu início de mandato na próxima segunda, dia 18, a convite do Movimento Pró-Paraná. A partir das 19 horas, no auditório da Associação Comercial do Paraná.

– Três destaques: A propósito, a Bancada do Paraná estréia com destaque na Câmara dos Deputados. Três representantes paranaenses foram eleitos para presidir comissões permanentes, entre elas a mais importante – de Constituição e Justiça, com Felipe Francischini. Ainda, Sergio Souza dirigirá a Comissão de Finanças e Tributação e, Luiza Canziani, a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher.

 

DOENÇAS DO OUTONO

A Associação Paranaense de Imprensa (API), em conjunto com o Centro de Estudos Brasileiros do Paraná (CEB), convida a todos para palestra sobre prevenção de doenças tropicais e oportunistas que aparecem com frequência no outono e inverno – a exemplo da febre amarela, gripe e meningite -, a ser realizada neste dia 15 (6ª feira), às 10:30 horas, na sede da API (R. Marechal Hermes, 678, sala 22 – Centro Cívico). A entrada é franca.

 

Para aqueles que vierem de carro, há convênio com o estacionamento localizado na R. Augusto Severo, 1063, a R$ 10,00 durante o período da manhã.

Mais informações pelo fone (41) 3026-0660 ou pelo e-mail api1934@gmail.com.