Para que sejam concluidos os documentos, é preciso que a adminisração dos parques resolva o problema da burocracia que encolve a conclusão das informações. Além disto, o grupo necessita a contratação de, pelo menos, 5 mil analistas, hoje existem cerca de 1,9 mil na função

Pouco mais de 60% dos 68 parques nacionais (Parnas) brasileiros, que ocupam mais de 25 milhões de hectares do território nacional, têm planos de manejo elaborados e em execução. Esses documentos reúnem todas as informações, como o zoneamento da área, as espécies ameaçadas, as atividades permitidas nos parques, além de orientar grande parte das decisões no dia a dia das unidades de conservação (UCs).

O problema das administrações dos parques e do Instituto Chico Mendes (ICMBio),  responsável pela gestão das unidades, é a burocracia e o modelo defasado que orienta a elaboração desses documentos.

“Às vezes demora tanto para concluir um plano desse que, quando aprovado, já está desatualizado. Isso é um empecilho à conservação [de espécies]”, disse o analista ambiental Alexandre Lantelme Kirovsky, coordenador substituto de Elaboração e Revisão de Plano de Manejo (Coman/ICMBio).

Técnicos do órgão ambiental, criado há seis anos, tentam concluir uma proposta de mudança desse roteiro que poderá valer a partir deste ano. “Estamos formulando uma metodologia nova, mais enxuta, objetiva e estratégica”, explicou Kirovsky.

A presidenta do site ECO e integrante da Comissão de Parques Nacionais da União Mundial para a Conservação da Natureza (UICN), Maria Tereza Pádua, destacou que burocracias como licitações públicas, exigidas pela legislação atual, são dispensáveis. “Só precisa planejar quais investimentos você tem nas mãos no momento”, disse.

A engenheira agrônoma e ex-presidenta do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) lembrou que o país viveu um boom de criações de UCs, inclusive as de usos diversos, como é o caso dos parques nacionais. “Quando comecei, eram 14 parques, hoje são 68 mas, infelizmente, o Brasil não causa impacto na real implementação da conservação”, avaliou. Segundo Tereza Pádua, o plano de manejo precisa ser simplificado e barateado.

Em 15 unidades, o documento está sendo revisado. No Amazonas, por exemplo, o plano de manejo do Parque Nacional do Jaú, e na Bahia, o documento do Parque Nacional do Descobrimento, estão em fase de elaboração com a participação da comunidade que vive no entorno da unidade.

Atualmente existem cerca de 1,9 mil analistas ambientais no instituto. Pelos cálculos dos funcionários, seriam necessários, pelo menos, mais 5 mil analistas.