Polônia sofre duras críticas por lei sobre Holocausto

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Presidente polonês Andrzej Duda ratificou a polêmica lei do Holocausto

Stella Testa sobreviveu ao Holocausto. Até hoje, as lembranças da Segunda Guerra Mundial são onipresentes para a mulher de 90 anos, que acompanhou com atenção o debate sobre a polêmica legislação sobre o Holocausto ratificada nesta semana pelo presidente da Polônia, Andrzej Duda.
“Eu não acredito que os poloneses estejam tentando se eximir de sua responsabilidade”, afirma a nonagenária, mostrando que, por um lado, ela compreende a posição do Legislativo e do presidente polonês.
Por outro lado, “não existe ninguém inocente”, diz. “Todos são culpados. Roosevelt também não era culpado? Por que [os Estados Unidos] não bombardearam Auschwitz?”, questiona.
Nascida na Macedônia, Testa foi obrigada a fugir dos nazistas e, na juventude, se escondeu junto a alguns partisans (guerrilheiros) no Leste Europeu. Os poloneses também tinham medo, lembra a sobrevivente.
“Quando eram questionados pelos alemães, denunciavam seus conterrâneos. Quando os nazistas vieram, meu vizinho até quis que eu fosse executada.” Mas, segundo ela, não se deve generalizar. “Trata-se de uma culpa individual.”

Polônia x Israel
Os primeiros-ministros da Polônia e de Israel, Benjamin Netanyahu e Mateusz Morawiecki, haviam concordado em criar um grupo de trabalho bilateral para fazer uma revisão histórica. Mas a Polônia não queria esperar, e o presidente Duda ratificou a controversa legislação sobre o Holocausto.
A lei prevê multas e penas de até três anos de reclusão se alguém, entre outras coisas, atribuir “publicamente e contra os fatos” ao povo ou ao Estado polonês a responsabilidade ou corresponsabilidade por crimes nazistas cometidos pelo Terceiro Reich. O Tribunal Constitucional polonês ainda precisa verificar se a lei viola a liberdade de expressão no país.
Por enquanto, o conflito entre Polônia e Israel se acalmou um pouco, pelo menos no âmbito governamental. O Ministério do Exterior de Israel espera que ambos os lados possam chegar a um acordo sobre mudanças na lei. “Israel e Polônia têm a responsabilidade compartilhada de estudar e preservar a história do Holocausto”, diz um nota do ministério israelense.