PIB cresce 1,5%

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A economia brasileira dá sinais de que absorveu os danos causados pela paralisação dos caminhoneiros em maio e começa a apresentar resultados positivos: a inflação atingiu um pico e já recua, a bolsa recuperou os níveis do primeiro trimestre e as exportações aceleram, impulsionadas pelas contramedidas adotadas por países em guerra comercial no eixo América do Norte/Europa/Ásia.

ANÁLISE
Em função desses indicadores a média dos economistas consultados pelo relatório Focus – produzido semanalmente pelo Banco Central – dá como segura uma expansão do PIB da ordem de 1,5%. O índice poderá ser um pouco maior se for confirmada a viabilidade de uma candidatura reformista para a Presidência nas convenções das próximas semanas. Outro fator favorável: a antecipação de parcela do abono natalino para aposentados.

ANÁLISE (II)
A realidade é que o Brasil tem uma trajetória sustentável de crescimento, apesar de alguns recuos que sensibilizam por sua agudeza. Assim, um aspecto vital da sociedade modernizada – o de telecomunicações – mostra aumento de 13% nos acessos da rede de alta velocidade, a 4G. Essa ampliação da cobertura elevou para 115 milhões o total de planos ofertados pelas operadoras de telefonia, beneficiando mais de 80% da população.

SEM ALARMISMO
Nas últimas semanas de funcionamento do Congresso antes do recesso eleitoral avultaram as chamadas “pautas-bomba”, sequencia de autorizações legislativas para gastos que podem chegar a R$ 68 bilhões. São benefícios para transportadoras, vantagens fiscais para regiões e estados, reajuste de servidores, etc. A contrapartida veio em pronunciamento do ministro da Fazenda: uma lei maior, a de responsabilidade fiscal, bloqueia despesas sem cobertura de receita.

ANÁLISE
As autoridades fazendárias se dispõem a fazer sua parte, retendo a chave do cofre. Mas a só tramitação de benesses dessa pauta-bomba reforça a tese de falência do modelo político baseado no presidencialismo de coalizão. Nesse arranjo adotado em má hora pelo Brasil – filho do sistema de representação por voto proporcional de lista aberta e da incontinência partidária – não há compromisso com o interesse público. Nele “a União restou órfã”, conforme lamentava o primeiro paranaense a ocupar uma cadeia de ministro do Supremo, Ubaldino do Amaral.

ANOMALIA COMPLICA
Detalhando o assunto de forma técnica o professor Carlos Melo do Insper explica que o Brasil atravessa um momento de “anomalia” que complica o jogo eleitoral. O modelo político chamado de “presidencialismo de coalizão entrou em colapso”, afirma esse PHD – um dos mais respeitados estudiosos políticos do país. Em vez de projetos de governo o presidente acaba forçado “a distribuir cargos para fazer maioria no Congresso”.

ANOMALIA (II)
O professor Melo ajunta haver uma superposição de crises – de fora e interna – que leva as pessoas a uma utopia regressiva: “como o futuro ficou nebuloso, fogem para o passado”. Isso explicaria a liderança nas pesquisas de dois candidatos de pólo político oposto (o escolhido pelo PT e o deputado Bolsonaro), enquanto os demais postulantes se chocam num centro indeciso, situação comparável à eleição de 1989.

ANÁLISE
A indefinição do cenário está empurrando as convenções partidárias para perto do final do prazo, 5 de agosto. Até lá permanece o jogo de barganhas em torno das alianças que os partidos do “Centrão” se propõem fazer. O bloco PR, PP, PRB, DEM, SD – focado em eleger deputados federais – não terá candidato presidencial e negocia com quem oferece mais perspectivas de vitória: à esquerda, Ciro Gomes; à direita, Geraldo Alckmin.
ANÁLISE (II)
Até aqui não houve batida de martelo para qualquer dos lados. Ciro poderia receber esse apoio, mas seu maior adversário é o gênio instável: nesta semana causou alvoroço ao xingar uma promotora pública paulista, além de se declarar contra as reformas modernizadoras mínimas já adotadas (trabalhista, privatizações). Já o ex-governador Alckmin é vitima de seu sucesso como gestor estadual. Após quatro mandados à frente do governo de S. Paulo parece não encarnar o perfil de estadista que o público espera.

VOTAR DE NOVO
Não há saída para a premier britânica Teresa May a não ser convocar nova consulta popular sobre a saída do país do seio da União Europa. A advertência é do ex-premier Tony Blair, impressionado com as dificuldades que o Reino Unido enfrenta para resolver a questão. Blair avalia que a data programada para a saída – 2019 – está próxima demais para a quantidade de problemas derivados do plebiscito que aprovou o “brexit”, ano passado.

ANÁLISE
Os gregos, formuladores iniciais do conceito de governo pelo povo, ensinavam que uma das vantagens da democracia é a sua flexibilidade: se os cidadãos de uma comunidade descobrem um erro em decisão anterior, podem voltar atrás e reformular o voto, evitando um dano maior. No caso britânico, as mil voltas que o governo May tem dado – enfraquecendo-se cada vez mais – apontam para essa lição da Grécia clássica.

ARRANJOS LOCAIS
No Paraná os dois pré-candidatos mais viáveis já correm o trecho. O deputado Ratinho Junior, que será consagrado em convenção deste sábado, esteve no Movimento Pró-Paraná, Instituto de Engenharia e Sindicato das Escolas Particulares. A governadora Cida Borghetti, retornando dos Estados Unidos – onde foi assinar contratos internacionais – começa a maratona eleitoral na segunda, visitando a mesma entidade de escolas.