PF atesta que Abin não teria como grampear conversa de Mendes

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Os aparelhos da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) não poderiam ter feito a escuta da conversa telefônica entre o presidente do Supremo Tribunal Federal.

Os aparelhos da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) não poderiam ter feito a escuta da conversa telefônica entre o presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, e o senador Demóstenes Torres (DEM-GO), atestou laudo da Polícia Federal (PF).

Os resultados da perícia feita pela PF foram encaminhados nesta quinta-feira à CPI das Escutas Telefônicas da Câmara, à Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência e ao ministro da Defesa, Nelson Jobim, que afirmou que a Abin tinha equipamento para fazer a escuta .

A perícia apontou que a Abin não poderia interceptar a conversa, pois o único tipo de equipamento que possui para fazer escutas só serve para linhas telefônicas fixas analógicas. A conversa que gerou a crise de espionagem foi feita entre a linha digital do Senado e o celular do presidente do STF.

A informação repercutiu no Congresso. Para o deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR), a notícia coloca o ministro da Defesa em uma situação delicada. Mostra também que havia mais suspeitas sobre a cúpula da Abin ou que o afastamento da direção da instituição foi precipitado.

"O laudo exclui a possibilidade de a Abin ter realizado essa escuta", afirmou à Reuters o parlamentar. Segundo o deputado Raul Jungmann (PPS-PE), no entanto, a Abin poderia ter contratado arapongas para fazer o serviço, pois não detalha todos os gastos que faz. Perguntado se a inocência da Abin estava provada, Jungmann negou: "Eu diria que, de forma definitiva e conclusiva, não."