A Petrobras divulgou ontem o balanço de 2014 da estatal. O atraso na divulgação ocorreu por conta das investigações da Operação Lava Jato. “Ao apresentarmos os dados estamos dando passo fundamental em direção ao pleno resgate da Petrobras junto aos seus acionistas, fornecedores, mercado e sociedade”, disse o presidente da empresa, Aldemir Bendine, antes da apresentação. “A partir daqui a Petrobras volta a garantir normalidade dos seus funcionamentos com investidores, acionistas e credores no Brasil e no exterior”, afirmou.

De acordo com as informações passadas à imprensa pela estatal, o prejuízo no ano passado foi de R$ 21,6 bilhões, em função, principalmente, da perda por desvalorização de ativos – impairment (R$ 44,6 bilhões), da baixa de gastos adicionais capitalizados indevidamente no âmbito da Operação Lava Jato (R$ 6,2 bilhões), do provisionamento de perdas com recebíveis do setor elétrico (R$ 4,5 bilhões), das baixas dos valores relacionados à construção das refinarias Premium I e II (R$ 2,8 bilhões) e do provisionamento do Programa de Incentivo ao Desligamento Voluntário-PIDV (R$ 2,4 bilhões).

3º TRIMESTRE

Relatório da Petrobras divulgado no site da estatal revela que no 3º trimestre de 2014 foi apurado prejuízo de R$ 5,3 bilhões. A diferença em relação ao lucro líquido divulgado em 27 de janeiro de 2015, de R$ 3,1 bilhões, reflete a baixa de gastos adicionais capitalizados indevidamente no âmbito da Operação Lava Jato (R$ 6,2 bilhões), além de um complemento de provisão para perdas com recebíveis do setor elétrico de R$ 1,6 bilhão.

O prejuízo de R$ 26,6 bilhões no 4º trimestre de 2014 refletiu a perda por desvalorização de ativos (impairment). A maior parte dessa perda foi relacionada às atividades de refino, devido a problemas de planejamento dos projetos, utilização de taxa de desconto com maior prêmio de risco, postergação da expectativa de entrada de caixa e menor crescimento econômico. Na atividade de Exploração e Produção o impairment ocorreu em função do declínio nos preços do petróleo.

PRODUÇÃO

Como destaque operacional, a produção de petróleo e gás natural (Brasil e exterior) cresceu 5% em relação a 2013, atingindo a média de 2 milhões 669 mil barris de óleo equivalente por dia (boed) em 2014. A produção do Pré-sal contribuiu com 381 mil bpd no ano, com recorde de produção diária de petróleo estabelecido em 21 de dezembro, com 713 mil barris.

No ano, quatro novas plataformas entraram em operação e 87 novos poços foram interligados no Brasil.

No refino, a produção total de derivados de 2014 foi de 2 milhões 170 mil bpd, 2% acima de 2013. Em novembro entrou em operação o 1º trem da RNEST.

Os investimentos totalizaram R$ 87,1 bilhões em 2014, uma redução de 17% em relação a 2013.