por Claudia Queiroz

De repente descobrirmos que estamos com saudades do que não somos mais, da companhia de quem iluminava nossos planos… Perdemos as pedrinhas que marcavam o caminho de volta pra casa e nos vemos perdidos, esquecidos por nós mesmos. Participamos da identidade coletiva de grupos que nos acolhem ou de alguém a quem tanto dedicamos nossa vida e deixamos de lado o que mais nos motivava. Engolirmos ‘seco’ aqueles pontinhos de luz que enfeitaram nossa imaginação.

Servir é bom, ser útil é muito importante, mas também, perigoso. Fácil demais se afogar no mar de pensamentos e zonas de conforto alheias. Deixamos pra depois lutas e prioridades, limitando a visão e seguindo o fluxo da promessa de estabilidade financeira, sucesso profissional e família com cara de comercial de margarina.

“Para tudo que quero descer!”. São tantos direcionamentos e caixinhas de terceiros, que nos esquecemos do nosso ‘quadrado’. Daí vem o tempo e transforma tudo em passado. Às vezes ‘malpassado’. Fica aquele eco rabugento nos lembrando que participar de algo que não queremos, para fazer coisas que não temos vontade, pode custar caro.

Fato é que quando nascemos estamos conectados à família. Cada descoberta, palavra, gesto, tom, expressão é uma graça comemorada entre suspiros e risos. A autenticidade promove essas explosões de euforia, especialmente porque crianças são anjos e todos gostam de ficar perto delas e ‘tocar’ as estrelas. Adoráveis manipuladores, esses pequenos também gostam de audiência e repetem feitos, satisfazendo o respeitável público.

A desconexão começa na busca de autonomia, independência, autoafirmação. Acho que coincide com o início da vida adulta. Duvidamos até da origem, achando que teremos enfim nossa própria identidade. Seguimos os anos colecionando qualidades, escondendo defeitos e então nos percebemos solitários na própria companhia.

Desconectados de nós mesmos, não é raro enfrentarmos dilemas por saltarmos instantaneamente entre momentos isolados e lapsos de desejos de pertencimento. Até porque é bem conveniente gritarmos ‘silenciosamente’ por independência enquanto estamos aninhados no aconchego do colo de quem nos garante proteção, não é mesmo?

Mas ouvimos uma música que marcou um momento doce. Sentimos um cheiro que lembra algo confortável. Percebemos a textura familiar no sabor… E então um monte de sinapses nervosas piscam até compreendermos que estamos em processo evolutivo, seguindo o fluxo, arriscando nosso melhor possível para darmos sentido ao coração.

Somos a realização do sonho de alguém. A pessoa mais importante do mundo! Única responsável pela própria felicidade. Redigimos uma lista invisível de desejos e estabelecemos metas dentro de nós mesmos para construirmos a própria história. Cá entre nós, todo mundo tem seu enredo, evidente que alguns mais interessantes que outros. Mas cada pedrinha encontrada nesta trilha, cada nova estrela vista e suspirada, guarda na memória o desenho que nos indica o caminho ideal para sermos simplesmente extraordinários. 

É preciso coragem para começar essa jornada. Maior ainda a ousadia para mantê-la até o fim. Vale à pena acender a luz da inspiração! O inventor Thomas Edison descobriu 10 mil maneiras que não funcionaram antes de produzir a primeira lâmpada incandescente, provando a todos que a maior fraqueza humana está em desistir. Então siga adiante, pense diferente e arrisque. Você pode tropeçar na felicidade logo ali.

*Claudia Queiroz é jornalista.