Simbolizado pelo laço marrom – que representa a cor da íris da maioria dos brasileiros, o movimento ‘Abril Marrom’, ganha força no Paraná com ações e orientações preventivas no combate às principais doenças que causam a perda da visão. Segundo estimativas do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), existem cerca de 1,2 milhões de brasileiros cegos e 35 milhões sofrem de problemas de visão (19% da população). A região Sul do país possui a maior proporção de deficientes visuais (5,9%), de acordo com o IBGE.  As principais causas da cegueira são:  Catarata, Glaucoma, Retinopatia Diabética e Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI).

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), apontam que, oito a cada dez casos de perda de visão poderiam ser tratados e evitados se detectados precocemente. Para a médica oftalmologista e diretora do Hospital de Olhos do Paraná, Dra. Luciane Moreira, ter informações a respeito das doenças que podem levar à cegueira é o primeiro passo para a população adotar medidas preventivas. “O ideal é realizar exames e frequentar oftalmologistas desde o nascimento. É recomendável que os pais exijam que o teste do olhinho seja feito na maternidade e levem os filhos uma vez por ano ao especialista, a partir de os três anos de idade. Essa frequência deve ser feita ao longo da vida, principalmente após os 40, porque é o momento em que as principais doenças começam a surgir”, afirma.

Pensando na necessidade de informação, durante todo este mês, o Hospital de Olhos do Paraná vai promover uma série de ações orientativas. “Há 44 anos, nossa equipe trabalha diariamente com a missão de contribuir no tratamento e manutenção da saúde ocular da população paranaense. Essa é a nossa missão junto à sociedade, e neste mês, em especial, vamos intensificar o trabalho para que milhares de pessoas sejam impactadas e conscientizadas sobre cada doença e a importância do check-up oftalmológico”, enfatiza Moreira.

Frotas de táxis irão circular pela cidade adesivados com uma campanha agressiva e reflexiva. Além disso, passageiros receberão materiais gráficos/impressos que abordam a importância do check-up oftalmológico periodicamente. “A ideia é impactar passageiros e motoristas que circulam pela cidade e promover uma autorreflexão sobre hábitos, que podem interferir direta ou indiretamente na saúde dos olhos”, explica Michelle Casarini, responsável pelo departamento de Comunicação do HOP. Também serão elaborados conteúdos exclusivos para as redes sociais do hospital com o mote ‘A vida acontece no olhar. Não perca nenhum detalhe’.

De acordo com o último Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2010, 6,5 milhões de pessoas possuíam alguma deficiência visual: 528.624 eram cegos e 6.056.654 tinham baixa visão ou visão subnormal (grande e permanente dificuldade de enxergar). O cuidado com a saúde dos olhos deve ser algo diário. Portanto, qualquer mudança é importante visitar um médico oftalmologista e realizar o check-up ao menos uma vez por ano.

O movimento ‘Abril Marrom’ foi criado em São Paulo em 2016 e a cada ano tem ampliado a sua atuação entrando para o calendário das principais cidades no Brasil.

Catarata

Doença caracterizada pela perda de transparência (opacidade) do cristalino (lente localizada atrás da íris), a catarata pode ser classificada como secundária ou senil. A catarata secundária pode estar relacionada a inúmeros fatores, tanto oculares quanto problemas sistêmicos; a catarata senil ocorre devido ao envelhecimento natural do cristalino. Segundo o Conselho Brasileiro de Oftalmologia, 85% dos casos de cataratas são classificadas como senis, com maior acometimento na população acima de 50 anos.

Por se tratar de uma doença progressiva, somente a cirurgia de substituição do cristalino, gera resultados efetivos e definitivos para a recuperação da visão. Ao notar a visão embaçada, dificuldade para dirigir à noite por conta do brilho dos faróis, visão com feixes de luz e sensação de melhora da visão ao aproximar os objetos, com piora logo em seguida, é necessário buscar ajuda do oftalmologista.

Glaucoma

Essa doença desafia a medicina e é a principal causa de perda irreversível da visão. E isso se deve ao fato de o glaucoma ser silencioso. Quando surgem os primeiros sinais, o risco de o paciente ter importante perda da visão é iminente e definitivo. Resumidamente, a doença surge quando o nervo óptico começa a apresentar danos. A informação deixa de percorrer de forma correta o trajeto entre o olho e o cérebro. De maneira gradual, lenta e imperceptível, surgem “pontos cegos”, que só serão percebidos depois de um dano considerável. Quando todo o nervo é destruído, ocorre a cegueira, que é caracterizada por danos no nervo ótico que podem levar à perda total de visão devido ao aumento da pressão intraocular (PIO). Como o nervo ótico é o responsável por levar as informações que vemos ao cérebro, qualquer dano nessa região pode interferir na qualidade da visão.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que 1 a 2% da população, acima de 40 anos, é portadora de algum tipo de glaucoma, que causa cegueira irreversível.

Degeneração Macular Relacionada à Idade

A DMRI é a principal causa de cegueira legal irreversível. Nos Estados Unidos estima-se que 8 milhões de pessoas apresentem essa doença e que 6-10% dos idosos entre 65 e 74 anos sejam acometidos. Já entre os que apresentam mais de 75 anos, a incidência aumenta para aproximadamente 30%. Ocorre geralmente depois dos 60 anos de idade e acomete a visão central dos pacientes, dificultando a leitura.

Entre os fatores de risco, encontram: idade, sexo, tabagismo, doenças cardiovasculares, obesidade, hipertensão arterial sistêmica e hipercolesterolemia. Pessoas de pele mais clara e olhos claros também apresentam maior chance de desenvolver a doença. A herança genética é outro importante fator de risco. Portanto, aquelas pessoas que apresentam história familiar de DMRI, devem procurar seu médico oftalmologista/retinólogo para avaliação de fundo do olho. O Hospital de Olhos do Paraná apresenta a mais alta tecnologia para realizar o diagnóstico precoce, fator esse fundamental para um bom prognóstico visual com o início do tratamento.

Retinopatia Diabética

A Diabetes Mellitus é a maior causa de cegueira evitável em países desenvolvidos e em desenvolvimento. A prevalência de diabetes mellitus (DM) está crescendo no mundo, consequentemente a prevalência de retinopatia diabética (RD) aumentará drasticamente. Segundo estudos, a prevalência de RD em pacientes com DM tipo 1 é de 50,1%. Já em pacientes com DM tipo 2 a prevalência é de 35-39%. Mesmo sendo uma doença com graves consequências visuais se não controlada e tratada, apenas aproximadamente 60% das pessoas com DM fazem o acompanhamento anual para RD.

Com o avanço tecnológico na oftalmologia, a detecção de alterações retinianas relacionadas ao diabetes tem sido cada vez mais precoce e mais segura aos pacientes. Atualmente, o Hospital de Olhos do Paraná conta com aparelhos diagnósticos de primeira linha, como a retinografia/angiografia de grande angular e a angiografia por tomografia de coerência óptica. A primeira é capaz de avaliar até a extrema periferia retiniana, detectando alterações iniciais da retinopatia diabética. Já a última fornece imagens de alta definição da vascularização da região central da retina (mácula), sem a injeção de contraste, sendo, portanto, não-invasivo. Vale lembrar que nenhum desses exames exige dilatação da pupila. Para finalizar, quando detectada de forma precoce, a retinopatia diabética apresenta excelente evolução, com o controle glicêmico e tratamento adequado.