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O governo mexicano pretende aumentar o combate a imigração ilegal em seu território com o uso de milhares de soldados e propôs um acordo que permitiria aos EUA deportar com mais facilidade pessoas da América Central que pedem asilo no país.
Os detalhes da proposta mexicana foram divulgados nesta quinta-feira (6) pelo jornal The Washington Post, que conversou com representantes dos dois lados da negociação –nenhum deles teve o nome revelado.
O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou em 30 de maio que pretendia impor a partir da próxima segunda-feira (10) uma tarifa de 5% nos produtos oriundos do México caso o país não tome medidas para conter a imigração ilegal para o território americano.
Trump, que fez do combate a imigração ilegal uma de suas prioridades de campanha, quer ainda que a alíquota suba mensalmente até o país vizinho conseguir conter o fluxo de imigrantes da América Central que entram nos EUA.
Por isso, na quarta (5) representantes dos dois países se reuniram na Casa Branca para tentar resolver a questão, mas não conseguiram chegar a um acordo.
As conversas prosseguem por esta quinta e incluem, pelo lado americano, o vice-presidente Mike Pence, o secretário de Estado Mike Pompeo e o secretário de Segurança Interna Kevin McAleenan. Do lado mexicano o representante é o chanceler Marcelo Ebrard.
Segundo as informações do Washington Post, o governo do presidente Andrés Manuel López Obrador se disse disposto a enviar 6.000 oficiais da Guarda Nacional para a fronteira do país com a Guatemala, principal ponto de entrada dos imigrantes da América Central, para tentar diminuir esse fluxo.
Além disso, também seriam construídos em todo o país novos centros de detenção de imigrantes e pontos de checagem para barrar a passagem.
O México sugeriu ainda um acordo entre ele, os EUA e os países da América Central para dificultar a concessão de asilo aos imigrantes ilegais. Segundo a proposta, o imigrante só poderia pedir refúgio no primeiro país que ele entrar após deixar o seu.
Caso o migrante pedisse asilo em outro país, este poderia deportá-lo imediatamente para o primeiro país que ele passou.
Pela regra, quem sair da Guatemala, por exemplo, teria que pedir asilo no México e caso a pessoa conseguisse chegar até os EUA, o governo Trump poderia deportá-la de volta para o México rapidamente.
Na prática, isso significa que nenhum imigrante da América Central que vá para os EUA por terra poderá pedir refúgio no país, já que ele obrigatoriamente teria que passar por outras nações no caminho. Atualmente não há nenhuma limitação para este tipo de pedido.
De acordo com o México, com a implementação de todas essas medidas o número de imigrantes que entram ilegalmente nos EUA cairiam para menos da metade.
Segundo os dados do governo americano, em maio 114 mil pessoas foram detidas tentando entrar no país pela fronteira sul, a maior quantidade em 13 anos. O México afirma que esse número irá cair para 50 mil caso as propostas sejam aceitas.
Não está claro, porém, se o acordo será suficiente para Trump desistir da imposição de tarifas, já que a Casa Branca quer que o número de detenções na fronteira caia para menos de 20 mil por mês, nível em que estava quando o republicano assumiu o cargo.
Na manhã desta quinta o americano falou sobre o caso antes de participar das comemorações de 75 anos do Dia D na França. Trump disse que as negociações podem levar a “algo dramático”, mas que por enquanto seus planos não mudaram.
“Nós avisamos os México que as tarifas vão ser implementadas. E falo sério”, afirmou ele. O republicano também criticou a ideia de senadores de seu partido que pretendem impedir a criação das tarifas.