KARINA MATIAS
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Sabe aquele vestido que está há mais de um ano no armário, mas nunca foi usado? Ou aquela camisa, que apesar de já ter composto vários “looks” incríveis, hoje não combina mais com o seu estilo? Já pensou que essas peças podem ficar ótimas em uma amiga? E que, talvez, esta amiga tenha no guarda-roupa dela uma saia que seria a ideal para aquela festa de fim de ano que você vai ter?
Por que, então, não reunir todos esses itens em uma tarde regada a café, conversa e moda? Esse tipo de bazar, que nada mais é do que uma troca de roupas e acessórios entre amigas, tem se tornado cada vez mais comum entre mulheres de diferentes idades.
A proposta é simples e, em tempos de crise econômica, ajuda a reciclar o que se tem em casa gastando pouco ou quase nada. E vem ao encontro de um movimento observado no mundo fashion, que pede um consumo mais consciente e ecológico.
“Uma grande parte do meu guarda-roupa é formado por peças de troca ou que adquiri em brechós. Só compro algo novo se for muito diferente do que já tenho ou o que eu preciso substituir, porque está danificado”, diz a personal stylist Luana Straccialini, 37, que costuma organizar bazares entre as suas amigas.
A ideia dela de promover esses encontros surgiu ao observar o comportamento de suas clientes, que não sabiam o que fazer com peças mais caras ou novas que não usavam. “Eu percebia que elas se sentiam melhor quando eu sugeria de doar essas peças para pessoas próximas, como irmãs, mãe ou amigas.”
Daí para o bazar de troca foi um pulo. A terapeuta Renata Scarelli Fernandes, 34, é amiga de Luana e também adepta do movimento. “É bem legal, porque além de conversar, vira e mexe, nestas reuniões de amigas, levamos roupas e acessórios. Tem uma blusa, por exemplo, que eu adorei na loja, mas que não tinha o meu número. Em um desses bazares, encontrei a mesma peça, exatamente do meu tamanho.”
Para não dar confusão, Straccialini diz que é bom estabelecer algumas regras, que podem ser definidas em comum acordo por todo o grupo. No caso delas, por exemplo, roupas que não encontraram uma nova dona são levadas para serem doadas a alguma entidade beneficente. Se há mais de uma interessada em um mesmo artigo é feito um sorteio.
“A ideia é desapegar”, afirma a personal stylist. Para a profissional, além da economia de grana, garimpar roupas com as amigas ou em brechós é uma forma, também, de ter um visual mais autêntico. “Quando você compra só as tendências ou aquilo que está na moda, a impressão é a de que está todo mundo igual com o mesmo estilo. Gosto de peças diferentes.”