Subproduto do fortalecimento do presidente Bolsonaro, o desdobramento das manifestações populares do último domingo levou o chefe do ramo executivo a propor um pacto de governabilidade aos seus pares do Legislativo e do Judiciário. O documento, ainda em preparo, aponta para a retomada do crescimento e mitigação do desemprego, conforme linha sugerida pelo presidente do Supremo.

Análise

Embora encarado com ceticismo por alguns setores, o pacto articulado por Bolsonaro traz um sentido simbólico: reforça a harmonia entre os poderes, condição essencial para a democracia e sinaliza, acima de tudo, um aceno de pacificação nas relações entre eles. Ao superar o ambiente conturbado das últimas semanas, a proposta já é um benefício tangível para a nação.

 

FÔLEGO DAS RUAS

Com as manifestações do domingo, o governo Bolsonaro ganhou fôlego para alavancar suas agendas, sobretudo a relacionada com reformas estruturais. A renovação dos compromissos expressos anteriormente nas urnas, em favor do dirigente, foi lida pelo Congresso, que acelerou a arrastada marcha das reformas (a administrativa já foi aprovada), e pelo Judiciário (este no rumo de uma autocontenção).

Análise

Ainda, o pacto de governabilidade com as demais instâncias do poder é pressuposto para o sucesso do governante, num sistema presidencialista de coalizão como o vigente entre nós. A negociação, conduzida de forma eficaz, faz parte das regras do jogo democrático. Como indicou o pensador político Sergio Abranches, no mundo mais de uma dezena de países funciona sob alguma forma de governo de coalizão, de modo transparente, regular e com base num programa comum – como Portugal, Espanha, Alemanha, Reino Unido, Itália, etc.

 

UM PÉ NO CLUBE

O Brasil está com um pé no clube dos ricos, a OCDE. Governos de países representativos já membros, sobretudo os Estados Unidos, apoiaram o processo de admissão brasileiro durante a última reunião da organização em Paris na semana passada. A retirada do bloqueio americano foi obtida após a aproximação do governo Bolsonaro com a administração Trump, destravando o pedido de ingresso, formulado anteriormente pela gestão Temer.

UM PÉ NO (II)

A formalização da entrada de novo membro é demorada, de dois a três anos, porém a vantagem brasileira é que o país já cumpre um terço dos protocolos adotados pela OCDE (direitos de propriedade, regras de comércio, questões tributárias, etc.), participando como observador em vários comitês. O secretário do órgão, o mexicano Angel Guria, vê com simpatia o ingresso, por equilibrar a balança em favor de países da América Latina.

Análise

Formada após o Plano Marshall, que resgatou a Europa da destruição causada pela II Guerra Mundial, a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico é integrada hoje por 36 países. Vários deles estão situados fora do bloco original, que incluem Estados Unidos, Canadá, Reino Unido e outros. Considerado a primeira divisão da economia global, o “clube dos países ricos” baliza seus regulamentos em dois eixos: democracia política e liberdade econômica.

Análise (II)

São padrões rígidos cuja observância garante estabilidade e qualidade de vida, declarou uma diplomata do exterior que serve em Curitiba. Por isso o Brasil vinha se esforçando, desde o mandato do presidente Fernando Henrique, para acompanhar as normas da OCDE, esforço abandonado nas gestões petistas e retomado em 2017 pelo governo Temer. Agora, sob Bolsonaro, avançou um degrau, com a retirada do bloqueio americano.

 

RECUPERAR O PASSO

A sinalização para o ingresso na OCDE pode ser positiva para o Brasil recuperar o passo do desenvolvimento. Além de fixar padrões elevados, a organização dá suporte aos quadros dos países membros, apoiando-os na adoção de práticas eficientes que promovam desenvolvimento econômico e social – seu programa de avaliação e suporte em educação, por exemplo, é exemplar.

 

Análise

Esse apoio será fundamental para o Brasil, que ficou para trás nas últimas décadas – crescendo menos que a média mundial e até a dos parceiros do mundo emergente. Assim, dados do economista Armando Castelar (Fundação Getúlio Vargas) mostram que nosso PIB per capita em 1980 – de 39% do correspondente dos EUA – caiu em 2018 para 25,8%. Já o Chile, no mesmo período, saltou de uma relação de 27,4% para 41,5%, elevando seu valor paritário para US$ 23 mil (do Brasil, US$ 14,4 mil).

 

LEVIATÃ DEVORA

O monstro Leviatã acaba de devorar mais uma vítima: a primeira ministra britânica Tereza May, vencida pela armadilha do “brexit” – a confusa tentativa de saída do Reino Unido (Inglaterra, Escócia e Irlanda do Norte) do arranjo europeu. Depois de fracassar por três vezes na aprovação de um plano de retirada no Parlamento, a primeira ministra não resistiu às pressões de seu próprio partido, o Conservador, e anunciou a renúncia.

Análise

É fato que a Sra. May não criou o embrulho. Este foi deixado por seu antecessor – o juvenil líder David Cameron, que propôs uma consulta popular “de brincadeira” e foi surpreendido: o resultado lhe foi desfavorável e ele caiu do poder. O contraponto da confusão é que os políticos céticos que apontavam o dedo contra a União Europeia se fecharam em cautela nas recentes eleições para o Parlamento comum, preferindo temas desviantes que, por superficiais, acabam fortalecendo a coesão do bloco de nações ocidentais.

 

SEMANA DO MEIO AMBIENTE

A Associação Paranaense de Imprensa (API) está apoiando a Coalizão Paraná Sustentável, juntamente com o Instituto de Engenharia do Paraná (IEP), na realização do evento em celebração da Semana do Meio Ambiente, entre os dias 11 e 13 de junho, na sede do IEP (Rua Emiliano Perneta, 174 – Centro). Com exposições e painéis de professores, médicos e engenheiros, o evento terá como tema as preocupações ambientais no Paraná, com foco em soluções e medidas no presente e avanços para o futuro. Toda a programação é gratuita.

Rafael de Lala e Vagner de Lara, jornalistas;

David Ehrlich – Graduado: Comunicação Social – Jornalismo pela UFPR.

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