A visita do ex-ministro e advogado Sepúlveda Pertence ao Supremo Tribunal Federal, para apelar pela reabertura de julgamento para revisar o princípio da prisão em segunda instância pode resultar numa fórmula que pacifique o cenário político. O modelo – apoiado por círculos da opinião informada – permitiria manter o ex-presidente Lula fora da prisão, mas impedido de disputar a próxima eleição, pelos efeitos da condenação que sofreu em juízo colegiado.

PACIFICAR (II)
Essa solução pacificadora é recorrente na História brasileira, conforme ensina Afonso Arinos. Em 1840 uma solução negociada permitiu antecipar a maioridade do então príncipe Pedro de Alcântara, tangenciando a Constituição de 1824, que exigia 18 anos para o ocupante do trono. Em 1961 o Congresso votou de urgência um ato parlamentarista que adiou o conflito às portas. Mesmo o reconhecimento da Independência, em 1822, derivou de uma clausula secreta negociada pela … marquesa de Santos, favorita do imperador Pedro I.

ANÁLISE
Na crise presente os ministros do Supremo Tribunal poderiam aceitar que um réu somente sofra execução da sentença de prisão após confirmação pelo Superior Tribunal de Justiça, uma terceira instância na esfera penal. Com isso o ex-presidente Lula teria sua prisão suspensa, embora impedido de concorrer e também de fazer campanha política, por estar com direitos suspensos. Fórmula pacificadora que – ao reduzir a turbulência – beneficiaria a retomada do país, após uma década perdida.

PERFIL PRESIDENCIÁVEL
Iniciado semana passada pelo Grupo de Discussões “Pensar IDL” do Instituto Democracia e Liberdade, o levantamento sobre o perfil esperado de um candidato presidenciável ganhou nova dimensão. O empresário Paulo Henrique Wedderhoff e o publicitário Luiz Teixeira ampliaram o conjunto de requisitos que podem auxiliar o eleitor na seleção do melhor pretendente ao Palácio do Planalto.

PERFIL (II)
Entre as qualidades, tidas como positivas nesse perfil, os dois pesquisadores do IDL propõem: idoneidade pessoal (reputação reconhecida), experiência (histórico de gestão político-administrativa), atitude (energia pessoal moderada por bom senso), liderança (capacidade de aglutinar pessoas), densidade política, inspirador (portar propostas novas), integridade (valores morais resilientes).

ANÁLISE
Outro conselheiro da equipe de pensamento do Instituto presidido pelo empresário Edson Ramon, Cid Parigot de Souza, ajunta que, sob a ótica do IDL, o pretendente à Presidência deve ostentar provada mentalidade democrático-liberal. Ainda, replicando técnica de análise usual em economia, Cid propõe que o eleitor atribua pontos aos candidatos conforme sua percepção das qualidades deles, o que lhe facilitará a escolha.

O MELHOR E O POSSIVEL
Fernando Gabeira, jornalista, ex-ativista e ex-candidato de esquerda (inclusive à Presidência), em análise para o suplemento de fim de semana do jornal “Valor”, prefere “o candidato menos perigoso, uma solução conciliatória”. Porém, admite que “o Brasil pede líderes com personalidade forte, sempre perto do extraordinário; um homem comum, nada carismático, não vai preencher esse espaço”.

ANÁLISE
O antigo militante marxista, hoje reposicionado no centro do espectro político, lembra que a crônica nacional sempre valorizou tais figuras: Getúlio, Jânio, Lula. Mesma fórmula de outros países: Churchill na Inglaterra, De Gaulle na França; e, agora, Trump nos Estados Unidos e Putin na Rússia. Mas no Brasil de hoje o ideal seria evitar soluções de conflito: “alguém de centro como o presidente francês Emmanuel Macron”.

MEIO INDIRETO
Enquanto nomes de presidenciáveis vão sendo apresentados à opinião pública, seus contornos podem ser identificados a partir da parcela já conhecida de suas biografias e, ainda, dos apoiadores e assessores que os acompanham. Por ora foram divulgados para alguns postulantes, experts que frequentam o noticiário: Roberto Mangabeira Unger e Nelson Marconi (Ciro Gomes), Paulo Guedes (Jair Bolsonaro), Pérsio Arida e José Roberto Mendonça de Barros (Geraldo Alckmin).

ANÁLISE
Além desses citados, outros profissionais e membros da academia deverão ser recrutados, à medida que a campanha se aprofunde. Consta que o governador Alckmin terá o apoio de Roberto Gianetti da Fonseca, expert em comércio exterior; o deputado Bolsonaro terá o delegado da PF e deputado Fernando Francischini e o senador Álvaro Dias ganhará o apoio do ex-governador e engenheiro Mario Pereira, entre outros.

FORUM NO BRASIL
A edição latino-americana do Fórum Econômico Mundial, que acaba de ocorrer em São Paulo, girou em torno do impacto das novas tecnologias sobre uma região em desenvolvimento. Em especial, o fundador do Fórum, Klaus Schwab, alertou para a chegada da Quarta Revolução Industrial, que funde métodos de produção com a tecnologia da informação, conectando áreas físicas, digitais e biológicas.
ANÁLISE
A expansão do evento, criado na década de 1970 para debater um tema preocupante na época – o desenvolvimento com inclusão para reduzir desigualdades -, demonstra que é possível agir a partir de uma perspectiva de continuidade. Hoje a edição internacional do Fórum reúne, na pequena cidade suíça de Davos, milhares de estudiosos, homens de negócios e líderes de nações; além de ativistas com causas as mais variadas.

NO PARANÁ
A aproximação da data de afastamento por desincompatilização, dos titulares de cargos executivos que pretendem se candidatar a outras funções no próximo pleito, movimenta o cenário político. No Paraná o principal impacto será representado pela eventual saída do governador Beto Richa do Palácio Iguaçu para concorrer a uma das duas vagas de senador; e do ministro Ricardo Barros, da Saúde, que deve disputar a recondução para deputado federal. No caso do Governo Estadual, a posição de Richa deverá ser ocupada pela atual vice-governadora Cida Borgheti.