O mundo vínico nos traz cada vez mais surpresas, mostrando que quanto mais nos aprofundamos em seu estudo mais nos encantamos, que faz uma realidade a frase que sempre repetimos em nossos cursos, palestras e matérias em nossas Colunas vínicas “Degustar o que você já conhece é perder a chance de se surpreender”. Como temos mostrado, cada país do mundo vínico procura desenvolver um produto conforme as necessidades que enfrenta e o que se lhe apresenta, nem todos têm a facilidade de um bom “terroir” que possa lhe proporcionar ótimos vinhos das uvas Vitis Vinifera. Mas, a criatividade do homem não tem limites e para isto, mais uma vez vamos surpreender nossos leitores (as), como já fizemos tantas vezes em especial nestas duas últimas edições de nossa Coluna VINUM VITA EST, agora um livro, com as matérias sobre o KASHER O VINHO JUDAICO e OS VINHOS DO ORIENTE que agradecemos as manifestações de apreço e admiração de inúmeros leitores que nos cumprimentaram pela qualidade das matérias e esclarecimentos contidos em mais esta aula sobre vinhos, nos deixando mais felizes por estarmos realizando nosso trabalho como SOMMELIER e ENÓFILO, ensinando sobre o maravilhoso mundo vínico e agora trazemos até vocês, o famoso ICE WINE em inglês ou EISWEIN em alemão ou ainda com VIN DE GLACE em Frances, que significa VINHO DO GELO, ou “o vinho que veio do frio” por serem produtos elaborados nas regiões mais frias do mundo vínico, Canadá e Alemanha. São vinhos de uvas colhidas tardiamente em dezembro ou mesmo janeiro no hemisfério norte, a uma temperatura de oito a dez graus negativos, ficando os bagos de uvas recobertos por uma película de gelo, dura como vidro. Levadas à prensagem com essa película, apenas a uva com alto teor de açúcar concentrado é prensada, ficando o gelo na prensa. São vinhos extremamente caros e provenientes de vindimas ocasionais, assim mesmo em pequeníssima quantidade – 1.000, 1500, no máxima 2.000 garrafas por ano em todo a Alemanha e são vendidos em meias garrafas diferenciadas. Esses vinhos chegam raramente ao mercado normal, bem como aos restaurantes e adegas. São guardados e consumidos parcimoniosamente pelos próprios produtores, em copos bem pequenos. Diz-se de brincadeira, que são degustados em dedais.
No Canadá é a especialidade cimeira, conforme informa nosso colega enófilo e homônimo Professor José Osvaldo Albano do Amarante, um dos maiores especialistas na matéria do país, em sua obra Os Segredos do Vinho Para Iniciantes e Iniciados, editado pela Mescla Editorial, sendo um vinho do tipo Late Harvest (Colheita tardia). Em 1973, a Hainle elaborou o primeiro ICE WEIN canadense na região de Okanagan Valley. Atualmente o Canadá é o maior produtor global de vinhos do gelo, à frente de Alemanha e Áustria. É produzido exclusivamente nas províncias de Ontário (Niagara Peninsula é a principal região) e British Columbia. Aliás, Ontário é a única região do globo que produz ICEWINE todo o ano, dado o intenso frio , típico do Canadá, aqueles que o conhecem sabem do quanto é frio chegando Toronto, sua capital a terem cidades subterrâneas, com Shoppings, metros e todas as facilidades de uma cidade para que a população possa ter vida. A maioria das uvas empregadas é de brancas de casca grossa, como Riesling e Vidal. A segunda – uma hibrida, é mais barata, mas capaz e elaborar vinhos de alta qualidade. Na minha modesta opinião, os vinhos de Riesling, a grande uva alemã, considerada tecnicamente como a melhor uva branca elaborada no mundo vinico são melhores e mais elegantes que os de Vidal. Os ICEWINES tintos de cepa Cabernet Franc, tintos, são bem curiosos. O Canadá ainda produz dois espumantes muito particulares. O primeiro é o Sparkling (termo em inglês para denominar espumante, Champagne só na França e da região de Champagne) Dosage ou Dosage of Icewine, um espumante especial elaborado pelo método tradicional, cuja dosagem seja exclusivamente de vinho ICEWINE. Uma das grandes produtoras deste vinho especial no Canadá é a CAVE SPRING, fundada há cem anos por imigrantes italianos. Incapazes de plantar suas castas favoritas, italianas, partiram para o que era tradição na região, plantaram Vidal, híbrido francesa. Mas a frustração ficou. Pelo clima frio, pluviometria semelhante ao norte da Europa continental viram que podiam arriscar algumas brancas européias no sul da província de Ontário. E vieram também Chardonnais e Riesling, muito bem adaptadas, com qualidade nas margens calcárias do Lago Ontário, na região da península das Cataratas do Niagara, que vem estampada nos rótulos, como denominação de origem. É a fronteira lacustre com os Estados Unidos. O Riesling é especialmente característico, tem a cortante presença na boca dos alemães, embora a acidez seja mais alta e a secura definitiva. Quando a própria Alemanha tem dificuldade de produzir vinhos secos , os “trocken”, pelo excesso de calor dos últimos anos, o Cave Spring é a solução, seco como um osso, tradução literal do Bone Dry do rótulo.
Existe alguma confusão em torno do Eiswein, devida possivelmente a sua raridade ou simplesmente desinformação. Alguns o confundem com o Vin de Glace (também vinho de gelo) suiço é originário de Valais. São vinhas antigas, existentes desde o tempo dos romanos e localizadas nos contrafortes dos Alpes a 1.100 mts de altura, acima do Rio Rhone (Ródano). Após a colheita o vinho é conservado nas aldeias. São vinhos brancos e geralmente duros.
Cremos ter trazido um novo conhecimento do mundo vínico a todos nossos leitores (as) numa matéria que é difícil encontrar até em muitos livros por ser muito rara e de pouca divulgação, mas aqui está a curiosidade vínica do VINHOS DAS FRONTEIRAS GELADAm S
Citando Marcelo Copello, um dos grandes enófilos brasileiros “ há mais coisas entre a língua e o céu da boca com que ousa sonhar nossa vã gastronomia”.
Quando algum amigo for ao Canadá ou à Alemanha, peça-lhe uma garrafa desta preciosidade, você vai se surpreender.
BRADO DE SAUDAÇÃO A DIONÍSIO E BACO.

Osvaldo Nascimento Juniors.:
Advogado, Empresário, Enófilo, Sommelier, Colunista, Consultor e Palestrante de Vinhos, autor do livro sobre vinhos VINUM VITA EST – A HISTÓRIA VISTA PELO VINHO, pela Editora Prismas de Curitiba, um convite ao leitor(a) a uma viagem cultural e didática pelo apaixonante universo da Enologia. Custo do investimento R$ 65,00 pelo fone (41) 99688-9252 ou osvaldo pinheiro@gmail.com