por Claudia Queiroz

O renomado chef Fabiano Marcolini descobriu a vocação para padeiro nas muitas horas em que ficava de castigo durante a infância. Arteiro, gastava energia enquanto amassava o pão que seria assado no forno à lenha, na cozinha cheirosa da fazenda em que vivia no interior paulista.

Anos mais tarde, trabalhando num famoso restaurante londrino, via crescer ‘sem fermento’ as saudades da mãe amorosa e das memórias afetivas plantadas por ela em seu coração.

Naquele tempo, as cartas demoravam um mês pra chegar e ligações telefônicas eram consideradas luxo, pois custavam boa parte do salário dele. Foi então que matriculou-se num curso para bordadeiras em Londres. A cada aula ganhava um dedal. Começou sua nova coleção junto ao grupo de senhoras que passavam semanalmente a tarde tomando o delicioso chá das 17h.

O ano passou e os dedais artesanais lotaram uma lata, dessas grandes de biscoito importado. E com a paciência de quem sabia esperar o tempo certo, cozinhou sua declaração de amor à mãe até o dia em que serviu a ela esta surpresa em forma de banquete: o pote de dedais!

De encher os olhos também foi a declaração que o diretor de marketing de um importante jornal, Luiz Antônio Gonçalves, fez à própria mãe. Quando passou em engenharia na USP, contrariando a vocação para medicina de toda sua família, vendeu o fusca zero que havia ganho do pai para comprar, de presente à sua mãe, um anel de diamantes bem expressivo. Desejo de muitas mulheres, essa jóia é conhecida como ‘chuveiro de brilhantes’.

De fato, tesouros e amores merecem a chave mais importante da vida.  E foi no Dia das Mães que meu querido, Jacyr Leal, fez sua estréia especial para a mãe Dorotéia. Presente melhor que esse? Manter o brilho das boas vindas ao acessar as portas do céu e ser o responsável pelo primeiro toque em cada anjinho que ele ajuda a nascer como obstetra.

Neste momento mais que especial, ele, como médico, representa a ponte essencial da segurança que tranquiliza o choro dos recém-nascidos, reafirmando, a cada parto que realiza, o bom amor em forma de laço que une eternamente mães e filhos.

Não há dúvida que colo de mãe é a primeira e última coisa mais calmante que existe. Memórias quentinhas e afetivas, brilhantes e valiosas ou mais que uma data acolhedora são marcas eternas do DNA e ficam registradas pra sempre em cada filho.

Maternidade é algo que muda o mundo. E a única diferença entre uma mãe e outra é a história contada…

Por enquanto eu e minha Gabriella festejamos o por do sol cor de rosa, comemoramos todo nascer de lua cheia, caçamos muitas estrelas que pontuam o céu, fazemos guerras de cócegas,  escovamos os dentes sorrindo…

Juntando tantos pontinhos que iluminam até o ar que respiro, posso garantir que mãe é um ser sagrado. A definitiva conexão divina com o Todo Poderoso.

Que possamos todos nos sentir amados e acolhidos. Do ventre para o mundo. Enchendo as trilhas de estrelas, diamantes e dedais. Porque o maior amor que existe começa na ponta dos dedos.  Exatamente ali nascem nossos mais lindos sonhos, como bem ilustra a famosa e imortal obra de arte ‘O Milagre da Criação’, de Michelângelo.

*Claudia Queiroz é jornalista.

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