*por Claudia Queiroz

PROFESSORA: – Joãozinho, o que você vai ser quando crescer?

JOÃOZINHO: – Milionário! Torrar dinheiro e ter uma ‘kenga’ só pra mim. Vou dar um cartão de crédito sem limites pra ela gastar e um carro importado.

PROFESSORA: – Chega!!! Que coisa feia!!! Maria, você vai ser o quê?

MARIA: – Eu ia ser médica, mas agora quero ser a ‘kenga’ do Joãozinho!!!

Piadinha à parte, machista e tradicional, …, infelizmente atual. Ainda mais numa semana em que o assunto mais falado no país virou escândalo com repercussão internacional envolvendo o jogador de futebol Neymar, e a modelo, até então desconhecida, Najila Trindade. Ela o acusou de estupro, apesar do vídeo da transa em Paris revelar uma cena em que agride o suposto agressor, dividindo opiniões se está na posição de vítima ou vilã da história.

Inegável é que ganhou fama súbita e tornou-se celebridade. Enquanto isso, Mastercard suspendeu campanhas de marketing envolvendo Neymar, que também foi afastado da seleção brasileira e não vai mais jogar na Copa América (espero que tenha sido somente por causa de uma lesão)… Perdas e ganhos serão contabilizados e em poucos dias tudo deve voltar ao normal. A não ser a saída do anonimato da moça, que manchou o nome da estrela do Paris Saint-Germain, e que, contudo, deve assinar bons acordos.

Ao que tudo indica, é bem provável que o objetivo de Nadja tenha sido cumprido com êxito. Ela queria transar com Neymar, viajou para isso e filmou o que poderia e deveria sempre ficar entre quatro paredes. O assunto viralizou e o diário íntimo veio à tona, com detalhes que abrem espaço para o terrível tribunal das mídias sociais.

O fato é que a velha fórmula de fama, que atrai dinheiro e poder, continua girando nesta tríade de ciclo vicioso. Só que em tempos de “Eu on-line”, é preciso muita habilidade para tanta “exposição da figura”, como diz a cultura indiana, já que o canibalismo digital é lúdico e isento de valores morais.

Por que uma mulher bonita como ela não acredita no próprio potencial e precisa vincular sua imagem a manchetes e tapas escandalosos? Assim como outras tantas pessoas que meteoricamente conquistaram fama, …, com o passar do tempo voltaram para o mesmo lugar de onde saíram, porém, com as marcas da identidade mastigada.

Compartilhamento de vínculos imediatos, sem receio nem pudor, na incessante busca de seguidores é como um labirinto obsessivo de ilusões. A mesma confiança que nos motiva a agir de maneira diferente deste comum. Se todos temos talentos e podemos brilhar, ninguém precisa terminar a vida como a ‘kenga’ da estrela luminosa.

Moral da história:

Maria, seja médica! Não vá pra Paris.

Joãozinho, vá à….

… e aprenda a não cair em qualquer esbarrão (ou tapa).

Claudia Queiroz é jornalista.